Conheça o Kombucha, o “chá refrigerante” que faz bem à saúde

Saudável como a infusão e gostoso como a bebida gasosa, o fermentado tem ação probiótica e já vende 150 mil litros por mês no Brasil

kombucha

 (Joy of Kosher/Reprodução)

Mais saudável do que refrigerante e mais divertido do que chá gelado, o kombucha está na moda.

Nos Estados Unidos, esse chá fermentado de origem milenar chinesa é uma febre: 9 entre 10 hipsters o produzem e o mercado de kombucha pronto movimenta 1 bilhão de dólares por ano.

Por aqui, vem conquistando cada vez mais fãs.

A estimativa da Associação Brasileira de Kombucha (ABKom) é que sejam vendidos 150 mil litros da bebida por mês.

Ácidos e gasosos, os kombuchas costumam ser aromatizados com frutas, raízes, ervas, outros chás e especiarias.

O sabor varia muito – e alguns são bem gostosos. O grande atrativo, no entanto, está na plêiade de benefícios para a saúde atribuídos à bebida.

Dizem que estimula o sistema imunológico, auxilia a digestão, protege contra o câncer, a depressão e doenças cardiovasculares, previne infecções microbianas e emagrece, além de ajudar no controle do diabetes.

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 (University of Melbourne/Reprodução)

Segundo Leandro Barreto, médico-assistente do Hospital das Clínicas de São Paulo, pós-graduado em nutrologia, faltam pesquisas para provar tudo isso.

“O que não quer dizer que não existam benefícios de beber o kombucha”, diz .

“Significa apenas que não há evidências científicas que comprovem todos os benefícios. Mais pesquisas são necessárias, mas há razões para acreditar que ele tenha um efeito positivo na saúde humana.”

A principal razão é sua ação probiótica.

Quando tomamos uma garrafinha da bebida, ingerimos bactérias e leveduras amigas, que ajudam a recompor a nossa flora ou microbiota intestinal.

“Além de digerir e absorver os nutrientes, hoje sabe-se que o intestino é um órgão endócrino e imunológico onde hormônios são produzidos e nossas defesas, criadas”, diz o médico.

A microbiota entra em desequilíbrio por várias razões, a maior parte delas ligada ao nosso estilo de vida, como alimentação pobre em vegetais, consumo excessivo de industrializados, alcoolismo, tabagismo, ingestão de antibióticos, etc.

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 (Digital Trends/Reprodução)

O kombucha ajuda a repor micro-organismos bons, mas não faz milagres. Para manter a microbiota saudável, é preciso um estilo de vida saudável.

A recomendação é que crianças, grávidas, lactantes, alcoólatras e diabéticos evitem a bebida sem acompanhamento médico, porque ela tem grau alcoólico – geralmente mínimo, em 0,5%, mas que pode chegar a 5% dependendo da fermentação.

Ela também tem açúcar residual variável.

O kombucha, porém, costuma ser seguro.

“Tem pH abaixo de 3,5. A maioria dos micro-organismos responsáveis por contaminação alimentar, como a salmonella, não sobrevive em ambientes com pH abaixo de 4,5”, diz Fernando Carvalhaes, sócio da Companhia dos Fermentados e da Fermentare Escola de Fermentação, além de dar aulas sobre o tema também no Instituto Brasil a Gosto.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento abriu uma consulta pública em junho para estabelecer padrões de qualidade e produção da bebida no país.

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 (Hmm Kombucha/Reprodução)

“Em primeiro lugar, temos de firmar um entendimento do que é kombucha”, diz a baiana Gabriela Toribio, presidente da ABKom, entidade que já reúne 50 empresas, e produtora do Kombucha da Vila.

“No texto que convoca a chamada, por exemplo, eles definem kombucha como bebida alcoólica e, na maioria das vezes, não é. A taxa tributária de bebidas alcoólicas é muito mais alta.”

Os produtores estão preocupados também em garantir que se mantenha o caráter artesanal da bebida, que as grandes indústrias não entrem com kombucha fake (chá com acidulante, carbonatado e aromatizado artificialmente) no mercado.

A maioria deles, por sinal, é muito envolvida com a cultura do kombucha, que está diretamente ligada à produção caseira.

“Recomendo que as pessoas provem várias marcas, mas façam seu kombucha em casa”, afirma Gabriela.

“É quase uma terapia. Você vai se apaixonando. É um organismo vivo.”

 

Benesses

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 (Pxhere/Reprodução)

Dizem que o kombucha emagrece, estimula o sistema imunológico, ajuda a digestão, protege contra o câncer, a depressão, mas ainda faltam pesquisas para comprovar

Quem consome kombucha com regularidade costuma virar fã.

A maioria dos produtores comerciais, por sinal, começou como consumidor.

Os irmãos Cláudia e Thiago Cardoso, de Curitiba, por exemplo, decidiram investir na fabricação do kombucha BioZen depois de Cláudia ter se livrado de sérios problemas digestivos graças à bebida. “Ela começou a fazer em casa”, conta Thiago.

“Os amigos gostaram e ela passou a vender. Então, propus que montássemos a fábrica.” Isso foi em 2015. Hoje eles produzem 6 mil litros por mês.

 

Pioneirismo no Brasil

Dona do Vih! Kombucha Bar, em Pinheiros, São Paulo, o primeiro do estilo no Brasil, a consultora de negócios Angélica Moretti tinha dores no corpo relacionadas a restrições alimentares e começou a produzir kombucha em seu sítio para consumo próprio.

“Quando eu via, as garrafas tinham sumido da geladeira”, conta.

“Meus filhos adolescentes tinham tomado. Você pode beber algo saudável sem ter de tapar o nariz”, diz, frisando que seu bar não pretende atrair só o público interessado em saúde.

Tanto que, na happy hour, serve drinques alcoólicos à base de kombucha, como a mistura do kombucha naked (sem ser aromatizado) com a cachaça Busca Vida, que leva mel e limão (R$ 20).

 

Blend com cerveja

Sócio da Strappa Kombucha e da Armada Cervejaria, Rafael Strapazzon pretende lançar no mercado ainda este ano um blend de cerveja IPA e kombucha, em parceria com a Cervejaria Dádiva.

O nome: Kombuchipa. Ele já produz kombucha com lúpulo, a Strappa Hoppiness.

 

Prove um pronto

Frutados 

1. BioZen: limão-siciliano com abacaxi

2. Strappa Freshiness: abacaxi com hortelã

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Os verdes 

1. Vih!: hortelã

2Da Vila: mel de cacau e nibs

3. Companhia dos Fermentados: chá-verde com cúrcuma

 

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 (Montagem/VIP/Reprodução)

 

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