Cacá Bueno: “Não sou amigo de nenhum piloto”

O piloto é um dos maiores campeões da Stock Car, a grande categoria do automobilismo nacional. Mas a imodéstia e seu pai às vezes tumultuam seu sucesso

(Créditos: Daryan Dornelles)

 (Daryan Dornelles/Revista VIP)

Torcida contra

“Quando comecei a me destacar na Stock Car (o primeiro título veio em 2006), havia claramente uma torcida contra mim, principalmente em São Paulo.

Eu era o ‘cariocão’, torcedor do Fluminense, numa categoria notoriamente ‘paulista’ e filho do locutor mais popular do país.

Essa rejeição cresceu ainda mais quando perceberam que eu não era de fazer média com ninguém, que me posicionava, que não era o ‘filhinho de papai’.

Estava ali para brigar por resultados e por uma Stock mais profissionalizada. Nunca me preocupei em ser politicamente correto.

Mas os títulos vieram (2006, 2007, 2009, 2011, 2012) e hoje me respeitam mais. Se sou querido ou não, não sei, mas sou respeitado.

Passei de filho do Galvão Bueno para um piloto de renome, com feitos indiscutíveis no Brasil.”

 

Irmão

“O Popó Bueno carrega um fardo duplo: é filho do Galvão e irmão do Cacá. Quando ele chega em sétimo, oitavo, todo mundo provoca, quando sobe no pódio, ninguém fala.

Ele é diferente de mim, boa-praça, tranquilo, um lutador também, muito talentoso, mas que não teve tantas oportunidades.

Não consegue viver 100% do automobilismo, como eu, e isso se reflete nas pistas.”

 

Rubinho na Stock

“Foi o melhor de 2014. Não somos amigos, mas nossa relação, dentro das pistas, é ótima.

Essa história de que ele brigou com meu pai, e por isso deixou de comentar na Globo, foi alimentada pela imprensa.

Há uma certa rivalidade, como há com outros pilotos, mas dizer que somos ‘inimigos’ é bobagem – até nos tornamos mais próximos quando ele veio para a Stock.”

 

Amigos? Jamais

“A Stock se tornou mais profissional, mas ainda é uma categoria muito acirrada, de muitas rivalidades. É tensão o tempo todo, dentro e fora das pistas.

Aprendi a viver nesse mundo. E também a ficar na minha. No começo, alguns pilotos até se tornaram amigos meus. Hoje, tenho respeito por todos, mas não sou amigo de ninguém. Pouquíssimos frequentam a minha casa.

Não preciso ter inimigos, mas amigos, jamais. E acho bom que seja assim. Não dá para convidar para um chopinho o mesmo piloto com quem você disputa uma freada.”

 

(Créditos: Daryan Dornelles_

O melhor

“Quem é o melhor atualmente? O melhor piloto da história da Stock Car foi o Ingo Hoffmann (aposentado desde 2008); o atual, pelos resultados, sou eu.

É difícil fazer qualquer comparação com outros pilotos, principalmente com os de categorias diferentes, mas, pelos resultados, eu sou o melhor piloto brasileiro da atualidade.

Digo isso sem arrogância alguma. A plena consciência dos meus defeitos e das minhas limitações me fez chegar aos resultados de hoje. E se eu não lutar, se não tentar fazer o melhor sempre, perco o posto rápido.”

 

O sonho na Fórmula 1

“No automobilismo, principalmente na Fórmula 1, não basta apenas ter garra, talento: é preciso sentar no carro certo, na hora certa.

Não tive muitas oportunidades, sempre fui considerado um pouco alto para a categoria e tive problemas de peso.

Se eu seria melhor do que os brasileiros da F1, pós-Ayrton Senna, é muito difícil dizer. Mas na Stock eu corro contra pilotos que passaram por lá, como o (Antonio) Pizzonia e o (Ricardo) Zonta – também corri contra o Christian (Fittipaldi), o (Luciano) Burti. Nunca deixei a desejar.”

 

“Cala a boca, Galvão!”

“Cresci ouvindo comentários e bordões contra meu pai. Já foi pior. Tem gente que ainda pega no pé dele, mas que também o idolatra.

Ele leva tudo na boa, eu também. Somos muito unidos em casa.”

 

A obsessão

“Tenho uma obsessão: ser campeão do mundo. A Stock tem muita divulgação no Brasil, na Argentina, na América do Sul, mas não é reconhecida pelos americanos e europeus.

Tenho nove títulos nacionais e um sul-americano, mas nenhum mundial. Eu quero esse título.”

 

Assédio

“O assédio na Stock sempre foi grande. Uma vez, três mulheres entraram no meu quarto. Era solteiro. Mas sempre fui de evitar baladas.

O Popó gostava mais. Estamos casados. O baladeiro da casa continua sendo meu pai. Para seguir o velho tem que ter pique, viu.”