[Ideias VIP] O Futmesa precisa virar esporte olímpico. Já!

As variações do futebol são inúmeras: futsal, society, futevôlei... A mais recente é um pingue-pongue com os pés que tem Ronaldinho Gaúcho como padrinho

teqball futebol de mesa

 (twimg/Reprodução)

 

A cena mais bela que vi em mais de quatro décadas de relação cardiovascular com o futebol não aconteceu em um campo, mas sim em um estúdio de televisão de Buenos Aires. Agosto de 2005. Jamais esqueço.

No programa La Noche del Diez, no Canal 13 da Argentina, o apresentador Diego Maradona recebeu como convidado Pelé.

Compartilharam mimos e afagos, rasgaram sedas, conversaram, cantaram juntos. Ao final, pegaram uma bola e ficaram trocando embaixadinhas sem fim de cabeça com um sorriso nos lábios.

Os dois maiores jogadores de todos os tempos, “inimigos” de fachada, brincando feito crianças com aquilo que os tornou eternos: a bola.

A bola é o primeiro brinquedo de quase todo moleque. E segue sendo, para mim e talvez você, até hoje. Mas pouquíssimos privilegiados conseguem transformar em trabalho o ato de brincar com ela e ganhar milhões como atletas profissionais.

Foi essa essência do jogo de bola que vi nos olhos de Diego e Edson naquela noite.

Uns dias atrás, lembrei de ambos quando pintou no meu celular o vídeo de Neymar, Daniel Alves, Marcelo e Thiago Silva jogando futmesa no vestiário da seleção brasileira.

Eram garotos inventando um novo jogo de bola, misto de futebol com pingue-pongue e vôlei. Dois para cada lado, no máximo três toques para cada dupla, uma mesa de bar no meio da qual era obrigatório pingar.

Eu também inventei quando moleque. Um deles era o “telhadobol”, que jogava sozinho mandando a bola sobre as telhas em descida, e tentando devolver, quando ela voltava, ora de esquerda, ora de direita.

Sim, eu era dois times, canhoto contra destro.

Meu filho e os amigos inventaram na praia o “garrafobol”, que consistia em tentar derrubar uma garrafa de água sobre uma inocente mesinha. As regras sendo inventadas na hora.

As variações do futebol são inúmeras. Das clássicas, como futsal, society e futevôlei, às botequeiras, como pebolim, futebol de botão, pinobol, futebol de moeda (dedos são jogadores e, quando é a vez do adversário, trave) e o que a imaginação inventar. Neymar e companhia me apresentaram mais um.

É claro que eu fui pesquisar. E descobri que o futmesa já existe há algum tempo, criado na Espanha com o nome fut toc. Ronaldinho Gaúcho está envolvido.

Teqball Ronaldinho Gaúcho

 (Teqball/Divulgação)

Neymar tornou-se cúmplice. Os alemães do Bayern também. Há regras e mesas oficiais, sólidas a ponto de permitir que o jogador nela suba para volear.

E, por aqui, tem uns caras que já fundaram uma espécie de Associação Brasileira de Futmesa. Querem que vire esporte olímpico e tudo. Acho justo.


Maurício Barros é jornalista, mestre em ciência política, blogueiro, comentarista dos canais ESPN e foi diretor de redação da PLACAR. Siga-o: @mauriciobarros