Com Alfa Romeo de volta à F1, listamos escuderias que fazem falta

A Alfa Romeo volta ao grid após 33 anos e, por isso, relembramos outras equipes que podiam retornar à Fórmula 1, como a bizarrice de seis rodas da Tyrrell

Alfa Romeo de 1982: retorno sem muitos resultados da scuderia (Reprodução/Getty Images)

Após 33 anos, a Alfa Romeo está de volta à Fórmula 1. A montadora italiana retorna ao grid após anunciar parceria técnica com a Sauber, que irá se tornar uma espécia de “time B” da Ferrari — semelhante a relação entre a Red Bull e a Toro Roso.

O novo nome oficial da equipe será Alfa Romeo Sauber F1 Team. A junção entre as duas marcas estava sendo ventilada desde 2016, quando a Sauber passava por problemas financeiros e procurava parceiros comerciais. Até encontraram novos donos, mas a parceria foi inevitável.

Sauber e Ferrari têm relação de longa data: o time suíço é, junto com a Haas, as únicas equipes do grid que usam motor da escuderia italiana e a junção visa uma “cooperação estratégica, comercial e tecnológica”.

As unidades de potência serão rebatizados como Alfa Romeo, medida apenas comercial, uma vez que a parceria não prevê participação dos suíços no desenvolvimento das tecnologias.

A Alfa volta ao grid após 33 anos de ausência. A escuderia é uma das mais históricas da F1, sendo a vencedora do primeiro GP e o primeiro mundial da história, em 1950, com Giuseppe Farina.

(Reprodução/Divulgação)

Ficaram até 1952 e só retornaram em 1979, em uma volta sem muitos resultados que terminou em 1985.

A volta da marca reacende um debate da volta de times clássicos para o grid, que hoje conta com apenas 4 times “históricos” — Ferrari, McLaren, Williams e Mercedes.

Muitas equipes que marcaram época na F1 deixaram saudades e poderiam ensaiar um retorno.


Lotus

Emerson Fittipaldi pilotando a Lotus 72D durante GP do Brasil, 1973 (Jussi Lehto/arquivo Abril)

O nome Lotus foi banalizado nos últimos anos com um retorno confuso, que resultou em duas equipes diferentes entre 2010 e 2015, sem muitos resultados na pista.

Nada comparada à Lotus original de Colin Chapman, que disputou o campeonato mundial de Fórmula 1 entre 1958 a 1994. No total foram 79 vitórias, sete títulos de construtores e 6 títulos de piloto — incluindo o primeiro de Emerson Fittipaldi, em 1972.

A Lotus também foi a equipa na qual Ayrton Senna venceu suas primeiras corridas, ajudando a eternizar a pintura preta e dourada da John Player Special no imaginário dos fãs de Fórmula 1.


 

Brabham

Nélson Piquet pilotando a BMW BT52, criação de Gordon Murray, no GP de Mônaco. (Reprodução/arquivo Abril)

Outra escuderia da geração dos “garagistas”, o time fundado por Jack Brabham foi, durante as décadas de 60 e 70, um dos maiores fabricantes de carros fórmula do mundo e responsável por algumas das grandes inovações da categoria, como o freio de carbono e suspensão hidropneumática.

Foi na equipe também que Bernie Ecclestone começou sua carreira na categoria. Ao todo, foram 45 vitórias, 2 títulos de construtores e 4 de pilotos — incluindo dois com Nelson Piquet.

No início de 2017, houve boatos de que a marca Brabham poderia voltar à F1 em uma negociação envolvendo investidores americanos e a equipe Force India. Mas David Brabham, filho de Jack, afirmou que não houve acordo entre as partes.


Tyrrell

Carro de corrida Tyrrell P34, de 1977, de 6 rodas (Reprodução/arquivo Abril)

A Tyrrell marcou época não só por seus resultados e pilotos (foram três títulos mundiais com Jackie Stewart e um de construtores), mas também por sua ousadia nos design.

A mais notória foi seus carro de seis rodas, o P34 de 1976, projeto que durou apenas um ano por conta da dificuldade em desenvolver pneus específicos para o bólido.

Uma das últimas representantes do espírito garageiro, a Tyrrell se manteve na F1 durante três décadas, até 1998, quando foi comprada por uma indústria tabagista que deu origem à equipe BAR.


Benetton

(Pascal Rondeau/Getty Images)

Uma equipe ligada a uma marca de roupa é curiosa por si só, mas a Benetton conseguiu unir bons resultados na pista com pinturas diferenciadas que marcaram época na F1 dos anos 80 e 90.

Foi na Benetton que o Brasil registrou sua última dobradinha na Fórmula 1. E de uma maneira toda especial: o GP do Japão de 1990, vencido por Nelson Piquet, com Roberto Pupo Moreno em 2º – dois amigos de juventude e companheiros de equipe na época.

Foi lá também que Michael Schumacher venceu seus dois primeiros títulos mundiais ao lado do polêmico Flavio Briatore. Em 2000, a equipe seria vendida para a Renault.


Copersucar-Fittipaldi

Ingo Hoffmann no GP Brasil de Fórmula 1. (Reprodução/arquivo Abril)

A história da equipe brasileira de Fórmula 1, um sonho dos irmãos Wilson e Emerson Fittipaldi, já foi contada aqui na VIP em uma brilhante reportagem sobre Ricardo Divila, o projetista do time.

A trajetória não teve final feliz, mas deixou como legado os primeiros (e provavelmente únicos) carros “made in Brazil” da história da F1, com suas belas pinturas e algumas inovações – apesar de o desempenho nas pistas ter sido apenas razoável, sem vitórias.