A nova moda dos restaurantes em museus

Unir arte e gastronomia virou um programa para fazer em qualquer dia da semana

(Gustavo Pitta/Revista VIP)

Esqueça a visão clássica de um museu — aquela que entende ele como um grande prédio lotado de obras centenárias, um local de pura contemplação e compreensão.

O museu sempre foi um agente cultural, que transporta seus visitantes para o mundo onde presta homenagem.

Mas em um mundo onde é possível encontrar todo tipo de obra em alta definição na distância de um clique, a experiência do museu de esvazia, desafiando museólogos em todo o mundo buscar novos formatos para proporcionar uma experiência cultural completa.

E o que seria a cultura sem a comida? É no prato onde é possível encontrar as expressões mais fieis do que uma cultura significa e o que ela prega.

E foi com este gancho que museus ao redor do Brasil compreenderam que, se pretendem continuar relevantes, precisam garantir uma experiência mais ampla para o expectador.

Grandes chefs e pratos únicos são os atrativos dos restaurantes abertos dentro de museus, que trazem uma oxigenação para um ramo fora de suas obras de arte.


No Museu de Arte Contemporânea

(Denise Andrade/Reprodução)

Vista Café
É talvez o projeto mais ambicioso e integra um complexo no rooftop do MAC USP, em São Paulo.

Com 6 milhões de reais investidos, o novo empreendimento da Indústria de Entretenimento ocupa 2,2 mil metros quadrados e conta com três bares, espaço para eventos e um restaurante, pilotado pelo chef Marcelo Corrêa Bastos, do restaurante Jiquitaia.

O Vista Café, único inaugurado e localizado no mezanino do museu, é inspirado na cozinha de mercado e serve o convescote (de R$ 35 a R$ 65), refeições completas inspiradas nos teishokus.

Uma possível combinação é a salada verde, polvo com massa ao molho sugo e salada de frutas (R$ 55).

Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, 1 301 – Ibirapuera, São Paulo  mac.usp.br


No Instituto Moreira Salles

Os célebres dadinhos de tapioca do chef Rodrigo Oliveira (Balaio/Divulgação)

Balaio
Rodrigo Oliveira, dono do Mocotó, recebeu o convite para lançar este restaurante – seu quinto empreendimento – na nova casa de Pedro Moreira Salles, presidente do Itaú e membro do conselho do instituto.

Com previsão para inaugurar até o final do mês, a casa está no térreo e vai trabalhar no almoço e no jantar, sem paradas.

Além dos dadinhos de tapioca e dos torresmos, dois clássicos que não poderiam faltar, o Balaio é, como o nome diz, um cesto que mistura diferentes culturas culinárias do país.

Entre as opções no cardápio, há pratos individuais, como o arroz de linguiça bragantina, ou para compartilhar, como a paleta de cabrito assada, servida com angu de fubá branco.

De sugestões vegetarianas, sanduíches e saladas. Para a happy hour, é possível pedir petiscos e coquetéis exclusivos.

No quinto andar vai funcionar o Balaio Café, com pães de fermentação natural, tapioca, cuscuz, bolos e, claro, café.

Endereço: Av. Paulista, 2 439 – Bela Vista, São Paulo ims.com.br


Na Japan House

(Gustavo Pitta/Revista VIP)

Junji Sakamoto
“A proposta é fazer uma ponte da atual cultura japonesa com o Brasil”, explica Jun Sakamoto, sushiman dono de mais dois restaurantes em São Paulo.

Inaugurado em maio, o museu na Avenida Paulista foi um projeto financiado pelo governo japonês (cerca de 100 milhões de reais), incluindo o restaurante.

“Não temos intenção de lucro. Nosso objetivo é exclusivamente cultural.” Com cardápio enxuto, tem como carro-chefe os teishokus – refeições completas servidas em bandejas, como o tonkatsu, com filé de porco empanado, missoshiro e arroz (R$ 70).

Na lista de saquês, apenas um dos seis rótulos é brasileiro (R$ 21,50 a dose). “A gastronomia de lá tem passado por uma renovação. Vamos trazer alguns chefs japoneses para mostrar isso na prática”, afirma Sakamoto.

Endereço: Av. Paulista, 52 – Bela Vista, São Paulo japanhouse.jp/saopaulo


No Museu do Amanhã

(Leo Aversa)

Fazenda Culinária

O projeto demorou um ano para ser finalizado e foi concluído em fevereiro.

Montado em um vão de 400 metros quadrados, ocupa estrategicamente a ponta do museu, com vista para a Baía de Guanabara.

Na cozinha aberta para o salão são preparados somente ingredientes locais, que exaltam a culinária brasileira.

Do novo cardápio montado pelo chef João Diamante, são imperdíveis o galeto no rolete com batatas assadas, farofa de panko e vinagrete (R$ 84 para duas pessoas) e a banana assada com crumble de castanha (R$ 20).

As mesas da área externa acomodam até 20 pessoas e, ali, animais são bem-vindos. Refrigerantes, somente orgânicos (R$ 12).

Mas também há chás, água e sucos naturais. Uma boa opção é a carta de vinhos. Enxuta, mas com preços bastante convidativos.

Endereço: Praça Mauá, 1 – Centro, Rio de Janeiro fazendaculinaria.com.br 


No Museu da Imigração

(Cantina/Reprodução)

Cantina
O chef Fellipe Zanuto se interessou pelo espaço depois de usar o museu como base de pesquisa para o cardápio do Hospedaria, também na Mooca.

O Cantina, aberto desde julho, teve 160 mil reais de investimento. A proposta é servir comida a qualquer hora, como o sanduba de focaccia com mortadela (R$ 22) e o expresso tônica (R$ 10).

Aos finais de semana e feriados, tem o brunch à la carte, como o cantina, com pão, ovo mole, linguiça e cogumelos (R$ 22).

Endereço: R. Visc. de Parnaíba, 1 316 – Mooca, São Paulo museudaimigracao.org.br


No Museu de Arte Moderna Do Rio de Janeiro

(Amanda Antunes/Reprodução)

Laguiole
Instalado desde 2006, o restaurante recebeu neste ano uma estrela do Guia Michelin.

Em seus 300 metros quadrados, o estabelecimento é uma extensão do museu, com obras do acervo de Carlos Alberto Chateaubriand, presidente do MAM-RJ.

Com base da cozinha clássica francesa, tem de entrada o foie-caju, foie gras laqueado no missô, purê de caju e castanhas (R$ 66); de principal, polvo grelhado com risoto de quinoa negra e calabresa, harissa e brócolis (R$ 88); e, para finalizar, ravióli de manga com espuma de coco e sorbet de cupuaçu (R$ 28).

Outro atrativo é a adega, a maior do Rio de Janeiro. São mais de 600 rótulos e 8 mil garrafas de todas as nacionalidades.

Pela 16ª vez consecutiva, recebeu o prêmio de melhor adega da América Latina pela revista americana Wine Spectator.

Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85 – Glória, Rio de Janeiro bestfork.com.br/laguiole