Se interessa por vinhos? Veja as vantagens de virar sommelier por hobby

Cursos profissionalizantes na área de vinhos atendem também quem tem prazer apenas em aprender sobre o assunto

Wine Spectator sommelier

 (Wine Spectator / Pinterest/Reprodução)

A procura por cursos profissionalizantes na área de vinhos cresceu muito nos últimos anos.

Só a Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo, onde me formei em 2011, hoje tem 76 turmas abertas. Na época, tinha umas quatro turmas.

E, além dos da ABS-SP, há cursos profissionalizantes oferecidos pelo Senac e por representantes brasileiros da britânica WSET. Todos de muita qualidade. Todos sempre lotados.

Será que toda essa gente quer trabalhar em restaurante como sommelier? Muitos querem. Outros querem trabalhar com importação ou revenda de vinhos. No entanto, há vários amadores entre os alunos desses cursos.

Beber vinho é fácil. Comprar, nem tanto. Já entender de vinho é difícil para caramba. Muita gente percebe isso e estuda para se aprofundar no assunto.

Se você se encaixa nesse grupo, recomendo fortemente que faça um desses cursos.

Para mim, pelo menos, funcionou super bem. Fiz um curso de um ano e meio, com aulas dissertativas, prova e tudo.

Aprendi muito sobre a produção e a apreciação de vinhos. Isso me deu uma espinha dorsal para conhecimentos que antes eu adquiria de modo caótico.

Só que me formei sem nunca ter visitado uma vinícola na vida. Quer dizer, já tinha feito visitas rápidas, como turista, mas isso não conta.

Eu nunca tinha visto um cacho de cabernet sauvignon, muito menos experimentado a uva.

Não tinha posto o olho em um tanque de fermentação. Nem chegado perto de uma prensa.

Falha que eu sanei em seguida, visitando vinícolas da Serra Gaúcha um mês depois da minha formatura, de Portugal na sequência e de outros tantos destinos ao longo dos anos.

Ver na prática aquilo que aprendemos na sala de aula ajuda muito. Por isso fiquei feliz ao saber do curso da ABS do Rio Grande do Sul, que tem início nesta sexta-feira (25/05). 

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🍷🥂👉 Uma profissão que é puro prazer. O Sommelier é o profissional especializado em bebidas, especialmente vinhos, e a sua correta harmonização com o alimento. Pois quem quiser trabalhar com isso ou fazer do conhecimento um requisito para ter mais prazer ao beber e comer, a Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS) está abrindo uma nova turma do seu concorrido Curso Profissional de Sommelier. Ao todo, serão sete módulos (112 horas), sendo que o primeiro ocorre entre os dias 25 e 27 de maio. A programação segue até dezembro, sempre com três aulas por mês (sextas, sábados e domingos), todas realizadas em vinícolas da Serra Gaúcha e no SPA do Vinho, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves. Mais informações no link http://bit.ly/cursovinhoABSRS

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As aulas serão dadas na Serra Gaúcha, dentro das vinícolas. Sempre nos finais-de-semana, já que muitos dos alunos vêm de fora, de todas as partes do Brasil.

Serão sete módulos, ao longo de 7 meses, um fim de semana por mês, cada um deles em uma vinícola diferente.

O grupo irá passar pelas vinícolas Aurora, Miolo, Salton, Casa Valduga, Don Guerino, Casa Perini e Domno.

E um dado no hotel de luxo Spa do Vinho, que fica cercado de vinhedos. O programa começa sempre na sexta, às 16h, com visita à vinícola, acompanhada de técnicos e enólogos. Só isso já é uma aula.

Então, quando o professor Arthur Azevedo, que dará as aulas do terceiro módulo, por exemplo, falar sobre maceração, o aluno já terá visto alguns tanques onde acontece esse processo, que consiste na manutenção do mosto (suco) em contato com as cascas da uva para que o vinho tinto ganhe cor e estrutura (taninos).

Além disso, como as aulas serão dadas dentro das vinícolas, os alunos estarão circulando o tempo todo por suas dependências, podendo fazer perguntas, esclarecer dúvidas.

Vinícola Robert Sinskey em Napa Valley

 (Vinícola Robert Sinskey/Divulgação)

O curso é intensivo, por isso, tem menos horas de aula do que o curso completo da ABS-SP, por exemplo.

E o preço, R$ 5.500, também é menor que a soma dos três módulos, em que o curso dado em São Paulo se divide. O pagamento pode ser em 10 vezes no cartão. Os custos de hospedagem, refeições e transporte ficam por conta do aluno.

Deseja entrar, mas o curso já começou? Pode começar do segundo módulo e depois repor a primeira aula. Mas há uma próxima turma que abre em outubro.

Nas visitas às vinícolas, os alunos também passam pelas lojas e recebem sugestões de compras. Sim, quem estuda tem desconto.

 

Leveduras trazem complexidade para espumantes

Sur Lie da Casa Valduga Sur Lie da Casa Valduga

Sur Lie da Casa Valduga (Casa Valduga/Divulgação)

Como o momento é de aprendizado vou sugerir vinhos para além do gosto, que tragam alguma lição.

Na elaboração dos espumantes, as borras ou lias têm um papel fundamental. Elas nada mais são do que os restos mortais das leveduras pós-fermentação.

Mantê-las em contato com o vinho é uma prática comum na elaboração dos brancos e, principalmente, dos espumantes.

Elas passam uma série de aromas para o vinho, como frutas secas ou brioche. Quanto mais longo o contato, mais complexidade aromática terá o vinho.

Em geral, depois de um tempo, essas leveduras serão descartadas.

Isso, porém, não acontece com o Sur Lie, da Casa Valduga, um corte de chardonnay e pinot noir, feito pelo método tradicional.

Os restos das leveduras permanecem na garrafa que chega à mão do consumidor e seguem conferindo cada vez mais complexidade ao espumante.

Aproveite para provar a levedura que fica no fundo da garrafa.

No futuro, isso pode ajudar a reconhecer aromas de panificação.

No site da Casa Valduga, a garrafa custa R$ 75.

 

Nem só de cabernet e merlot se fazem os tintos brasileiros

Teroldego Reserva da vinícola Don Guerrino Teroldego Reserva da vinícola Don Guerrino

Teroldego Reserva da vinícola Don Guerrino (Don Guerrino/Divulgação)

Estamos acostumados a encontrar tintos nacionais produzidos a partir de cabernet sauvignon ou merlot.

Isso acontece, porque nos anos 90, quando muitos dos vinhedos de uvas de mesa da Serra Gaúcha foram arrancados para plantar uvas viníferas, a moda era copiar a França.

Na verdade, o Brasil estava copiando outros países do Novo Mundo, como Chile, Estados Unidos e Austrália, que, por sua vez, copiavam Bordeaux, na França.

Cabernet sauvignon e merlot são as uvas de Bordeaux. São também uvas resistentes, de fácil adaptação.

Antes disso, contudo, já havia alguma viticultura de uvas finas no país. Como os produtores da Serra Gaúcha descendem de italianos, castas como as tintas teroldego e ancellota ou a branca trebbiano eram plantadas aqui e ali.

Alguns produtores mantém essa tradição. Achar vinhos dessas castas fora do Rio Grande do Sul, no entanto, não é fácil.

Experimente o Teroldego Reserva da vinícola Don Guerrino, em Alto Feliz, onde irá acontecer o quarto módulo do curso.

Um vinho com muita fruta escura madura no nariz, tem passagem de seis meses por madeira.

Custa R$ 75 no site da Don Guerino.

 

As virtudes dos novos terroirs 

Vinho Tinto Salton Septimum Vinho Tinto Salton Septimum 2012

Vinho Tinto Salton Septimum 2012 (Salton/Divulgação)

A Serra Gaúcha é a região produtora mais tradicional do Brasil.

Seus vinhos são conhecidos pela qualidade desde meados do século XX.

Mas não é a única. Hoje se produz vinho bom por todo o país. Uma das regiões que têm apresentado maior sucesso é a Campanha Gaúcha, onde não havia uma vitivinicultura tradicional expressiva.

Nos anos 70, a americana Vinícola Almadén (marca que hoje pertence à Miolo) comprou terras em Santana do Livramento, fronteira com Uruguai, e investiu no plantio de vinhedos.

Aos poucos, foram chegando outras grandes empresas, como a Vinícola Salton, e novos vinhedos foram sendo plantados.

No início dos anos 2000, com o aparecimento de pequenos produtores na região, as virtudes dos terroirs começaram a aparecer.

O Salton Septimum não só é um belo exemplo desse terroir, que rende vinhos potentes e estruturados, como também traz um corte bem pouco comum: Tannat, Ancelota, Merlot, Cabernet Franc, Teroldego, Cabernet Sauvignon e Marselan.

É um vinho de guarda. Quanto mais velha a safra que você encontrar, melhor.

Custa R$ 185 no site da Salton.

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