Relação aberta ou monogamia? Existe formas de desejo no meio desse dilema

É possível encontrar amores muito sinceros nessas relações que não possuem um rótulo

Duas mulheres cama sexy

 (Pixabay/Divulgação)

Quando falam das possibilidades de relacionamento, as pessoas tendem a ser maniqueístas, como é típico em nossa civilização ocidental obcecada por categorias e conceitos.

Então pensam que elas se restringem a um relacionamento monogâmico, com contrato de exclusividade, ou uma relação aberta, na qual ambos têm suas liberdades para ficar com outras pessoas.

Por mais racionalmente compreensiva que uma pessoa seja com as várias alternativas que existem para se relacionar, no fundo ela ainda enxerga essa dicotomia e esquece das milhares de nuances que podem existir entre uma coisa e outra.

Eu também era assim. Mas percebo que, com o tempo, fui aceitando e aprendendo a amar cada vez mais os “quases”, as relações (de todo tipo, não só as amorosas-sexuais) que não têm nome, que não podem ser conceituadas.

Existem amores muito sinceros nessas relações, provavelmente bem mais genuínos do que as emoções que foram engarrafadas e que ganharam sua própria etiqueta. Definições limitam, mas os sentimentos que respiram só tendem a expandir.

Escrevi sobre isso em um dos meus livros, falando sobre o que eu chamo de “entressentimentos”. São os sentimentos que flutuam indefinidos, sem nome, entre os que já ganharam suas próprias definições.

Infelizmente este mundo cartesiano no qual vivemos nos leva a subestimar tais “entressentimentos”, mas para mim é justamente ali que está a vida mais pulsante, mais verdadeira.

Ali que está a poesia. Tenho em minha vida grandes amores indefinidos e, por isso mesmo, poéticos e duradouros. Isso não tem a ver com poliamor (outra definição).

É outra coisa. É um jeito que eu encontrei de me relacionar, é a minha própria forma de viver meus entressentimentos.

Otimista que sou, acredito mesmo que estamos cada vez mais próximos do dia em que nos livraremos das caixas e teremos a coragem de viver as relações de acordo com nossas cartilhas particulares.

Sem o peso da herança parental do superego nos condenando no nosso ouvido. Mas sei que é tarefa para uma vida toda tornar-se o que se é.

Sigamos tentando.


Carol Teixeira é filósofa, escritora e autora do livro Bitch (Record). Siga-a: @carolteixeira_

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