Mustang 68 de Steve McQueen rouba a cena no Salão de Detroit

Caminhonetes e utilitários tiveram que baixar o farol perante o modelo da Ford no primeiro evento automotivo do ano

Mustang Bullitt

 (Ford/Divulgação)

Uma das maiores atrações do Salão de Detroit, que aconteceu em janeiro deste ano, foi um carro que, visto fora daquele contexto, seria chamado por um leigo de — com o perdão pela blasfêmia — pau-velho.

Visivelmente surrado pelo uso, com a pintura fosca e pontuado de oxidação pela lataria, exibia formas datadas e, tudo indica, carecia de recursos tecnológicos que tanto buzz provocam nas mostras automotivas mundo afora.

Ironia em dobro, na mesma plataforma elevada de exibição, posava, lado a lado, lustrosa e imponente, a releitura daquele velhinho, vaidosa pelo papel que lhe cabe na evolução de uma das espécies mais cultuadas no meio automobilístico: a do Mustang.

Sendo quem é, o exemplar inédito tinha todos os motivos para estar se achando, ainda mais se for levada em conta a identificação da versão do modelo, estampada na falsa tampa de combustível na traseira: Bullitt.

Isso mesmo: trata-se de uma edição limitada em homenagem aos 50 anos do Mustang GT que protagonizou o filme Bullitt, pilotado pelo ator Steve McQueen, até hoje visto como símbolo de um cara que sabia levar a vida, dentro e fora das pistas, invariavelmente ao volante de um esportivo.

Mustang Bullitt

 (Bullitt/youtube)

Bullitt, o filme de 1968, é notório pelas cenas de perseguição nas ruas de São Francisco, envolvendo o dito Ford Mustang GT e um Dodge Charger, sem diálogo que possa distrair o espectador.

São quase sete minutos de tirar o fôlego, por causa do seu realismo brutal (vale muito a pena você dar uma busca no YouTube para assistir a essa verdadeira caçada entre motores).

Como se vê, a julgar pelo homenageado, atrativos não faltam ao novo Mustang. Mas aquele velhote que estava lhe fazendo sombra é nada menos do que um dos modelos que participaram de Bullitt, em “carne e osso” — ou em aço e mecânica. O próprio.

Dois Mustangs GT 1968 idênticos brilharam no filme, estreado em 17 de outubro de 1968. Terminada a filmagem, os carros seguiram caminhos diferentes: o modelo principal foi vendido pela Warner Bros e o outro, usado em saltos na famosa cena de perseguição, enviado a um depósito de sucata.

Por essas peças que o destino prega, o que tinha como certo cair em um ferro-velho ressurgiu em Baja, Califórnia, no início de 2017, enquanto o “ator” principal parecia ter entrado para as estatísticas dos desaparecidos.

Parecia… Eis que ele voltou pelas mãos de Sean Kiernan, herdeiro do carro comprado pelo seu pai, Robert, em 1974.

Com a ajuda da Ford, o modelo foi adequado para reestrear em grande estilo, agora entre beldades da indústria automobilística.

Mustang Bullitt

 (Ford/Divulgação)

Deu para entender por que, por mais atributos que o novo Mustang tenha, não dá para concorrer com uma lenda, agora sabemos, viva?

A disputa pela visibilidade torna-se ainda mais covarde com um fato impossível de passar despercebido.

Quem estava no trono de Steve McQueen no Mustang original em Detroit era ninguém menos do que Molly McQueen, sua neta, que, como se precisasse mais do que esse sobrenome sangue azul para ganhar os holofotes, ainda era de uma beleza e um sorriso de fazerem os marmanjos torcerem o pescoço e entrarem na fila da selfie. Mas tenhamos boa vontade com quem está chegando.

Ele merece.

O novo Mustang Bullitt será lançado no meio do ano nos Estados Unidos, em edição limitada — não há previsão de vir para o Brasil.

Tem motor V8, claro, de 5.0 litros e 480 cavalos de potência, capaz de atingir 262 km/h.

A carroceria é espartana, nada de listras, spoilers, emblemas, bem ao gosto do antigo freguês. As cores são sóbrias: preto e o clássico verde, o mesmo do modelo original.

Diz o designer-chefe da Ford que um Mustang não precisa gritar para ser notado.

Por dentro, o charme está na transmissão manual, coisa rara nos tempos atuais. A manopla do câmbio ganhou uma bola branca, singelo tributo ao modelo que lhe inspirou.

Tem até diversão para quem está do lado de fora. O sistema de escapamento foi tunado para dar um ronco característico, por suposto, ameaçador aos rivais que queiram se aproximar.

Sem querer polemizar com o designer-chefe, tem um rugido que mostra a que veio o animal do asfalto.

 

Ficha técnica

Motor: V8 5.0
Potência: 480 cavalos
Velocidade máxima: 262 km/h
* Não há previsão de vir ao Brasil

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