Após período em baixa, o vermute retoma sua popularidade

Antes tido como antiquado, o vermute agora cai nas graças dos apreciadores de drinques e, no Brasil, ganha rótulos refinados.

vermute

 (Divulgação/Reprodução)

O vermute tem muito a agradecer aos fãs de negroni, dry martini e manhattan, alguns dos drinques clássicos que voltaram à moda – sem ele, o preparo de todos é impossível.

Na Europa, precisamente na Itália, onde surgiu a bebida à base de vinho três séculos atrás, virou a bola da vez.

Uma ótima notícia para quem até outra hora era chamada de bebida de velho e volta e meia era associada a botecos empoeirados.

A conhecida vinícola Rey Fernando de Castilla ilustra essa mudança. Em atividade na região de Jerez, no sul da Espanha, desde 1837, ela interrompeu sua produção de vermutes na década de 60. E passou a concentrar todos os esforços em seus famosos vinhos de Jerez, brandies e vinagres.

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“Lá atrás o vermute saiu de moda, agora é tido como uma novidade imperdível”, diz Jan Pettersen, o norueguês que adquiriu a vinícola em 1999 e a tem renovado desde então.

Em 2016, ela lançou um vermute que tem como base os vinhos da marca acrescidos de 27 botânicos como casca de laranja, cravo, limão e absinto.

Desde o mês passado, a novidade é vendida no Brasil pela importadora Casa Flora, a aproximadamente R$ 130.

Em janeiro, a marca italiana Martini, fabricante de alguns dos vermutes mais populares do mundo, ao lado da concorrente Cinzano, passou a comercializar por aqui sua linha premium.

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Batizada de Riserva Speciale, ela é composta por um representante tinto e um branco, Rubino e Ambrato. São versões produzidas a partir de vinhos da região de Piemonte e marcadas pelo sabor de botânicos como a artemísia.

As garrafas custam R$ 149,90 cada uma e podem ser encontradas, por exemplo, no Eataly, em São Paulo.

Os novos vermutes diferem dos mais em conta, encontrados por cerca de R$ 30, por uma vantagem e tanto: dá para consumi-los puros e sem amarrar a cara.

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Mais suaves e equilibrados, vão bem com uma pedra de gelo, como reza a tradição de países como Espanha e Itália, só gelados ou com uma dose de água tônica. Mas também são ótimos aliados da coquetelaria.

Prove um negroni ou um rabo de galo preparado com uma dessas novidades para sentir a diferença (do segmento premium também fazem parte as marcas Carpano Punt e Mes, Noilly Prat e Cinzano 1757, que saem entre R$ 100 e R$ 160).

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 (Pixabay/Reprodução)

O renascimento do vermute

Há quem ponha o feito na conta dos irmãos Albert e Ferran Adrià.

O primeiro foi chef confeiteiro do mítico restaurante do segundo, o El Bulli, fechado em 2011. Juntos, eles criaram um império gastronômico composto por seis empreendimentos num mesmo bairro em Barcelona.

el bulli

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Um deles, a Bodega 1900, inaugurado há cinco anos, é uma vermuteria cuja cozinha expede pratos criados para harmonizar com a bebida amarga.

Não se sabe de nenhum bar do tipo em vias de sair do papel no Brasil. Mas fica aqui nosso incentivo.

A procura por vermutes acima da média motiva alguns bartenders a criar suas próprias receitas.

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Jaqueline Dias, uma das responsáveis pelo balcão do bar Trabuca, no bairro paulistano do Itaim, prepara o dela com sauvignon blanc, Jerez, conhaque infusionado com casca de laranja, absinto, flor de lúpulo, raiz de alcaçuz, pimenta rosa, cravo, canela e semente de coentro.

trabuca bar

 (Trabuca Bar/Divulgação)

A mistura é usada no preparo de drinques autorais, como o kissu punch, que leva ainda saquê Jun Daiti, xarope 1883, ameixa japonesa, purê de framboesa, sálvia e suco de abacaxi.

Quando comandava o Paris Bar, na Praia do Flamengo, no Rio, hoje batizado como Julieta Bar, Alex Mesquita fazia o próprio vermute com vinho branco, vodca, manjericão desidratado, anis estrelado, pau de canela, açúcar, casca de laranja, orégano, coentro, damasco, cardamomo, louro, gengibre, fava de baunilha e, ufa, semente de pimenta-do-reino.

Atualmente embaixador da cachaça Leblon, ele finalizou há pouco uma versão que também leva o destilado de cana. “Um bom vermute com uma grande pedra de gelo é a pedida ideal para limpar o paladar e abrir os trabalhos”, recomenda.

alex mesquita

 (Tomas Rangel/Reprodução)

Novidades nas prateleiras

 

Riserva Speciale

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Com as versões Rubino (tinto) e Ambrato (branco), os vermutes são produzidos com vinhos de Piemonte, na Itália.

martini.com | 750 ml | R$ 149,90

 

Vermut Fernando de Castilla

vermute

 (Divulgação/Reprodução)

É feito a partir de dois vinhos de Jerez e mais 27 botânicos. Tem 17% de teor alcoólico e leve dulçor ­– sem mesmo levar açúcar.

casaflora.com.br | 750 ml | R$ 130

 

Os clássicos da vermutaria

 

Rabo de Galo

vermute

 (Divulgação/Reprodução)

Ingredientes

■ 60 ml de cachaça branca

■ 30 ml de vermute tinto

■ 10 ml de Cynar

Preparo: em um mixing glass com gelo, acrescente as bebidas seguindo a ordem acima. Mexa com uma colher bailarina até gelar o drinque. Coe e sirva em copo baixo com duas pedras de gelo e um twist de limão.

 

Vieux carré

vermute

 (Divulgação/Reprodução)

Ingredientes

■ 130 ml de vermute tinto

■ 30 ml de conhaque

■ 30 ml de rye

■ 2 dashes de Angostura

■ 2 dashes de Peychaud’s Bitter

Preparo: em um mixing glass com cubos de gelo, adicione todos os ingredientes e mexa com uma colher bailarina até o drinque resfriar. Coe para copo baixo com um cubo de gelo. Finalize com um twist de limão-siciliano.

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