Carnaval e vinho combinam: ideias para beber sem frescura

Nossa colunista já foi condenada a passar o Carnaval sóbria por não ter um vinho à mão. Com estas dicas, você não vai precisar passar por este trauma

 (Pixabay/Reprodução)

Quem gosta de vinho sofre no Carnaval. Não que a bebida não combine com a zorra que é esta festa. Claro que combina. Tem vinho para todo tipo de ocasião.

Seria lindo se do isopor do  ambulante saísse um monte de espumantes geladinhos!  Nada como um vinho borbulhante para deixar o povo animadão! Pelo menos, nada que seja legal. Só que não rola.

Ou melhor, raramente rola. Neste sábado (10), em Niterói, no Rio de Janeiro, sai um bloco criado especialmente para os bebedores de vinho: o Rosado e Gostoso. O tema são os vinhos rosés e tem até samba enredo, que fala mais de política do que de vinho.

Bom, a ideia é beber e não ficar de papo sobre vinho. A concentração é na frente da loja da importadora Grand Cru (rua Castilho França, 36, Icaraí). A loja está vendendo kits. O que traz a camiseta do bloco, uma taça de acrílico e uma garrafa de vinho custa R$ 100.

Há uns anos, o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) patrocinou a Vai-Vai em São Paulo. E, na quadra da escola, no sambódromo e no show do Zeca Pagodinho no Anhembi, o povo encontrou vinho para comprar a torto e a direito. Estive nos três pontos. Foi lindo ver o povo se fartando de vinho.

Mas são outros carnavais.

No isopor da esquina por onde passa a maioria dos blocos não tem e nunca teve espumante. Tem, sim,  cerveja vagabunda, vodca ice e vinho químico (essência artificial de uva, corante nada natural e álcool adicionado: um veneno).

Como não gosto de nenhuma das bebidas acima, já fui muitas vezes condenada a passar o Carnaval sóbria. E, vamos combinar, ninguém merece!

Outras vezes, dei sorte. Encontrei um tiozinho fazendo caipirinha com um gelo suspeito e uma cachaça duvidosa. Sorte bem relativa.

Numa dessas vezes, uma caipirinha foi o suficiente para eu partir para uma realidade alternativa e no dia seguinte não me lembrar de nada.

Muito provavelmente tomei metanol, um álcool venenoso, comum em cachaças clandestinas, que dá esse tipo de apagão e pode até matar. Então, não recomendo.

Este ano, pretendo passar o Carnaval longe da farra, bebendo meu vinho em taça de cristal. Mas cada um é cada um. Você tem todo direito de querer cair na folia e tomar vinho.  Bacco, aliás, é o espírito que rege as duas coisas.

Só lembre, no entanto, que os rituais modernos que cercam o vinho  não harmonizam em nada com esse espírito pagão.

Se estiver num camarote ou num clube, sendo paparicado por garçons, você pode se apegar aos rituais, rodar sua taça, sentir aromas de frutas vermelhas e toques minerais. Se quiser, e tiver dinheiro para tanto, pode até beber uma Dom Perignon em taças de cristal.

Mas, em geral, a situação é um pouco mais bagunçada. Não tem garçon, não tem taça, não tem balde e não tem gelo. Então, como fazer? Regra número um: carnaval pede  vinho com muito frescor e pouca frescura.

 

Para a concentração: vinho fácil e fresco

A situação mais tranquila é a concentração, quando você encontra seus amigos para um esquenta. Leia-se: para beber e já sair feliz para o bloco.

A concentração pode ser num bar, na casa de alguém, numa praça pública ou em um espaço fechado pela organização do bloco. Nesse último caso, existe boa chance de você não poder levar bebida de fora.

No bar, é fácil. Praticamente todo boteco tem um espumante na carta.

Mesmo em casa, não complique demais, senão atrapalha a farra. Mas, se estiver na rua, lembre-se que você e seus amigos já são os esquisitos que estão tomando vinho. Não vão inventar de levar taça de vidro, champanheira.

Se há um ritual do qual não se pode abrir mão em situação alguma, no entanto, é servir o vinho numa temperatura adequada. Você definitivamente vai precisar de algo que sirva de balde de gelo.

Fácil, é a primeira parada! Dá para chegar lá com um saquinho de gelo trazido de casa. Em vez de um balde, sugiro usar uma bolsa de gelo.

Feitas de PVC, na maioria das vezes plástico transparente, essas bolsas estão à venda na maioria dos empórios de vinho. Nesses empórios, você encontra também taças de acrílico.

Depois de usar, é só jogar o gelo na rua, dobrar a bolsa e enfiar na mochila. Dá até para amarrar a taça no pescoço. Se perder, não é grande prejuízo.

Como o serviço tem de ser simples, o vinho não deve ser muito caro. Escolha um rótulo de preço médio, fresco  e fácil de beber. Eu daria preferência aos espumantes e aos brancos não barricados.

Leve na boca, no bolso e nos ombros, a garrafa de 660ml do Saint Germain Brut é muito fresco, cítrico.

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Um corte de trebbiano, moscato e riesling itálico, é bom espumante de entrada. E, o melhor, você o encontra em supermercados como Extra, Carrefour, Pão de Açúcar, a partir de R$ 19. Nesta altura do campeonato, já não dá mais tempo de comprar por internet.

O cava Don Róman Rose Brut está muito gostoso, com ótima acidez, cheio de aromas de frutas frescas, vermelhas. Importado pela Casa Flora, tem preço sugerido de R$ 53.

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Acho que vale mais. A maioria dos espumantes feitos pelo método clássico, o mesmo dos champanhes, custa mais. Esse espanhol é feito 100% da uva trepat. É vendido nos supermercados St Marché e Sonda, entre outros.

Entre os brancos, uma escolha certeira são os sauvignon blanc do Chile. São azedinhos, têm aromas cítricos, uma erva aromática de fundo. E, na maioria das vezes, não custam caro.

Gosto muito do Casa Rivas, que está por R$60,26 (750ml), na Premium Wines. No site, tem os telefones dos distribuidores dos vários estados que podem ajudá-lo a encontrar um empório perto de você que tenha esse vinho.

 (Reprodução/Divulgação)

Um detalhe, muito importante em um vinho para viagem, tem tampa de rosca. Você não precisa se preocupar com saca-rolha.

Se faz questão de tinto, vá de pinot noir. Chileno também, que é bem mais barato do que o europeu. Um ótimo que você encontra em supermercados é o Bicicleta da Cono Sur.

Sem passagem por madeira, o vinho é fresco e frutado, com taninos elegantes que aguentam tanto uma certa variação na temperatura sem incomodar (taninos muito pesados ficam intragáveis se quentes e amargos, se gelados).

Importado pela La Pastina,  custa cerca de R$ 48 nos supermercados. A tampa também é de rosca.

 (Reprodução/Divulgação)

 

Para a galera: garrafa pequena

Quando o bloco sair andando, você precisará estar carregando o mínimo de peso o possível. Então, uma boa ideia é já levar para o esquenta as minigarrafas de 187 ml, o equivalente a uma taça bem-servida.

O bloco andou, se faz uma divisão do que sobrou entre a galera e cada um cuida do seu.

Nesse tamanho, o Club des Sommeliers do supermercado Pão de Açúcar tem um espumante brut por R$ 13,38. Feito pelo método charmat, é simples e gostoso. Fácil e fresco.

Se não tiver taça, pode beber até no gargalo. Mas, lembre-se, se pular muito com essa garrafinha na mochila, o vinho vai espumar para caramba na hora que abrir e você ainda corre o risco de a rolha explodir antes, dentro de sua bolsa.

Outra boa opção de garrafinha é o Pionero Sauving Blanc, da Viña Morandé, produzido em Casablanca, o terroir que tem se mostrado o melhor para a sauvignon blanc no Chile.

Grand Cru (Wellington Nemeth/Divulgação)

O vinho branco aguenta uma temperatura um pouco mais alta do que a do espumante. Mas, se não estiver levando uma sacola térmica, não carregue mais que uma garrafinha por pessoa.

E o ideal é que ela saia de casa ou da concentração estupidamente gelada e não leve muito para ser consumida.

Se você pretende fazer uma parada para beber no meio do percurso, pode querer carregar algum tipo de recipiente térmico dentro de uma mochila.

O  mais simples deles é a bolsa de neoprene em formato de garrafa de vinho, que mantém a temperatura por um tempinho.

Há também os coolers térmicos, uma espécie de bolsa de gelo para vestir as garrafas. São leves e fáceis de encontrar em empórios especializados. Também costumam segurar um pouco mais o gelo.

No fim, vai esquentar um pouco. Mas, deixa para lá! Afinal, é Carnaval!