Carros de corrida antigos são o grande barato do GP Historique de Mônaco

Nesse Grand Prix, todos se divertem, alguns se tornam campeões e outros saem no prejuízo. O que importa, no fim das contas, é estar na pista

Monaco Na saída da curva da Rascasse, o piloto Roberto Crippa saiu de traseira e ficou de frente para o perigo: os outros competidores.

Na saída da curva da Rascasse, o piloto Roberto Crippa saiu de traseira e ficou de frente para o perigo: os outros competidores. (J.R Duran/Revista VIP)

Aqui tem vários milhões de euros em equipamento”, diz sorrindo um dos mecânicos, enxugando as mãos e apontando para o motor do automóvel.

É um dos carros de corrida do Grand Prix de Monaco Historique.

Ele não está exagerando.

Neste GP, organizado pelo Automóvel Club de Mônaco a cada dois anos –e que acontece uma ou duas semanas antes do outro Grand Prix, o de F1 –, só há joias raras (e caríssimas) do automobilismo.

Mais de 200 modelos de carros clássicos estão espalhados pelo paddock e prontos para participar de diversas provas.

E enfrentando as perigosas curvas, conhecidas pelo seu nome e sobrenome (Cassino, Rascasse, Sainte Dévote, Louis Chiron), da pista de corridas mais famosa do mundo.

Grand Prix de Monaco Historique

 (J.R Duran/Revista VIP)

Rodeados de mecânicos, curiosos, colecionadores e pilotos estão todos os tipos de carros que fizeram a história da velocidade.

Desde um Bugatti 35 (de 1925) até um Jaguar C (54 unidades produzidas desde 1952).

Depois passando por um Copersucar Fittipaldi F5A, com que Emerson chegou em 9º lugar em Mônaco, em 1978, ou a Ferrari 312B3 com que Niki Lauda fez a pole position aqui também, em 1974.

Monaco Motor Saindo da curva da piscina e antes de entrar na chicane, uma Veritas RS construída a partir de um chassis BMW 328, pilotada por Lutz Rathenow, ultrapassa o Cooper-Jaguar T38 de Najeeb Khan.

Saindo da curva da piscina e antes de entrar na chicane, uma Veritas RS construída a partir de um chassis BMW 328, pilotada por Lutz Rathenow, ultrapassa o Cooper-Jaguar T38 de Najeeb Khan. (J.R Duran/Revista VIP)

Mônaco e o automobilismo entraram no radar de minha atenção pelo pulso de um ator e piloto: Steve McQueen.

No filme As 24 Horas de Le Mans o ator dirige um Porsche 917 chassis 022.

Mas o que me fascinou, e fascina até hoje, foi o relógio em formato quadrado (coisa inexistente na época) que McQueen usa, sobre a manga do macacão branco com duas listras verticais, uma azul e outra laranja.

O modelo, um TAG Heuer Monaco, virou objeto de meu desejo desde o segundo em que rasgou pela tela.

O relógio surgiu no figurino do ator a partir de uma estratégia de marketing.

O Monaco, lançado em 1969, foi o primeiro cronógrafo automático e à prova d’água lançado no mundo.

Porém, as pessoas ficaram desconcertadas ao encontrar nas lojas um modelo quadrado e com o fundo azul (ao contrário dos tradicionais preto ou branco).

Quando soube que McQueen faria um filme sobre corridas de carro, Jack Heuer, que havia desenhado o relógio, sentou no banco do carona e aproveitou a oportunidade: fez um acordo com o ator para que ele usasse a criação.

“Sem passado não existe futuro”, diz Catherine Eberlé-Delvaux, a diretora do TAG Heuer Museum.

Monaco Motor

 (J.R Duran/Reprodução)

Estamos no Musée de L’Automobile, faltam poucas horas para o coquetel que a TAG vai oferecer a seus convidados em Mônaco.

O museu, uma instituição criada pelo príncipe Rainier II, é o perfeito lugar para celebrar a novíssima edição do TAG Heuer Monaco Gulf Edition.

O modelo, desta vez com as cores laranja e azul da Gulf, outra marca presente desde sempre no mundo das corridas.

Aqui no salão os carros de corrida estão dispostos cada um com um relógio ao seu lado: o modelo do seu tempo, da sua época.

Amanhã, domingo, na pista, os carros vão correr contra o tempo para conquistar a taça – e só um deles por categoria –, a lendária coroa de laurel.

Mas nem todos querem chegar em primeiro lugar.

“E eu quero saber do tempo que fiz? Eu estou aqui para correr!”, exclama Julia de Baldanza, tirando as luvas de corrida depois de um dos treinos.

Julia é uma sofisticada dama do jet-set, presença assídua em Mônaco e colecionadora – e piloto de excepcionais carros de corrida.

Este ano ela entrou na pista ao volante de duas peças lendárias: um Bugatti 35B, de 1929, e um Maserati A6GCM, de 1952.

Os dois carros fazem parte de seu acervo.

O Grand Prix de Monaco Historique é uma festa em que se pode ver passar perante os olhos, e no espaço de um dia, a história dos carros de corrida.

É uma homenagem aos grandes nomes que marcaram esse esporte, os quais ainda estão pintados nos carros que os tornaram famosos.

Já o barulho dos motores lembra os tempos românticos, não tão politicamente contidos como os de hoje.

Monaco Motor Nos boxes de Mônaco: ao lado, a Lotus 77 de Jacky Ickx (#2) e a de Mario Andretti (#5), que ganhou o GP do Japão em 1976, sendo preparadas para entrar no circuito. Embaixo, o Fittipaldi F5A que Emerson utilizou durante o campeonato de F1 em 1978.

Nos boxes de Mônaco: ao lado, a Lotus 77 de Jacky Ickx (#2) e a de Mario Andretti (#5), que ganhou o GP do Japão em 1976, sendo preparadas para entrar no circuito. Embaixo, o Fittipaldi F5A que Emerson utilizou durante o campeonato de F1 em 1978. (J.R Duran/Revista VIP)

Aqui todos se divertem, alguns se tornam campeões e outros saem no prejuízo.

Acidentes, não muito graves, acontecem; e doem mais no bolso do que no corpo (o carro de McQueen foi vendido por quase 1,3 milhão de dólares, 30 anos atrás, em um leilão).

Além disso, há o desprazer de ver pedaços de uma dessas joias sobre rodas espalhados pela pista.

Porém, os milionários que estão aqui não se abalam, eles seguem os passos de Stirling Moss.

“Eu não sou um piloto, sou um corredor”, disse ele.

O que importa é a corrida. E o que todos querem é estar aqui, correndo contra o tempo na pista de Mônaco.

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