[Entrevista VIP] James May: “uso Ferrari só para sair da rotina”

Famoso pelo programa Top Gear, o apresentador se adaptou ao streaming em Grand Tour, cuja nova já está disponível na Amazon Prime

(Amazon Prime/Reprodução)

Produzido pela britânica BBC, o programa Top Gear tornou-se uma instituição para os amantes de automóveis e, com a era digital e da TV paga, se alastrou pelo mundo.

O divertido trio Jeremy Clarkson, James May e Richard Hammond comandou a série de 2003 a 2015. Até a BBC suspender Clarkson por comportamento rude com um membro da produção e não renovar seu contrato.

Os três amigos então se bandearam para a Amazon Prime Video para criar The Grand Tour, programa que expande mundialmente o formato criado em Top Gear.

A segunda temporada na plataforma de streaming por assinatura tem sua estreia prevista para 8 de dezembro.

Em entrevista à VIP, o inglês James May, 54 anos, disse que ele e os colegas tinham antes uma abordagem mais britânica, mas agora sabem que se dirigem a uma audiência globalizada.

Vocês deixaram hard news e análises de lado para fazer um programa com foco nas experiências com carros. A mudança para o streaming afetou o novo programa?

Nos tempos do Top Gear, fazíamos um show britânico para um canal britânico com um tempo muito reduzido. Então tínhamos que falar de coisas que diziam respeito ao nosso público. Em The Grand Tour, fazemos um programa mundial.

O próprio nome diz respeito à proposta da atração, que é viajar o mundo testando carros. Ainda é um show de TV, o que muda é a maneira como ele é consumido, quantas pessoas vão nos assistir. Tudo que está na internet fica lá para sempre, então não se pode pensar muito nisso. Daqui a 20 anos, Grand Tour estará lá, claro que um pouco datado.

O público mudou?

Não drasticamente. A diferença é que agora temos um público muito maior assistindo enquanto ele está “fresco”. Antes, muitos assistiam ao programa anos depois da Inglaterra.

(Amazon Prime/Reprodução)

A nova geração está menos interessada em carros?

Não acho, mas há interesses diferentes se compararmos comigo quando eu tinha 20 anos. Nós nos preocupávamos com desempenho e confiabilidade, que eram problemas. Hoje, os mais jovens têm mais interesse em questões estéticas, gastos para manter o carro, principalmente onde o custo de vida é alto. O carro se tornou algo muito maior, ligado ao lifestyle, com conexão de internet, sistemas de som. É como um tablet com rodas.

A tendência dos carros elétricos é irreversível?

Tenho um carro elétrico e acho que representa uma das maiores mudanças que já presenciei. Ainda não é algo perfeito e acho que a tecnologia deve ser testada pelas pessoas. Por isso, tenho um elétrico. Mas é claro que ainda há uma Ferrari na garagem…

Então você prefere a Ferrari?

Depende. Moro em Londres, então para levar coisas e pessoas para lugares, uso meu BMW i3. Uso a Ferrari só para sair da rotina.

Se você tivesse que escolher um único carro para dirigir o resto da vida, qual seria?

O Dacia Sandero [no Brasil, Renault Sandero]. Quando estiver velho e pobre, vai ser fácil de entrar nele, fazer manutenção. Ele tem bom rendimento e é suficientemente prático.