O segredo de um bom drink pode estar em produtos industrializados 

A qualidade dos mixers, que diluem o drink, é tão importante quanto a do destilado. Mais: algumas versões industrializadas valem a pena.

 (Kimpton Sir Francis Drake Hotel/Reprodução)

 

As décadas de 70 e 80 foram sombrias para a coquetelaria. Os bares, em vez de ingredientes naturais, criavam drinques com pré-misturas, muitas delas em pó, para serem diluídas em água.

A coisa melhorou no final dos anos 90, quando Dale DeGroff, em Nova York, e Dick Bradsell, em Londres, resgataram ingredientes artesanais para produzirem coquetéis equilibrados e frescos.

O Brasil entrou nessa onda dez anos depois, quando, no finado MyNY Bar, em São Paulo, bartenders como Marcelo Serrano e Spencer Amereno começaram a criar a própria água tônica e o suco de tomate, além de priorizar mixers artesanais. Sucos, xaropes e refrigerantes são os mais comuns.

Mas o artesanal é sempre a melhor opção? Depende. Spencer Amereno, hoje premiado bartender do paulistano Frank Bar, pondera que “a principal vantagem do produto artesanal é que, utilizando matérias-primas frescas, sem conservantes ou sabores artificiais, conseguimos otimizar, expandir a experiência sensorial do consumidor. Produzir ingredientes é uma forma de criar sabores exclusivos”.

Spencer concorda que, se por um lado os produtos artesanais garantem frescor e sabor, por outro é mais difícil de escalar e garantir a homogeneidade.

 (Getty Images/Reprodução)

Rafael Pizanti, mixologista da Monin, tradicional marca de xaropes, faz coro: “Imagine que você é dono de uma rede com dez unidades. Qual a probabilidade de algo dar errado quando você tem dez pessoas diferentes preparando xaropes dos mais diversos tipos? É muito grande. Quando você usa xarope industrial, a chance de erro não existe e o padrão de sabor passa a ser uma constante. Sem falar na redução do tempo de pré-preparo e desperdícios”.

Jéssica Sanchez, bartender e proprietária do carioca Vizinho Gastrobar, reforça: “Vários bartenders começaram a fazer xaropes, licores e sua própria água tônica pela falta de boas opções industrializadas”.

Hoje, mesmo com a chegada de marcas premium de mixers como a Monin e a Fever-Tree, que tem em seu portfolio água tônica, ginger beer e ginger ale, muitos seguem dando preferência ao produto artesanal.

Mas, afinal, qual escolher? Seja profissional ou alguém que gosta de preparar drinques em casa, os especialistas concordam que o importante é ponderar qual a melhor opção avaliando sabor, custo e complexidade de preparo para chegar ao melhor produto final.

Marcelo Sant’Iago é publisher do site Difford’s Guide Brasil.