Conceito do “pegar e levar” faz restaurantes enxugarem preço e cardápio

Para ter serviços mais rápidos e pontuais, restaurantes reduzem cardápios, equipes e preços sem deixar de oferecer boas opções gastronômicas

Comida Hamburguer Lanche

 (Wellington Nemeth/Revista VIP)

Todos gostamos de ir a restaurantes, ser adulados pelos maîtres, garçons e até pelo chef. Às vezes, porém, queremos mesmo nos alimentar com qualidade e velocidade, e gastando menos.

Apostando em serviços mais pontuais e sem deixar bons produtos de lado, novos restaurantes inauguram uma era de autosserviços: você paga sua comida, pega no balcão e, com a desejada educação, dá fim ao seu lixo.

Chef há mais de 20 anos, com passagens em restaurantes como o Boa Bistrô e o Café Florinda, Tatiana Szeles quis descomplicar sua vida inaugurando o Marcha e Sai.

Transformou em negócio uma garagem no bairro de Higienópolis, em São Paulo.

Trabalha sozinha na cozinha e incentiva os clientes a pegar sua comida e tomar seu rumo. “Começo a cozinhar às 7h30 da manhã e sigo até fechar, às 16 horas. Faço tudo: saladas, sobremesas, sopas, pratos. Sou só eu correndo, suando, me queimando”, brinca Tatiana.

Além dela, há apenas uma pessoa no caixa e outra que limpa o espaço.

De terça a domingo no Marcha e Sai, Tatiana faz dois pratos diferentes por dia, um deles vegano ou vegetariano.

O preço é sempre R$ 28. Para ela, o autosserviço é menos economia do que uma redemocratização do alimento ao consumidor: “Gasto bastante com embalagens, todas biodegradáveis, pago impostos e contas, e uso ótimos ingredientes. O que muda mesmo é a mão de obra”.

 

Hora do Lanche

Marcha e Sai Tatiana Szeles, chef do Marcha e Sai

Tatiana Szeles, chef do Marcha e Sai (Olivetti/Revista VIP)

Clássicas fast-food, as lanchonetes ganharam roupagem nova com o autosserviço, mas com um diferencial.

“Nossos insumos são de altíssima qualidade, usamos carne Angus, pão artesanal e ingredientes de alto padrão para tudo. Se trabalhássemos em um modelo de serviço completo, nossos produtos seriam 30% mais caros”, explica o ator Bruno Gagliasso, um dos sócios da rede Burger Joint NY, presente em oito lojas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Ribeirão Preto.

Gagliasso conheceu a marca nos Estados Unidos. Quando soube que amigos trariam a franquia para o Brasil, não pensou duas vezes em entrar no negócio. “Sou sem frescuras.

Gosto de praticidade, aliada à qualidade.

Quando quero comer hambúrguer, priorizo o mais gostoso, em um ambiente descolado e democrático. A lanchonete é assim, o lugar onde todo mundo pode comer um hambúrguer de verdade com ótimo custo-benefício”, diz.

Nem só de hambúrgueres vive o universo dos lanches. No Matilda, a chef Renata Vanzetto oferece suas criações. “O restaurante surgiu exatamente pelo sucesso dos meus sandubinhas nos outros restaurantes, como o Crazy Crispy Chicken, do EMA, e o Bun Bah, do MeGusta.”

Bun Bah ⚡⚡⚡⚡ #MegustaBar

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Acostumada com uma diversidade enorme de público, ela nota que a tendência do autosserviço ainda está em gênese por aqui.

“É algo novo para os brasileiros. Tem gente que ainda torce o nariz, que não quer ficar em pé ou na fila e ter que jogar o lixo por conta própria. Acredito que seja algo a que as pessoas vão ter de se acostumar”, diz Renata.

“Continuo usando ótimos ingredientes e tendo praticamente os mesmos fornece-dores de restaurantes anteriores. O que muda mesmo é a mão de obra”

Tatiana Szeles, chef do Marcha e Sai

 

 

Tudo acaba em pizza

Vezpa Pizza

 (Divulgação/Fonte padrão)

Fundada em 2009 e pioneira em autosserviço, a Vezpa Pizzas tem hoje 25 unidades no Rio de Janeiro e prepara-se para desembarcar em São Paulo no segundo semestre.

“Já há algum tempo o Rio passou a oferecer esse tipo de serviço, porque os custos da cidade são muito altos. Alugar um espaço é muito difícil e caro, então os negócios começaram a mudar para uma proposta que dá mais certo pela lógica da cidade”, explica Cello Camolese, um dos sócios do grupo.

Na expansão paulistana, as duas primeiras lojas serão em Pinheiros e na região da Avenida Paulista, e outras oito deverão vir em 2019.

Nessa nova fase, a Vezpa deve reduzir a variedade de sabores fixos, mas ampliar a possibilidade do “faça você mesmo”, com o consumidor montando a própria pizza.

Aquele vai e volta pra dar água na boca! #vezpalovers

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“Faz parte do autosserviço ter maior liberdade e interação”, explica Camolese.

Outra em expansão é a Bráz Elettrica, filial descolada da Bráz Pizzaria, instalada em Pinheiros há um ano. Uma unidade foi inaugurada na Alameda Campinas e outras duas seriam abertas até o fim de junho.

O estilo moderno parece visar um público mais jovem. Mas Vinicius Abramides, diretor da Companhia Tradicional de Comércio — o grupo dono da Bráz —, aponta: “Não precisa ser jovem para querer gastar menos. Uma pessoa de 45 anos pode querer comer algo mais casual, sem serviço, de um jeito divertido”.

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