Novo gel para disfunção erétil está em fase final de experimentação

Ele poderá ajudar em dez minutos quem sofre de impotência, diferente dos 30 minutos que levam algumas pílulas. Mas não transforme isso em uma má notícia

gel para ereção

 (Shutterstock/Reprodução)

Um gel tópico de rápida absorção, aplicado no pênis e que ainda está na fase II da pesquisa (quando se experimenta a droga em 100 a 300 pessoas com a doença ou transtorno), tem resultados animadores: 70% dos homens conseguiram ereções em até dez minutos, bem interessante em comparação aos 30 minutos em média que leva a reação após a ingestão de alguns tipos de medicação pró-sexual (como Viagra, Cialis, Levitra e afins).

Segundo os resultados preliminares, divulgados em janeiro no Journal of Sexual Medicine, além da eficácia, o MED2005 não provocou efeitos colaterais significativos (em ocorrência ou em intensidade).

O gel, que relaxa o tecido muscular do pênis, melhorando o fluxo sanguíneo, ainda poderia ser usado nas preliminares, veja que maravilha!

Mas maravilha para quem? Para quem tem disfunção erétil, cara-pálida, e não para você que não tem.

Uma legião de homens usa essa medicação como muleta. Alguns como andador mesmo: apoiam-se no uso contínuo de tal modo que, a qualquer sinal de um possível rala e rola, já tomaram unzinho por precaução.

Sem a menor indicação física para tal, tentam aliviar uma insegurança mais do que esperada na relação sexual com essa crença de desempenho 100% garantido.

gel para ereção

 (Pixabay/Reprodução)

Só que, depois de 10 ou 15 anos de uso non stop, e com nem 45 anos de idade nas costas, passam a questionar se de fato precisam disso – e, com frequência, desenvolvem uma espécie de síndrome do impostor, o que definitivamente alimenta mais ainda a insegurança e provoca uma dissociação da identidade.

E não é simples assim abandonar um vício, ainda mais um que legitima o papel de macho sexual.

Nossa obsessão cultural pela ereção e pelo orgasmo tem aspectos reais de prazer (como penetrar sem ereção?), mas também nos aprisionou a fazer sexo objetivando o fim.

Se o orgasmo é a meta, ter uma ereção é parte sine qua non dessa equação.

Só que para ter ereção, assim como para gozar, é preciso sentir, abandonar-se ao contato, aprender sobre suas reações, fantasias, deixar-se invadir.

E abandonar-se tem mais relação com sensação do que com pensamentos racionais do tipo: “Vou dar conta ou não?”. Eu sei que não é simples, pois cada situação é única e muitas vezes fomos marcados por episódios traumáticos.

“Viciados” em medicamentos para ereção muitas vezes precisam de ajuda para “desmamar”, mas principalmente para permitirem-se enfrentar o medo de serem desmascarados “pelas mulheres”.

Cara, na boa? A maioria de nós não está querendo um sexo animal e forte, que parta logo para a penetração ou siga aquele ritualzinho do passa a mão aqui, ali, chupa um pouco e pronto.

Boa parte de nós, que também precisa desligar a mente para aproveitar sensações, anseia por encontrar alguém que beije bastante, alise bastante, massageie bastante e faça conexão. Desligue-se e sua ereção virá.