Conheça o Empire Rye, o uísque de Nova York que vai duelar com o Bourbon

O recém criado empire rye desafia o bom e velho bourbon do rye tradicional na cidade que nunca dorme

Whiskey

 (Reprodução/Fonte padrão)

Tem algumas guerras dos Estados Unidos que vale a pena incentivar.

A que envolve as destilarias de uísque do país é uma delas.

Inofensiva, coloca em trincheiras opostas os apreciadores da versão à base de centeio, o rye, e os devotos do maior símbolo da indústria etílica ianque, o bourbon.

Para não falar na secessão motivada pelos estados produtores, ávidos para diferenciar seus produtos e arregimentar mais consumidores.

Daí o surgimento de denominações informais que defendem a singularidade do bourbon do Kentucky, do uísque do Tennessee e do bourbon do Texas, entre outras.

Uísque

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Tudo isso para falar que a geopolítica etílica americana está ainda mais conflagrada: o rye de Nova York declarou independência.

O movimento é liderado por seis destilarias do estado americano, a New York Distilling Company, a Coppersea, a Tuthilltown Spirits, a Black Button, a Kings County e a Finger Lakes.

Na semana do dia 16 de outubro, que batizaram de New York Rye Week, marcada por uma série de eventos, elas anunciaram a criação de um novo estilo de uísque, o empire rye.

Para ser considerado como tal, pelo menos 75% dos grãos do destilado devem ser de centeio colhido no estado de Nova York e o envelhecimento deve durar por, no mínimo, dois anos em barris novos de carvalho americano.

Outras exigências: a destilação só pode ocorrer se a gradação alcoólica estiver a até 160 graus e a bebida deve ser despejada nos barris a no máximo 115 graus (a praxe do restante do mercado é 125 graus).

O resultado é um uísque mais suave que outros rye, cujo percentual mínimo de grãos de centeio exigido por lei é de 51% (o restante em geral é composto por milho).

“Esqueça a ardência e a textura forte da maioria dos uísques de centeio”, explica Jason Barrett, presidente da destilaria Black.

O levante começou a ser tramado três anos atrás, durante uma conferência do setor na cidade de Denver.

Numa noitada que não deve ter sido regada a Coca-Cola, os representantes da New York Distilling Company, da Coppersea, da Kings County e da Finger Lakes debateram o panorama do uísque em Nova York.

Whiskey

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Com cerca de 100 destilarias, o estado é um dos maiores produtores do país.

A boa posição no ranking nacional se deve, em boa dose, a uma lei de 2007.

Encabeçada por Ralph Erenzo, fundador da Tuthilltown Spirits, ela alivia os encargos e exigências das destilarias que dão preferência a grãos e frutas do estado.

“O estilo predominante de uísque em Nova York antes da proibição era o rye. Estamos retomando algo que já foi feito”

 

Derrubar a concorrência

Pelas contas do American Distilling Institute, o país soma mais de 1 400 destilarias.

Há uma década, eram cerca de 100.

Num momento em que existe a preocupação em saber a origem e a história dos produtos que chegam à mesa, apostar no centeio nova-iorquino parece boa estratégia.

A bem da verdade, o sonho parece ser o de ombrear com destilarias como a do Jack Daniel’s, que virou sucesso de vendas como sinônimo de uísque do Tennessee.

“Queremos fazer com que NY passe a ser lembrado por fazer os melhores uísques de centeio, da mesma forma que o Kentucky é conhecido pelos bourbons e a região de Speyside, na Escócia, pelos single malts”, admite Brian A. McKenzie, presidente da Finger Lakes.

As rígidas regras do empire rye não resultam em líquidos idênticos.

“Os produtores estão liberados para aumentar a quantidade de centeio, usar variedades distintas e alterar o tempo de envelhecimento”, explica Allen Katz, um dos fundadores da New York Distilling Company.

O empire rye batizado de Ragtime Rye leva uma variedade do grão do início do século 19.

“Graças a ela, conseguimos um vibrante aroma frutado com notas de abacaxi e até de manga, que nunca senti em rye algum”, gaba-se.

Whisky

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Por que usar centeio?

Para afrontar o bourbon, feito principalmente com milho e produzido em 48 dos 50 estados americanos.

“O estilo predominante de uísque em Nova York antes da Proibição era o rye”, conta o mandachuva da Black Button.

“Estamos retomando algo que já foi feito.”

Os uísques de centeio foram varridos pela Lei Seca dos anos 20 e acabaram perdendo terreno para os bourbons.

Até há pouco, um dos estados que ainda apostavam no rye era o Kentucky.

É de lá que vem um dos rótulos disponíveis no Brasil, o Wild Turkey Rye.

Como ele começou a ser importado em 2016, é de supor que o novo estilo demore a chegar.

“Adoraria ver o nosso McKenzie Rye nos bares do Brasil”, diz o presidente da Finger Lakes.

“Estive há pouco no país e constatei um enorme interesse por ele. Mas falta estabelecer um canal de distribuição.”

Há quem aposte que o empire rye da Tuthilltown seja o primeiro a vir.

Adquirida em abril passado pelo conglomerado escocês William Grant & Sons, dono dos uísques Glenfiddich e Balvenie, a destilaria pode se beneficiar de uma eventual estratégia da companhia.

Enquanto ele não chega, só comprando in loco: lá as garrafas custam a partir de US$ 30.

 

Os new yorkers mais desejados

Uísque

1.Ragtime
Este é uma extensão da linha de rye da destilaria, descansado em barris de 3 a 5 meses..

2.McKenzie
Este é uma extensão da linha de rye da destilaria, descansado em barris de 3 a 5 meses.

3.Hudson
100% de centeio, todos os grãos foram colhidos num raio de até 16 km da destilaria.

 

Os veteranos e os novatos

No que a nova variedade de uísque difere dos principais estilos americanos

 

bourbon

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Bourbon

Surgimento: Século 18

Receita: Pelo menos 51% dos grãos devem ser de milho. O uso de flavorizantes ou qualquer tipo de suavizante é proibido.

Maturação: Obrigatoriamente em barris novos de carvalho carbonizado por pelo menos dois anos.

Marcas mais conhecidas: Woodford Reserve, Jim Beam e Bulleit.

 

Rye Uísque

 (Divulgação/Reprodução)

Rye Uísque

Surgimento: Século 18

Receita: O percentual mínimo exigido de centeio é de 51%.

Maturação: Segue exatamente as mesmas exigências dos bourbons.

Marcas mais conhecidas: Wild Turkey, George Dickel e Knob Creek.

 

empire rye

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Empire rye

Surgimento: Outubro de 2017

Receita Pelo menos 75% dos grãos devem ser de centeio do estado de Nova York.

Maturação Também só pode ser feita em barris novos carbonizados de carvalho e durar no mínimo dois anos.

Marcas mais conhecidas: Os new yorkers mais desejados

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