Mooca: o roteiro do novo bairro da moda de São Paulo

O tradicional bairro paulistano passa por uma renovação e é o novo centro das atenções da cidade

BTNK Mooca

(Mariana Pekin/VIP)

Das ruas acinzentadas por causa das antigas fábricas desativadas e das vilas operárias abandonadas para muros grafitados e um quente burburinho entre bares, estúdio de tatuagem, galeria de arte e restaurantes descolados.

Quatro empresários moqueenses tiveram a ideia de transformar uma área da Mooca (o entorno da estação de trem e da rua Borges de Figueiredo) em um lugar inspirado em Wynwood, distrito industrial de Miami, em Kreuzberg, de Berlim, e em Meatpacking, de Nova York.

Para se diferenciar do restante do bairro, essa pequena região revitalizada foi batizada de Distrito Mooca.

E qualquer semelhança com o Beco do Batman, na Vila Madalena, não é coincidência. É nesse pequeno círculo que a Mooca está despontando na cena cultural da cidade.

 

MOOCA POWER

O projeto de revitalização foi encabeçado por José Américo Crippa Filho, mais conhecido como Tatá. Dono da Cadillac Burger, lanchonete local com ares dos diners americanos da década de 50 e precursor da cultura lowrider no país — já customizou carros do Mano Brown, dos Racionais MCs —, Tatá teve a ideia de investir no bairro em que cresceu depois de procurar um imóvel para a segunda unidade da hamburgueria.

Após percorrer locais como Jardins e Pinheiros, desistiu por causa do valor inflacionado dos aluguéis. A filial do Cadillac Burger no Distrito Mocca inaugura no início de 2017.

Cadillac Burger Mooca

(Mariana Pekin/VIP)

Empreendedor nato, Tatá instalou há pouco tempo o Bar-Container, um anexo na área externa da hamburgueria filial. Lá, destacam-se drinques exclusivos como o toni café (tequila, água tônica e suco de laranja-bahia; R$ 32) e a tábua de charcuteria (queijos e embutidos artesanais; R$ 32).

 

EPICENTRO RESTAURADO

Em um futuro breve e em parceria com a subprefeitura da Mooca, a região vai ser transformada em um polo de economia criativa. “Mais que bares e restaurantes, o Distrito terá galerias de arte, lojas de discos e de antiguidades”, afirma Tatá.

Nos próximos meses, o empresário lowrider vai reformar um imóvel que estava desocupado e criar apartamentos para alugá-los pelo Airbnb.

Empresários Mooca

Os empresários Mozart Fernandes (à esq.), felipe Zanuto, Monica Fernades e Tatá (Mariana Pekin/VIP)

O grupo de empresários quer que mais turistas de fora da cidade circulem por ali e conheçam, além da nova face do bairro, outros pontos históricos, como o estádio do Juventus, os passeios de maria-fumaça e o Museu da Imigração do Estado de São Paulo.

Ali também está registrada uma associação das empresas do projeto Distrito, que vai organizar as futuras instalações.

 

O QUE É IMPERDÍVEL

Símbolo da nova Mooca, o Cateto, bar rústico e intimista, tem ótima carta de cervejas especiais e comida à base de embutidos e queijos artesanais. Com referência aos antigos armazéns, o bar tornou-se um case de sucesso, a ponto de ganhar uma filial em Pinheiros.

Cateto Mooca

(Cateto/Divulgação)

Na cruzada da revitalização, o BTNK (pronuncia-se “beatink”) e o Disjuntor são os pioneiros. O primeiro, instalado numa estação de trem no início do século 20, reúne um vagão-restaurante e um bar de coquetéis clássicos, que também é palco para performances artísticas e shows de jazz.

BTNK Mooca

(Mariana Pekin/VIP)

Em uma investida de agitação cultural, o Disjuntor é um clubinho de escritores, cineastas, músicos e outras “cabeças pensantes”, como definem os criadores Monica Rodrigues Fernandes (cenógrafa e artista visual) e Mozart Fernandes (artista plástico).

Num galpão de mais de 200 metros quadrados, há estrutura para exposições e shows, além do pequeno balcão com drinques, uma loja com publicações de editoras independentes, objetos de design, gravuras e LPs, entre outros itens.

 

INFLUÊNCIAS DO PASSADO

O chef Fellipe Zanuto, 30 anos, decidiu, há pouco mais de dois, que não queria herdar um delivery de pizza popular da região, mas sim preparar redondas individuais de estilo napolitano.

Ele é o responsável pelo êxito d’A Pizza da Mooca, um diminuto salão de serviço atencioso, com coquetéis autorais e quitutes clássicos italianos, como suplì (um bolinho gigante de arroz) e cannoli.

Pizza da Mooca

(Mariana Pekin/VIP)

O envolvimento do restauranteur com o bairro só cresce. Na última semana de novembro, ele inaugurou o Hospedaria, um restaurante baseado em receitas de imigrantes (majoritariamente italianos) do início do século passado. “Pesquisei diversos cadernos de receitas do Museu da Imigração, as matérias-primas e as técnicas usadas antigamente, e conversei com muitos imigrantes e descendentes para garimpar os pratos”, revela Zanuto.

 

RETRATO DO DISTRITO

Inaugurada em 1935, a confeitaria Di Cunto ficou famosa por produzir panetones o ano todo e por ter um dos melhores cannolo da cidade – concorrente do seu Antônio, que vende a iguaria há mais de 50 anos na porta do estádio do Juventus.

Cannolis da confeitaria Di Cunto (Di Cunto/Instagram)

O estabelecimento é tocado pelo herdeiro Gabriel Di Cunto, mas foi o primo Marco, responsável pelo marketing da empresa, que insistiu para que a família apostasse no Distrito Mooca.

A doceria se tornou uma espécie de madrinha do projeto, pois muitos galpões dali pertencem a ela. Passado e presente na missão. Que belo, meu!

 

Para onde ir

Cadillac Burguer 
Rua Juventus, 296

Cateto
Rua Fernando Falcão, 810

BTNK
Rua Visconde de Parnaíba, 1253

Disjuntor
Rua da Mooca,1747

A Pizza da Mooca
Rua Guaimbé, 439

Hospedaria
Rua Borges Figueiredo, 82

Di Cunto
R. Borges Figueiredo, 61