O esperto come cru

Só os japoneses para juntarem tantos nutrientes em algo tão pequeno como o sushi

sushi

Jantar de sexta-feira, você sugere massa ou churrasco, mas ela prefere restaurante japonês rodízio. Saída da festa, um amigo quer encarar um hambúrguer, outro sugere esfihas, mas a maioria vence escolhendo uma temakeria 24 horas. Sábadão fatalmente pede pizza? Não. Uma amiga o chamou para beber num sushi bar. A comida japonesa já faz parte da rotina dos brasileiros. Por vários e bons motivos.

Até pouco mais de duas décadas restrita aos bairros orientais das grandes cidades, rapidamente a culinária do Japão caiu nas graças dos brasileiros e hoje divide o topo da preferência popular com a italiana e a árabe. A mesa tradicional da segunda maior imigração brasileira se espalhou tanto a ponto de, só na cidade de São Paulo, serem preparados por hora em torno de 16 800 bolinhos de peixe cru.

Se você está entre os fãs do peixe cru, quem ganha é sua saúde: graças à presença de proteínas magras, gorduras boas e carboidratos, um belo combinado de sushis faz bonito em termos nutricionais, no almoço ou no jantar. Um temaki (o popular cone), por sua vez, é uma alternativa leve e nutritiva para uma refeição rápida, substituindo os tradicionais hambúrgueres e hot dogs das madrugadas pós-balada. Há diversas versões desse que é o carro-chefe da culinária nipônica: além do temaki, as mais tradicionais são o niguiri sushi, o bolinho de arroz encimado por uma fatia de peixe, camarão, lula ou polvo; o tekamaki e o kapamaki (pedaços de salmão ou atum e pepino, respectivamente, envoltos em arroz e alga marinha). O peixe também pode ser consumido puro, sem arroz, como sashimi.

A iguaria nasceu da necessidade, como tantas outras comidas: há séculos, antes da invenção da geladeira, descobriu-se que a melhor maneira de impedir que o peixe se estragasse era guardá-lo em jarros de arroz: a fermentação provocada pelo ácido lácteo do cereal colaborava com a conservação do pescado. Na sequência, alguém percebeu que acrescentar vinagre ao arroz acelerava sua fermentação. As pessoas começaram a tomar gosto pela combinação peixe-arroz-vinagre e – pronto! – nasceu o sushi.

No Brasil, para desgosto dos puristas, o tradicional prato assumiu novas feições. “O brasileiro acrescentou aos bolinhos maionese, cream cheese e até goiabada”, conta o culinarista Haroldo dos Reis Arruda, diretor do Clube do Sushi, associação paulistana que presta consultoria sobre preparação do prato. Você, que às vezes tem pouco tempo para comer, preste atenção nas vantagens do sushi: um temaki de salmão tem metade das calorias de um hambúrguer e cerca de um terço de lipídeos (gorduras). Seis unidades de sushi de salmão, por exemplo, oferecem quase o triplo de proteínas de 1 hot dog e 100 calorias a menos. Então veja por que o bolinho japonês faz bem para você:

 

O SUSHI É 100% NUTRITIVO

A combinação peixe-arroz é cheia de virtudes. Atum e salmão possuem proteínas de excelente qualidade que, por sua vez, contêm todos os aminoácidos indispensáveis ao organismo. Também são muito mais ricos em minerais do que as carnes vermelhas: entre eles, o selênio, que fortalece o sistema imunológico e previne infartos e derrames. Os peixes crus apresentam ainda bom teor de vitaminas A e D, que colaboram com a fixação do cálcio nos ossos. O arroz? É fonte de energia rápida, por conter carboidratos simples, facilmente digeridos.

 

O SUSHI NÃO PESA NO SEU ESTÔMAGO

Graças à combinação de carboidrato (do arroz) com proteínas magras e gorduras boas (do peixe cru), quando você traça um combinado de sushi não se sente pesado como quando sai da churrascaria. O arroz é cozido sem óleo e leva apenas sal, açúcar e vinagre.

O gengibre em conserva e o nabo ralado, que acompanham os bolinhos, têm propriedades digestivas e contêm antioxidantes . É outra sacada japonesa: os ácidos málico, acético e láctico aceleram a taxa de combustão do organismo, o que facilita a digestão do peixe cru.

Outro ponto a favor da leveza é um traço constante da cultura oriental: o aspecto ritualístico da refeição, que inclui porções menores e até a apresentação elaborada do prato. Ou seja, a não ser que você exagere no rodízio, não vai sofrer desconforto ao levantar da mesa.

 

O SUSHI PROTEJE SEU CORAÇÃO

Além de menos gordurosos do que as carnes vermelhas, os peixes têm a vantagem de ser menos calóricos: em 100 gramas de salmão ou atum há pouco mais de 100 calorias. Esse benefício é cumulativo: quanto menos sua pança cresce, menos risco você corre de se deparar lá na frente com um problema cardíaco relacionado ao excesso de peso.

Salmão e atum são repletos das chamadas gorduras boas, que também protegem o seu peito. “A mais importante dessas gorduras benéficas é o ômega-3, ácido graxo que aumenta o colesterol bom e evita a formação de placas que entopem as artérias, levando ao infarto”, diz a nutricionista Andrea Andrade, da consultoria RG Nutri, de São Paulo. Em termos de nutrientes, a dieta japonesa peca pela ausência de ferro, alerta Haroldo Arruda. “A carência desse nutriente explica a baixa estatura do povo japonês”, afirma. Mas, como você não vive no Japão, compense nas outras refeições com nosso bom e velho feijão de cada dia, bifes e ovos. Consuma regularmente também vegetais verdes, como brócolis e espinafre.

 

O SUSHI FAZ VOCÊ VIVER MAIS

Não apenas o atum e o salmão como também o nabo e o gengibre contêm substâncias antioxidantes, que ajudam a diminuir a ação dos radicais livres que detonam o organismo. “Os radicais livres são responsáveis pelo envelhecimento, câncer, artrite e doenças autoimunes, como o diabetes e o lúpus”, explica a nutricionista Andréa Arantes, da consultoria RG Nutri. Mais: o vinagre adicionado ao arroz na confecção dos bolinhos tem propriedades antibacterianas que previnem contra a fadiga e diminuem o risco de arterioesclerose e hipertensão. Arigatô!