Liquidações deixam vinhos com preços próximos aos da Europa

Nessa época, as importadoras liquidam seus estoques. É o período que elas elegeram para desovar o que sobrou do ano anterior e renovar os seus estoques.

 (Pixabay/Reprodução)

Janeiro e fevereiro são meses de tirar a barriga da miséria, comprar um monte de vinho que não dá para comprar no resto do ano.

Mas o que é um preço ótimo? Quanto você acha razoável gastar com um vinho? Quarenta reais? Cento e cinquenta? Trezentos? Mil?

O que é caro para uma pessoa pode parecer barato para outra, e não só por diferenças de poder aquisitivo. Diferentes fatores influenciam na nossa percepção do preço.

Alguns são quase escravos do prestígio de certos rótulos e denominações. Acham que tudo bem gastar 500 reais para tomar um Brunello de Montalcino ou mil reais para abrir um Almaviva.

Mas não pagam 100 reais por um rótulo nacional nem que a vaca tussa ou que o crítico da revista inglesa Decanter diga que o vinho é ótimo.

Outros fogem de qualquer coisa que custe mais que 30 reais. Têm arrepios quando vêem alguém cheirando uma taça. E se seguram para não bater em quem comenta sobre as malditas frutas vermelhas.

A maioria das pessoas, no entanto, costuma gastar menos no vinho do dia-a-dia  e investir um pouco mais nas ocasiões especiais.

Qualquer que seja o seu perfil ou a sua necessidade do momento, agora é hora de fazer compras. Hora de comprar vinhos para o dia-a-dia e, especialmente, vinhos que são impraticáveis em outras épocas.

Porque vinho é caro demais no Brasil. Pelo menos umas três vezes mais caro do que na Europa. Então, nesta época do ano, quando tem vinho sendo oferecido com até 70% de desconto, ou seja, praticamente o preço europeu, é hora de aproveitar.

A seguir, uma lista de algumas importadoras que estão liquidando e sugestões de compras (todas sujeitas ao fim do estoque). E, em fevereiro, tem mais. A Mistral e a Vinci, que também têm coisas ótimas, também vão fazer suas promoções.


Adega Alentejana

Esta importadora nasceu especializada em rótulos de Portugal. Em especial, do Alentejo. Sempre de ótima qualidade e preço justo.

Hoje traz vinhos de várias partes do mundo. A liquidação, que vai até fevereiro, no entanto, se concentra nos portugueses.

Aqui, não vou sugerir nenhum rótulo de batalha, mesmo porque os descontos estão concentrados nos mais caros.

Você é do tipo que resite a investir em vinhos brancos? Então, aproveite a liquidação para experimentar um grande branco.

O Dolium Escolha Branco 2012, de Paulo Laureano, o enólogo mais famoso do Alentejo, feito a partir da uva Antão Vaz, é um bom exemplo do quanto os brancos podem ser complexos e estruturados.

 (Reprodução/Divulgação)

Com aromas cítricos e de frutas tropicais, com algumas notas de especiarias, apesar de toda a untuosidade, tem bastante frescor e elegância. De R$ 318 por R$ 139.

Portugal se destaca por seus vinhos de sobremesa. Além do vinho do Porto, tem vários outros fortificados maravilhosos.

Já experimentou um moscatel de Setúbal? O Moscatel Roxo Excellent , da vinícola Horácio Simões, recebeu 95 pontos do crítico americano Robert Parker.

 (Reprodução/Divulgação)

É super doce, mas é azedinho. Então, o açúcar não fica enjoativo. Tem aroma floral, de casca de laranja e de especiarias. Não precisa de sobremesa alguma para acompanhá-lo. Ele é a sobremesa. A garrafa de 500 ml sai de R$ 488 por R$ 210.


Decanter

Uma das maiores importadoras de vinhos do Brasil, a Decanter tem um portfólio bastante variado e de qualidade.

No Summer Sale 2018, que dura até 18 de fevereiro, você encontra descontos de até 60%. Há vinhos de todas as partes do mundo, com uma boa seleção de europeus (alemães,italianos, espanhóis e franceses).

O espanhol Lorca 2009, das Bodegas del Rosario, de R$ 109, sai por R$ 43. Apesar do bom preço, é mais do que um vinho do dia-a-dia.

 (Reprodução/Divulgação)

É produzido na Murcia, sudeste da Espanha, sob a denominação de origem Bullas, a partir da uva monastrell. Na França, essa uva (mouvèdre) faz vinhos de grande qualidade.  Na Espanha, ela está aparecendo sozinha agora, mas já mostra personalidade.

Tem vinho que a maioria das pessoas nunca conseguiria comprar se não fosse pelas liquidações. A maioria dos borgonhas  está nessa categoria. São maravilhosos, mas muito caros.

Os mais baratos são os  da apelação genérica Borgonha, aquela que permite que os produtores usem uvas de toda a região.

Acima deles, estão os que podem usar o nome de sub-regiões, depois os que podem usar o nome da comuna. Aí vem os premier cru e os grand cru. Mesmo o genérico é caro.

O Dames de Vergy 2014, produzido pelo Domaine Antonin Guyon, na sub-região de Hautes-Côtes de Nuits, como praticamente todo tinto da Borganha, é feito com 100% de uvas pinot noir e mostra muita elegância.

 (Reprodução/Divulgação)

De R$ 301 sai por R$ 180. Continua sendo caro, mas vale, nem que seja para dizer que você provou um bom borgonha.


Grand Cru

Importadora que nasceu na Argentina, mas cresceu muito no Brasil, a Grand Cru também tem vinhos de todas as partes do mundo na sua Grand Solde, que vai até o fim de janeiro. Os descontos vão até 55% e o frete é grátis, o que é vantagem às vezes maior do que o desconto.

Alguns vinhos, que já eram baratos para a sua qualidade, ficaram com preços muito atraentes. O La Melara 2017, um branco da vinícola Grifo, na Puglia, é um bom exemplo.

 (Reprodução/Divulgação)

Puglia, em geral, já é sinônimo de bom negócio. Este é um corte das uvas chardonnay com bombino bianco. A chardonnay se dá muito bem na Itália e a bombino acrescenta sutileza. De R$ 39 por R$ 23.

Todo carignan chileno, ou quase todo, é bom. A grande maioria deles são bem caros, ainda mais se levarem o selo Vigno (Vignadores de Carignan), a marca dos produtores que resgataram vinhas muito velhas do Vale do Maule.

O Morandé Vigno Carignan 2010, da Viña Morandé, é um dos melhores. Tem 91 pontos de Robert Parker. Pela lei chilena, para se intitular um carignan, um vinho tem de ter no mínimo 65% dessa uva francesa no seu corte. Este tem 69%.

O resto é uma mistura de syrah com chardonnay. De R$ 314 por R$ 157.


World Wine

 

O Bota Fora World Wine é realmente uma queima de estoques. Muitos vinhos entram em promoção. E eles acrescentam novos rótulos até o fim da liquidação, em 18 de fevereiro. Tem muito vinho pela metade do preço, tanto dos mais caros quanto dos mais baratos.

Entre os espanhóis, uma boa escolha é o  Setze Gallets 2012, da Celler del Roure, em Valência. Seu corte é bastante original: monastrell 30 % , garnacha Tintorera 30 %, merlot 25 %  e mandó 15 %. Essa última é uma uva autóctone bastante rara.

 (Reprodução/Divulgação)

O nome Setze Gallets significa 16 moedas, uma expressão local para dizer que algo vale muito mais do que custa. De R$ 85 por R$ 34.

O vintage costuma ser o mais caro entre os vinhos do Porto. Só é feito em anos em que a safra está muito especial. Dura décadas. Tomar um vintage novo é um desperdício.

Por isso tudo, o Casa Santa Eufemia Vintage 1999, vendido ao preço que está, é um grande achado. Ainda com aromas frutados e cor púrpura, aguenta muitas décadas pela frente na garrafa. Mas já está bom para beber.

 (Reprodução/Divulgação)

Lembre-se apenas de que vinho do Porto do estilo ruby, como é o caso dos vintages, não pode ser guardado depois de aberta a garrafa. Abra numa ocasião especial, cercado pela família ou pelos amigos. De R$ 443 por R$ 177.