Por que sentimos vontade de trair mesmo quando felizes no relacionamento

De acordo com nossa colunista, uma boa relação amorosa e sexual não é escudo inviolável para o desejo por outra pessoa

Mulher traição

 (Maxim/Reprodução)

Mais da metade dos homens brasileiros e quase a metade das mulheres admitem ter traído seus parceiros ao menos uma vez, segundo uma pesquisa que já é até antiga, de 2010, feita pelo Instituto Tendencias Digitales.

É um tema espinhoso porque nós já sabemos que uma boa relação amorosa e sexual não é um escudo inviolável para o desejo por terceiros.

Mas, quando o casal tem que discutir o que fazer, acaba apelando para juras monogâmicas – que, em momentos de crise, quase sempre são bem-intencionadas, mas com frequência sucumbem.

Os últimos estudos que tenho lido sobre o tema apontam que ser infiel tem muito mais a ver com a disposição interna do que com a relação conjugal propriamente dita.

Aquele papo de que “quem não dá assistência abre concorrência” pode facilitar as coisas, é um dos motivos, mas está longe de ser o único.

Beijo traição

 (Pinterest/Reprodução)

As pessoas traem por variação sexual, porque o desejo é errante e curioso, algumas inclusive para provar relações com pessoas do mesmo sexo.

Traem por autoafirmação, do tipo preciso-alimentar-meu-ego, quero-me-sentir-desejada.

Há quem seja viciado em seduzir e só consiga ser fiel enquanto está apaixonado, já que o estado da paixão é monogâmico por natureza.

Outros têm uma urgência em vivenciar tudo, são intensos, testam todos os limites, inclusive os sexuais – portanto é bem difícil contentar-se com a mesma pessoa anos a fio.

E também há os casos em que tudo ocorre de maneira circunstancial: um tesão desavisado em uma viagem ou uma balada, uma experiência em algum curso transcendental.

É um problema mesmo quando também as circunstâncias da vida o colocam diante de alguém que é “seu número”, ou seja, um ser repleto de afinidades, valores e projetos em comum.

Alguém que você sabe que “poderia vir a ser”, caso não estivesse comprometido. Mas a convivência diária abre as portas para a intimidade e daí “Inês é morta” (aliás, Inês morreu porque D. Pedro se apaixonou por ela e isso gerou uma série de incômodos políticos na época).

Todos sabemos o quanto é difícil recusar uma paixão.

infidelidade

 (Pxhere/Reprodução)

Bom, mas há também o pessoal que tem a infidelidade como um valor, algo a ser seguido, padrão inviolável, sendo que boa parte só quer saber do seu próprio gozo, recusando a possibilidade da parceira (ou do parceiro) fazer o mesmo.

Uma coisa é relação aberta, os dois têm direitos, outra é prometer compromisso e morrer de trair pelas costas.

Aliás, é a trapaça o que mais pega quando se descobre uma infidelidade.

Pode ser que mentir e trapacear sejam primas-irmãs da mesma situação, mas penso que às vezes uma pessoa mente para poupar sofrimento e em outras a mentira é parte de um jogo de manipulação.

Questão de caráter. E perdoar sempre será mais fácil quando a intenção não era aquela, mas aconteceu.