Moscow Mule: o drinque que está fazendo a vodca bombar de novo

Assolada pelo sucesso do gim, a vodca tenta retomar uma fatia do mercado coqueteleiro

 (Gustavo Pitta/Revista VIP)

O estabelecimento comercial situado no número 50 da Rua Dias Ferreira, no bairro carioca do Leblon, tem sido alvo de furtos desde que abriu as portas, no final do ano passado. Já foram contabilizados mais de 100 casos, mas nenhum boletim de ocorrência foi registrado na polícia.

Chama atenção o fato de que são os próprios funcionários que entregam aos larápios o alvo de todos os furtos: reluzentes canecas de cobre martelado com alças estilosas.

Mas o que a brigada poderia fazer se bem nessas canecas é servido o moscow mule (R$ 31), talvez a principal razão do sucesso do negócio, o Garoa Bar Lounge?

Levados na esportiva, os furtos motivaram a criação da campanha no Instagram #VoltaCaneca, uma tentativa de o bar reaver as unidades surrupiadas. Irreverente, a casa também posta a quantidade de dias sem novos sumiços.

Instalado no Vogue Square, na Barra da Tijuca, o Vizinho Gastrobar enfrenta estatística parecida: mais de 50 canequinhas similares desapareceram do estabelecimento comandado pela bartender Jessica Sanchez.

Mas esse assalto coletivo é apenas papo de bar. O que importa aqui é a ascensão reincidente desse drinque, feito originalmente com vodca, limão-siciliano e ginger beer.

Criado ali pelos anos 40, nos Estados Unidos, ele ajudou a impulsionar o consumo do destilado tão associado à Rússia — é a mula de Moscou, numa tradução meio embriagada. Passados quase 80 anos, o coquetel volta a alavancar as vendas de vodca.

Trata-se de um movimento global, mas que tem feito a festa de quem comercializa o produto no Brasil. Isso porque, depois de crescer por duas décadas, as vendas de vodca estacionaram no país.

De acordo com a consultoria inglesa International Wine and Spirit Research (IWSR), o consumo da bebida por aqui subiu 0,5% entre 2015 e 2016. A quase estabilidade se deve, em grande parte, às marcas mais populares.

Já o segmento super premium, que agrega Grey Goose, Cîroc e Belvedere, despencou 22% no mesmo período e impactou até as vendas de energéticos, os tradicionais aliados da vodca em baladas e afins.

 (Gustavo Pitta/Revista VIP)

No meio tempo, e não à toa, o gim caiu nas graças dos brasileiros numa progressão impressionante. Pelas contas da IWSR, só no ano passado, o consumo do destilado marcado pelo zimbro aumentou mais de 42% por aqui.

É por isso que cada vez mais rótulos têm sido importados — os últimos a chegar foram os elogiados Martin Miller’s Gin, Plymouth e Monkey 47 — e brotaram diversas marcas nacionais, a exemplo da fluminense Amázzoni.

E se o boom do moscow mule atrapalhar a festa do gim?

Os responsáveis pelas vodcas super premium projetam um cenário positivo para o próximo ano.

“Impulsionado não só pelo sucesso do drinque, mas também pelo surgimento de novas casas noturnas e festas, onde os coquetéis com vodca costumam se sair melhor, o segmento deve crescer 10% até 2018”, sustenta Raphael Vidigal, product manager da Belvedere no Brasil.

Segura da volta dos bons tempos, a marca polonesa é uma das raras a apostar em dois novos rótulos: The Smogóry Forest e Lake Bart˛ez˙ek, com previsão de lançamento para o primeiro semestre do ano que vem.

Alheios à disputa dos destilados, os bartenders chacoalham suas coqueteleiras ao gosto da clientela. No badalado Trabuca, que ocupa um enorme casarão no Itaim, em São Paulo, o moscow mule virou o segundo drinque mais pedido.

A versão criada pelo bartender da casa, Leonardo Massoni, com espuma de gengibre e xarope de açúcar com casca de limão (R$ 37), ainda não ameaça o reinado do gim-tônica — a cada 16 unidades de G&T sai um moscow mule. Mas tudo indica que a diferença vá diminuir.

É o mesmo prognóstico que se fez no Bar., no bairro paulistano de Pinheiros. Todos os meses, a casa serve quase 200 unidades do drinque à base de vodca e ginger beer (R$ 35), o que não ocorria num passado próximo, contra mais de 1 500 com o gim como protagonista.

Criado com o intuito de promover o gim-tônica, o bar passou a servir há pouco um coquetel para tentar frear a ascensão do moscow mule. Trata-se do gt mule, união de gim Tanqueray Ten, água tônica 202, hortelã e espuma de limão-cravo (R$ 39).

“O que está em alta não é o moscow mule, mas a espuminha”, provoca o proprietário Marcos Lee.

Em tempo: também há registros de furtos de canequinhas nos bares de São Paulo.

Receita: como preparar o Moscow Mule

  • Como preparar o clássico que voltou à moda
  • Esprema 1 limão-siciliano (cerca de 15 ml)
  • Adicione 3 cubos de gelo
  • 50 ml de vodca e complete com ginger beer.
  • Mexa bem, decore com uma fatia de limão e fique de olho para ninguém afanar a canequinha.
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