Nem todo atleta sabe conviver com a face terrorista das redes sociais

Rodrigo Caio, jogador do São Paulo, queria ver um mísero joguinho de tênis... mas o temor por represálias digitais mudou seus planos

Rodrigo Caio São Paulo

 (São Paulo FC/Divulgação)

Rodrigo ama o tênis. Joga suas partidinhas com amigos e acompanha de perto o circuito da ATP.

Assiste a todo torneio que pode pela televisão e sonha, um dia, em ver ao vivo um Grand Slam.

Enquanto essa hora não chega, ele se vira com o que está por perto. O Rio Open, por exemplo, principal torneio brasileiro de tênis profissional.

No início do ano, comprou ingressos e passagens para o Rio de Janeiro, um bate e volta com toda a família para curtir umas partidinhas. Mas Rodrigo não foi. Porque, na véspera, teve um dia ruim no trabalho.

Esse jovem de 24 anos é mais conhecido por seu nome composto: Rodrigo Caio.

Bati um bom papo com ele dia desses. É jogador de futebol profissional do São Paulo, clube que defende desde os 12 anos de idade. Na quarta-feira, 21 de fevereiro, seu time foi derrotado pelo Ituano por 2 a 1 no Campeonato Paulista.

Meio sem graça, ele me conta o motivo do cancelamento da viagem. “Eu ia tomar uma chuva de críticas. ‘Tá vendo? O cara perde pro Ituano e no dia seguinte tá lá, se divertindo no Rio de Janeiro.

Esses jogadores não têm vergonha na cara.’ Perdi passagem e ingresso, mas não tinha como ir”, disse.

Rodrigo Caio é um atleta com repertório técnico e intelectual acima da média.

Sua dedicação em treinos e jogos é decantada desde a base. Ter cancelado a viagem revela que também compreende no que se transformou a vida de um jogador de futebol nos tempos das redes sociais e dos celulares que tudo filmam.

Público e privado estão cada vez mais misturados. Ele teria todo direito de fazer o que bem entendesse em seu dia de folga. Mas, para alguns, apenas se tivesse vencido o jogo. Quando o jogador cria um perfil no Twitter, Instagram,Facebook ou coisa que o valha, abre um canal direto com torcedores.

Essa comunicação traz ondas de carinho, mas muitas vezes é também desleal, com xingamentos, cobranças e ameaças de perfis verdadeiros e falsos.

E alguns não se contentam em agredir a distância. Diego do Flamengo por pouco não tomou uns tapas recentemente no aeroporto. Pelo jeito que anda a coisa, dias piores virão.


Maurício Barros é jornalista, mestre em ciência política, blogueiro, comentarista dos canais ESPN e foi diretor de redação da PLACAR. Siga-o: @mauriciobarros

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