[Série VIP] Jackie Stewart fala sobre Senna, Brasil e Fittipaldi

Em primeiro episódio da nossa série sobre automobilismo, o garoto propaganda da Heineken na F-1 veio ao Brasil e conversou com exclusividade para a VIP

jackie stewart rodrigo frança

(Reprodução/YouTube/Fonte padrão)

Tricampeão do mundo de Fórmula 1, ex-chefe de equipe na principal categoria do automobilismo e sempre preocupado com a segurança dos pilotos.

Esse é Sir Jackie Stewart, escocês de 78 anos e uma das lendas do esporte a motor — às vésperas do GP Brasil de F-1, o britânico conversou com exclusividade com a VIP.

Depois de tanto tempo vivendo de corridas, algo que era impensável para muitos dos pilotos de sua época, nos anos 1960 e 1970 (os mais mortais da F-1), hoje Jackie vem aos GPs como “garoto propaganda” da Heineken, promovendo uma campanha de slogan conhecido – nunca beber antes de dirigir.

Não por acaso, a segurança sempre foi o tema central do papo com Jackie Stewart e um dos episódios mais curiosos sobre isso aconteceu em uma entrevista que ele fez com Ayrton Senna em 1990, logo após o piloto brasileiro tocar com Alain Prost na decisão do título mundial no Japão conquistado por Senna.

Foi uma espécie de troco pelo toque em 1989, quando o francês ficou com o título. Jackie discordou da atitude de Senna na pista e teve que ouvir a seguinte resposta do piloto brasileiro: ‘If you no longer go for a gap that exist, you no longer a racing driver’ (Se você não aproveitar o pequeno espaço que existe, você não vai durar muito como piloto de corrida).

Ao lembrar dessa entrevista com Senna, o escocês foi bem pensativo.

“Ele cometeu um erro, um erro de julgamento. Era um campeão mundial e ele sabia o que ele estava fazendo. Eu fui o único a dizer a ele que eu acreditava que ele havia feito intencionalmente (de tocar em Prost na largada) e ele rebateu. Disse que nunca mais falaria comigo de novo. Isso durou dois anos, até que uma noite ele me ligou e disse ‘Jackie, eu sei que eu disse que não falaria com você de novo, mas eu preciso te dizer algo sobre segurança em corridas: eu realmente sinto muito por aquilo. Podemos ser amigos agora?’ E eu disse ‘claro’. Naquela mesma noite nós nos encontramos no hotel e passamos 2h30 conversando sobre como um verdadeiro campeão deve prezar pela segurança e o Ayrton mostrou que se importava com isso”, disse Jackie.

Nas pistas, Stewart perdeu vários amigos e colegas de profissão. Para ele, seu grande ano de terror foi em 1968, quando houve a inaceitável média de morte de um piloto por mês: “Jim Clark em abril, Mike Spence em maio, Ludovico Scarfiotti em junho e Jo Schlesser em julho, tudo em quatro meses consecutivos. Isso era ridículo e teve que mudar! As pistas não eram seguras, não havia suporte médico com ambulâncias, nem bombeiros, os carros eram frágeis, as áreas de escape não existiam, então eram pistas perigosas. Hoje nós temos um esquema de segurança muito fantástico. Mesmo assim, é sempre preciso estar atento para o que pode acontecer, sempre será um esporte perigoso e isso está escrito na parte de trás do ingresso (para entrar na F-1).

Confira a primeira parte da entrevista