O seu carro em 2030 vai ser autônomo e compatilhado

Colisões vão se tornar quase impossíveis, a internet estará em todas as partes do carro e você provavelmente não terá que pegar em um volante no futuro

Muita bola fora já foi dada na tentativa de se prever o carro do futuro. Outubro de 2015 passou faz algum tempo e até agora não vemos os carros voadores que Marty McFly presenciou no filme De Volta para o Futuro 2.

A tarefa é tão inglória que nem Luiz Alberto Veiga, um dos papas do design de automóveis do Brasil, se arrisca muito. “Ninguém pode prever o que vai acontecer com a indústria automobilística depois dos próximos quatro anos, tempo de gestão de um projeto, que sempre vai tentar trazer o que há de mais atual para ele”, diz.

“Mesmo porque, em quatro anos, muitos novos materiais, processos e softwares surgirão para nos surpreender e desviar das ideias iniciais.”

Luiz Alberto Veiga

Veiga, que acaba de se aposentar como diretor de design da Volkswagen depois de 40 anos, é o nome por trás de carros como o Gol “Bolinha” e o Fox. Ele dá alguns palpites. “O automóvel como um todo será diferente de como o conhecemos hoje. Sistemas de trânsito e carros automatizados serão uma realidade nos centros desenvolvidos. Conectividade é a palavra de ordem, e o automóvel não vai ficar fora disso”, afirma. Algo de que o especialista tem certeza é que, do formato atual, pouco restará. “Os carros autônomos e compartilhados e a crescente situação caótica das grandes cidades vão obrigar a uma mudança de comportamento”.

O carro público é o futuro.” Ele desenhou os modelos destas páginas e apontou como, de fato, deve ser nosso modo de nos transportar em 2030.

Motorista para quê?

Ilustração: Luiz Alberto Veiga Ilustração: Luiz Alberto Veiga

Ilustração: Luiz Alberto Veiga (/)

O Uber já inaugurou na prática a tendência de carros autônomos: lançou nos Estados Unidos, em dezembro, um serviço que dispensa motoristas. A pequena frota tem sensores que funcionam com tecnologia a laser e câmeras. Para Luiz Veiga, os carros autônomos vieram para ficar – e os veículos públicos vão ser assim em breve. “O carro público é o futuro e, com ele, todas as amenidades que você precisa para trabalhar, estudar, se informar e se divertir. Você vai chamar o carro pelo smartphone e já definir o trajeto”, afirma.

Meu escritório é na rua

Ilustração: Luiz Alberto Veiga Ilustração: Luiz Alberto Veiga

Ilustração: Luiz Alberto Veiga (/)

Maiores e mais luxuosos que o veículo público, modelos assim, que também podem ser particulares, vão funcionar como um escritório móvel. “Uma vez lá dentro, você pode se conectar à internet e começar a trabalhar ou até descansar”, diz Veiga. Radares dianteiros e sonares em contato contínuo com uma central o guiarão, evitando colisões e rotas com muito tráfego. Ele é, claro, elétrico, com emissão zero de poluentes.

Inteligente e à prova de acidente

Ilustração: Luiz Alberto Veiga Ilustração: Luiz Alberto Veiga

Ilustração: Luiz Alberto Veiga (/)

Independentemente de serem esportivos ou não, os veículos terão conexão on-line permanente, que atualiza todos os sistemas. Também vão contar com materiais compostos e “uma quantidade impressionante de novos assistentes de direção, que vão tornar um acidente quase impossível”, diz o designer. “Eles terão ainda sistemas de reconhecimento do motorista via dispositivos móveis, como smartphones, e pré-ajustes, além de novos propulsores, tudo regido por meio de telas planas que vão abrir um mundo novo em termos de comunicação, entretenimento e informação”, afirma Luiz Veiga.