Por que só a intimidade do casal faz a sacanagem atingir a estratosfera

É no relacionamento estável que a conexão transcende o nível puramente carnal. É ali que a putaria se manifesta sem neuras e sem constrangimento

Sexo intimidade

 (Pixabay/Reprodução)

Quem me lê há mais tempo sabe: sou como a Carrie Bradshaw, protagonista da série Sex and the City — colunista de sexo que escreve sem pudor sobre os maiores absurdos, mas que acredita no amor e no romantismo.

Sou uma romântica incondicional com uma dirty mind, eu diria. E me incomoda a dificuldade que as pessoas têm para lidar com o amor.

Como disse o filósofo francês Roland Barthes, em outra época, obsceno em nosso mundo virou o amor. Pode se falar das coisas mais explícitas e ousadas no campo da sexualidade, mas amar virou quase tabu.

E o casamento? Pessoas casam ainda, claro, mas basta o papo ser sexo no casamento que logo todos vêm com alguma piada ou comentário irônico, como se não houvesse dúvida de que sexo entre duas pessoas que vivem juntas há um tempo seja sem graça.

A conexão que transcende o nível puramente carnal é o que faz o sexo ser especial. E tem algo que as pessoas não comentam, mas que é uma das coisas mais interessantes da intimidade: é ali que a putaria pode ir a níveis estratosféricos.

Você provavelmente não vai confessar uma fantasia muito bizarra para a mina que você ficou uma noite, mas para sua mulher/namorada você pode — e ela pode realizar.

Você talvez esteja muito preocupado com a performance em um primeiro encontro (vai ter uma ereção? Vai gozar muito rápido? ), mas com alguém que vive com você isso não é um problema.

 

Sexo intimidade

Quando as pessoas reclamam do sexo no casamento, sempre falo que o que precisa mudar é o mind set. Porque pode ser incrível e muito mais excitante do que o sexo do solteiro.

Lembrei disso quando assisti ao filme Love, do Gaspar Noé — sexo com intimidade é uma delícia e raramente é retratado no cinema.

Mas, claro, erotismo nesse cenário de convivência diária não cai do céu: precisa ser cultivado. Se você só deixar rolar, é provável que o tesão acabe sendo desgastado pelo cotidiano.

O principal é o olhar. É o olhar acostumado que as pessoas adquirem que estraga tudo. Por isso a importância de manter a individualidade — é preciso poder ver o outro como outro e não como um anexo seu.

Vençam a preguiça e se coloquem em situações fora da realidade “casados-vendo-TV-em-casa”.

Transem no banheiro de uma festa, viajem para lugares que não remetam vocês ao cotidiano, façam surpresas sexuais — tipo pegar ela no trabalho sem avisar e se jogar na estrada para passar a noite num chalé em alguma cidade próxima. Delícia.

Vocês podem ir ouvindo músicas boas na estrada, trocando ideias, relaxados, sendo vocês mesmos. E pronto: está garantida uma bela noite de sexo.

Viu como é só mudar o olhar? São pequenos esforços que a pessoa tem preguiça de fazer porque supostamente não precisaria.

Mas esse pensamento acomodado é justamente o que vai fazer você ter um sexo ruim. Daí o cara fica ali de pijama abduzido pelo iPhone e reclamando que sexo no casamento é uma merda.

Sexo intimidade

 (Pixabay/Reprodução)

Sou romântica. Mas também tenho uma mente suja. Já fui casada e garanto: casamento pode ser sinônimo de sacanagem das galáxias. Como disse o Woody Allen, a vida só depende de como iremos distorcê-la.