5 motivos para o copo americano ser o melhor para beber cerveja

Um verdadeiro ícone do design brasileiro, o copo que todo mundo já usou uma vez na vida completa 70 anos mais valorizado que nunca

(Nadir Figueiredo/arquivo Abril)

Se você nasceu e cresceu no Brasil, com certeza lida com ele desde quando se entende por gente.

Esse copo se tornou tão comum que chega a passar batido, mas a verdade é que ele faz parte do patrimônio cultural botequeira do país.

Multiuso, se tornou uma grife, ganhou novos tamanhos e cores, mas manteve o desenho original de 1947 de Nadir Figueiredo.

Ele é tão vital nas cozinhas e restaurantes do país, que seu volume se tornou referência em receitas — um copo de alguma coisa (de leite, de água etc.) equivale a 190 ml, a medida do copo americano padrão.

Em 2009, o Guia dos Curiosos definiu o copo como o melhor para tomar cerveja.

A pesquisa pode não ter tido uma metodologia muito sofisticada, mas basta uma ronda pelos bares do país afora para entender que, mesmo com a onda de bebidas gourmets e copos específicos para cada tipo de cerveja, o americano ainda é preferência nacional para aquela gelada.

 

Tem o tamanho ideal

(Nadir Figueiredo)

O copo americano padrão tem 190 ml, tamanho perfeito para tomar uma cerveja.

Normalmente, garrafas de bar tem 600 ml, volume que consegue encher o copo pelo menos três vezes e ainda sobrar um chorinho.

Vamos combinar que três copos é um número razoável para dar uma desbaratinada, mas não o suficiente para deixá-lo bêbado. Ou seja, é na medida

Agora, no caso de um litrão, o volume do copo americano é ainda melhor: pode encher cerca de seis copos (já que ele não vai ser cheio até a boca), ótimo número para dividir em dois.

 

Design com referência

Luminária em estilo art decó: chanfrado similar ao do copo americano (Divulgação/Reprodução)

Criado em 1947, o desenho do copo nunca foi modificado.

Sua linhas podem fazem alusão a art decó, movimento artístico que nasceu nos anos 1920, mas que ganhou o mundo na década seguinte principalmente na arquitetura e design industrial.

Suas principais características são suas linhas circulares e retas estilizadas, detalhes que podem ser vistos nos ranhos do copo que formam gomos na lateral.

Apesar da criadora do copo afirmar que o estilo chanfrado foi feito para garantir maior resistência, é difícil não relacionar o desenho do americano ao estilo que estava em voga no anos de sua criação.

 

É democrático

(Arquivo Nadir Figueiredo/Reprodução)

Para os mais novos, o copo americano é sinônimo de barzinho de porta de faculdade, truco e litrão.

Para os mais velhos, o americano é a vasilha ideal para a média, tão necessária pela manhã como o sono a noite.

Já em Minas, o lagoinha — por lá o único americano é aquele nascido nos Estados Unidos — é o copo para tomar uma cachaça tirada direto do alambique, seja para abrir o apetite, começar os trabalhos ou para relaxar após um dia de trabalho.

 

Dominou o mundo

(Romulo Fialdini/Divulgação)

Nadir Figueiredo conta que em 2009, enquanto visitava uma feira de utilidades domésticas na Alemanha, foi surpreendida por um pedido inusitado feito pelos representantes do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA): um lote de copos americanos.

A justificativa dada pelo grupo foi que o produto é um ícone da cultura brasileira, sendo exposto no museu em 2009. Também começou a ser vendido na Muji, loja japonesa de produtos conceituais e de design

Por ano, são vendidos 100 milhões de copos americanos, quase todos para o mercado brasileiro.

Porém, ele pode ser encontrado em todos os continentes do planeta.

 

Pioneiro

Inteiramente nacional, o nome ‘americano’ faz alusão às máquinas importadas dos Estados Unidos, que produziam as primeiras unidades — um grande avanço na época, quando os copos ainda eram manufaturados.

No início, o processo de fabricação rendia aproximadamente mil copos a cada turno de 8 horas, o que para o período era considerado um avanço tecnológico.

Hoje, com máquinas brasileiras, são feitos 440 copos por minuto.