Teste: com motor V6, nova Amarok não deixa pedra sobre pedra

Abusamos dos 225 cv de potência da picape ao cruzar as sinuosas estradas da Cordilheira dos Andes

Amarok V6 Highline

 (Volkswagen/Divulgação)

Em tese, qualquer carro é capaz de nos levar a qualquer canto. Isso bem em tese mesmo.

Porque nada como estar montado em uma máquina ideal para cada ocasião.

Um esportivo vai muito bem em uma pista lisinha, um conversível cai como uma luva em uma estrada com cenários paradisíacos, um modelo pequeno saracoteia como nenhum outro em circuitos urbanos e não tem bicho mais valente do que um SUV ou uma picape para enfrentar ambientes brutos.

Longe de ser uma conclusão teórica, essa reflexão me veio à cabeça quando estava ao volante de uma Amarok V6, serpenteando a Cordilheira dos Andes a caminho do Deserto do Atacama, depois de ver pelo retrovisor a cidade de Salta, ao norte da Argentina, comer poeira enquanto se distanciava.

Ao longo de quase 1 200 quilômetros de estradas de asfalto e de pedra, intercalando vias retas, convidativas a cravar o pé no acelerador, com trechos sinuosos, que exigiam cautela e concentração redobrada, a revigorada picape da Volkswagen se sentiu à vontade em seu caminho, tal qual um animal em seu habitat.

Amarok V6 Highline

 (Volkswagen/Divulgação)

Em algumas situações, locomoção ideal é aquela que nos deixa seguros. Melhor ainda quando esse sentimento de proteção vem acompanhado de desempenho e força de gente grande, além de relativo conforto, como comprovei viajando a bordo da Amarok.

Abro um parêntese para explicar o “relativo” da frase anterior: se os passageiros dos bancos de trás e da frente tiverem cerca de 1,80 metro, vai ter que haver uma negociação sobre quem vai sacrificar mais o espaço para as pernas.

Rodando até 12 horas por dia durante a expedição, a cada par de horas o ideal era sair — a pretexto de clicar a paisagem ou dar uma corridinha ao banheiro — e esticar o corpo. Naquele ambiente, nada que passasse perto de ser traumático, reconheço. Fim do parêntese.

Amarok V6 Highline

 (Volkswagen/Divulgação)

A Amarok já está no mercado há um tempinho. Não é em si uma novidade, portanto. Só que a picape média ganhou um motor feroz, até aqui sem similares na praça — até 2019, está prevista a chegada da Classe X, rival classuda com a assinatura da Mercedes-Benz.

Alimentado por diesel, o propulsor turbo da Amarok desenvolve 225 cavalos de potência. Para quem esse número não significa mais do que isso, eu esclareço: é um número respeitável para um modelo desse porte e com vocação, digamos, cargueira, a despeito da cabine dupla.

Traduzindo em fatos, a Amarok V6 fez bonito no sobe e desce sem fim daquelas montanhas, que chegaram a beirar os 5 mil metros de altitude. Haja fôlego — para o carro e para o motorista.

Por se tratar de um circuito que se assemelha em alguns trechos ao off road, a habilidade para driblar obstáculos naturais chama mais a atenção do que a vocação para andar rápido. De todo modo, trata-se de um pau para toda a obra.

Se é velocidade o que o motorista-piloto precisa, ele não vai fazer biquinho de decepcionado.

O modelo, que chega a 190 km/h, é capaz de atingir 100 km/h em apenas oito segundos. Antes de o leitor dizer um “mas, mas, mas”, antecipo: estamos falando de um veículo utilitário, e não de um esportivo puro-sangue.

Pelo perfil do modelo, talvez aqui valha um breve sobrevoo mais técnico. Aquela cavalaria toda citada acima está disponível na faixa de 3 000 a 4 500 rpm, enquanto o torque de 56,1 kgmf é entregue entre 1 500 e 2 500 rpm.

Amarok V6 Highline

 (Volkswagen/Divulgação)

Resumindo: energia de sobra disponível na menor ameaça de desafios à frente.

A direção, leve, estava na medida para ser percebida como confortável, e não como frouxa.

O conjunto da obra, acoplado a um eficiente câmbio automático de oito marchas, faria o piloto se sentir conduzindo um sedanzão, não fosse a altura, que denuncia se tratar de um peso-médio.

Entre um trecho de asfalto e outro, a Amarok atravessou riachos, terrenos arenosos, sambou sobre a lama, desfilou sob chuva, sol, neve e vento.

Não vou dizer que apenas picapes e utilitários esportivos estão aptos a rodar com desenvoltura por essas condições. Até porque, para acompanhar a expedição composta por três picapes, seguia firme e forte um Gol “velho de guerra”, fazendo as vezes de um saudoso Fusca guerreiro.

Entretanto, apesar de reconhecer a bravura do Golzinho, é tranquilizador saber que estava a bordo de um modelo que entregaria toda aquela valentia sem abrir mão do bem-estar.

Ficha Técnica

■  Nome — Amarok V6 Highline
Motor — 3.0 – V6
Potência — 225 cavalos
O a 100 km/h — 8 segundos
Máxima — 190 km/h
Preço — a partir de R$ 184 990

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