Como impressionar uma mulher na hora de escolher o vinho

Esse momento pode ser importante no ato da conquista, mas o que agrada a elas nem sempre é o que você imagina

Casal vinho

 (Pixabay/Reprodução)

Um amigo uma vez me disse que homens suportam tudo de uma mulher, menos não serem admirados.

Não é segredo para nenhuma de nós (ou quase nenhuma) que muitos homens usam vinhos para impressionarem as mulheres, para serem admirados por seu refinamento, sua cultura geral, o seu bom gosto.

Só que hoje não é mais tão simples impressionar uma mulher. Não basta falar um monte de pataquada e achar que ela vai engolir.

Os homens sabem disso. E achar que vinho ainda é um terreno masculino é uma atitude antiga.

O cara que não pressupõe que a mulher é uma idiota no assunto ganha muito mais pontos.

Numa conversa sobre o assunto, por favor, nunca use as expressões “vinho de moça” ou “vinho feminino”.

Isso não existe. Tem mulher que só toma vinho docinho? Tem. Mas também tem homem.

Prova de que vinho é coisa de mulher é o enorme número de sommelières que encontramos por aí. Algumas de bastante destaque.

Recentemente, a Wines of Chile, entidade que reúne vinícolas chilenas, levou seis delas para visitar o país e participar de uma brincadeira chamada Rainha de Copas, na qual cada profissional escolheu seis vinhos e os apresentou em São Paulo, num evento em que os convidados elegeram uma rainha.

Aproveitei a ocasião para pegar algumas dicas com essas moças de como impressionar uma mulher na hora de escolher um rótulo.

Afinal, além de serem mulheres, elas têm experiência com o serviço de restaurantes e já viram muito casal no ato da escolha de um vinho.

Para Jessica Marinzeck, proprietária da JM Wines, vencedora do concurso, já que existem tantas mulheres que entendem do assunto, num restaurante, o melhor é definir de antemão entre vocês quem vai escolher o vinho.

“Esse pode muito bem ser trabalho da mulher”, diz a sommelière. Perguntar para a sua acompanhante se ela quer escolher o vinho é marcar vários pontos.

Se ela não desejar fazer a escolha, Jéssica sugere que você faça algumas perguntas sobre o gosto dela. “Pode também dividir uma experiência sobre um rótulo que já tomou e aprovou”, diz.

“Nesse caso dá até pra começar por um caso de uma viagem maneira ou algo assim. Mas claro, tudo muito natural e sem esnobismo”.

Por falar em esnobismo, lembra ela, não pega nada bem ser mal educado com o garçom ou o sommelier.

Quem dá uma de enoidiota, e usa o garçom de escada para mostrar o quanto é sabichão, afasta não só mulheres como também amigos.

Discursos técnicos são sempre cansativos. “No filme Paris Pode Esperar, tem uma cena que mostra o conquistador gastando todo seu francês e a moça viajando com a música”, conta Eliana Araújo, sócia da Wine Soul Store, que já trabalhou em alguns dos melhores restaurantes de São Paulo e foi sommelière dos camarotes da Copa do Mundo da Fifa no Brasil, em 2014.

Preste atenção nos pratos que sua acompanhante pedir. “Mesmo que você goste de vinhos encorpados, se ela for num prato delicado, escolha um vinho mais leve ou de médio corpo”, diz Eliana.

“Fique entre um Bourgogne (pinot noir) e um Cotês du Rhône (grenache, mourvèdre, syrah). Esses vinhos harmonizam com vários estilos de comida”.

Eliana sugere também um wine bar para vocês testarem suas compatibilidades: essas casas vendem vinhos em taça e flights, sequências de pequenas doses de diferentes tipos de vinhos.

Se o encontro for na sua casa, propõe que você selecione algumas garrafas da adega, coloque sobre a mesa e convide sua parceira a escolherem juntos.

“E nada de pegar os vinhos mais baratos”, diz. “Não subestimá-la é um bom princípio para alinhavar as afinidades”.

A seguir, alguns dos rótulos que Jéssica e Eliana apresentaram no Rainha de Copas.

Branco é coisa de quem entende de vinho

Você já deve ter ouvido falar que quem gosta de vinho branco é mulher, como se isso significasse que vinho branco não presta.

Em primeiro lugar, não é verdade. Muitas mulheres também estão influenciadas por essa bobagem de que só tintos são bons. Em segundo, há brancos maravilhosos.

O Chile tem apresentado ótimos resultado com os brancos. As sommelières do Rainhas de Copas apresentaram alguns deliciosos no evento.

Jéssica escolheu: Trisquel Sémillon (Vinho e Mar, R$ 68), da Viña Aresti; Veramonte Ritual Chardonnay (TDP Wines, R$ 119), da Viña Veramonte; e Pequeñas Producciones Sauvignon Blanc (Domno, R$ 366), da Casas del Bosque.

Pequeñas Producciones Sauvignon Blanc

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Eliana escolheu: Signos de Origen Chardonnay-Viognier-Marsanne-Roussane (La Pastina, R$ 127), da Emilana Organic Vineyards.

Signos de Origen Chardonnay-Viognier-Marsanne-Roussane

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Tintos chilenos agradam gregos e troianos

O Chile é mais conhecido pelos vinhos potentes, mas tem uma boa variedade de tintos. No Rainha de Copas, as sommelières procuraram mostrar essa variedade.

Jéssica, por exemplo, trouxe desde o elegante Single Vineyard Pinot Noir (World Wine, R$ 131), da Cono Sur, até o superpotente Las 3 Marías Vineyards Cabernet Sauvignon (Wine & Co, R$ 489), da Viña Gandolini.

Las 3 Marías Vineyards Cabernet Sauvignon

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Eliana apresentou grandes blends, como o Corralilloo Winemarker’s Blend (Grand Cru, R$ 154), da Viña Matetic, e o Memorias (Decanter, R$ 320,80), da El Principal.

Memorias El Principal

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