O dia que um repórter da VIP ganhou de Fernando Alonso nas pistas

Ele comemorou com a mesma garrafa que os pilotos recebem na F-1 e das mãos de Alonso e Vandoorne. Que história!

(Waldemir Filetti | Chandon/Divulgação)

Quando seu editor dá a missão de representar a revista VIP e ganhar uma corrida de kart, este trabalho parece até simples.

Mas e quando você descobre que no grid estarão os pilotos da McLaren, Stoffel Vandoorne e Fernando Alonso, bicampeão mundial de F-1?

Lá fomos nós ao Kartódromo Granja Viana, em São Paulo, para o Desafio Chandon, que reuniu mais de 80 pilotos “semiamadores” (todo mundo tinha já uma experiência prévia de kart) para se juntar em um grid com dois pilotos de F-1.

E, destes dois, um deles pode ser considerado um dos melhores de todos os tempos!

(Waldemir Filetti | Chandon/Divulgação)

Ainda como jornalista, aproveitei os dez minutos de entrevista exclusiva com Alonso e depois com Vandoorne para pegar algumas dicas.

Dizem que na F-1 vale até mentir para o companheiro de equipe sobre o ajuste do carro…

Mas eis que um solícito Fernando diz: “O importante é se concentrar na pilotagem, e não ficar olhando para trás o tempo todo”.

O belga da McLaren foi menos genérico. “Tente carregar velocidade na saída de curva, estes karts têm pouca potência e isso dá muita vantagem nas entradas de retas”. Até parecia fácil!

(Waldemir Filetti | Chandon/Divulgação)

Não vou mentir dizendo que não tenho bagagem de piloto: integro há anos a equipe dos jornalistas nas 500 Milhas de Kart e, acredite, como repórter já tive oportunidade de pilotar um F-1 em um teste com a Renault em Paul Ricard, há três anos.

Mas correr contra pilotos como Alonso é algo único na vida.

No treino classificatório, fico em 9o lugar no grid. “Peguei muito tráfego e não consegui fechar uma volta limpa”, pensei comigo mesmo. Bom, mas eram 23 karts na final e ainda teria uma chance.

(Waldemir Filetti | Chandon/Divulgação)

Segundos antes da largada, a surpresa: Alonso e Vandoorne largariam em último! Não, eles não trocaram de motor (embora os karts usem Honda, vejam só).

Mas sim para mostrar a nós, mortais, por que estes caras que pilotam F-1 são completos alienígenas.

E a largada acabou sendo o momento decisivo para minha corrida: optei em arriscar e vir por fora na primeira curva de raio longo e… Boom! Quatro karts batem e consigo escapar.

Com mais uma ultrapassagem, garanto a quarta posição na primeira volta.

O ritmo está bom, ultrapasso o terceiro e já estou na cola dos líderes. De repente, outra batida: surge, do nada, o kart do Vandoorne – em cinco voltas estava lutando pela ponta!

Foi quando desobedeci ao conselho de Alonso e olhei para trás: sim, lá estava ele, Fernando, e seu inconfundível capacete.

(Waldemir Filetti | Chandon/Divulgação)

Agora sei qual é a sensação de encarar um tubarão em alto-mar.

A vantagem de ver Alonso aproximando é que nem dificultei a vida dele. Não rolou um “Rodrigo, Fernando is faster than you” no rádio. Aliás, não tem rádio no kart.

Mas ele realmente estava bem mais rápido. A estratégia era justamente segui-lo e dar o bote nos dois primeiros.

Dito e feito: a manobra em cima do então líder, o colega Felipe Siqueira, do Globo Esporte, foi na curva seguinte após o Alonso.

“Cara, vou pegar uma carona com o Alonso”, eu repetia para mim mesmo, tentando não perder a concentração. “Pô, tô tentando seguir um bicampeão do mundo!”

Nas voltas finais, administro o terceiro lugar sabendo que a disputa entre os dois pilotos da McLaren era impossível.

Já estava feliz com o troféu do pódio e comemorei a bandeirada. A alegria deu lugar à completa euforia quando soube que os dois seriam desclassificados. É, amigos, a regra é clara: o desafio Chandon era para “terráqueos”!

Primeiro lugar, comemorando com a mesma garrafa que os pilotos recebem na F-1 e das mãos de Alonso e Vandoorne! Que história! Para contar aos leitores, aos netos, bisnetos…

(Waldemir Filetti | Chandon/Divulgação)

Na hora, veio a velha máxima: missão dada é missão cumprida! Agora só faltava contar a vocês da VIP como é correr e ganhar do Fernando Alonso. Ou melhor, quase!