12 razões para aproveitar Las Vegas ao máximo

A capital mundial da jogatina não é feita só de roletas e caça-níqueis. Há diversão saindo pelo ladrão e nem todas com o mesmo grau de risco dos cassinos

Por Renzo Mora

Não que eu goste de admitir, mas sou meio que um veterano de Las Vegas. Comecei a frequentar nos anos 1980 – e peguei tanto o fim dos cassinos erguidos pela máfia quanto o surgimento dos grandes resorts que deixaram o lugar um pouco mais família – ou pelo menos tão família quanto é possível para a Sin City original. É para lá que as pessoas se dirigem quando pretendem pisar no tomate – na realidade ou na ficção.

Homer Simpson e o insuspeito e religioso Ned Flanders casaram com duas garçonetes na cidade. Ed Helms colocou uma aliança no dedo da stripper Heather Graham em Se Beber Não Case. Nicolas Cage escolheu a sombra dos cassinos para beber até morrer e manter um último romance com a espetacular Elisabeth Shue em Despedida em Las Vegas – a mesma Elisabeth, aliás, que voltaria para ser uma perita no último laboratório ativo da franquia televisiva CSI.

VEJA TAMBÉM

Comecei a visitar Vegas a tempo de ver Frank Sinatra no Desert Inn – a casa onde ele começou sua histórica trajetória em Nevada, quando ninguém mais queria contratá-lo e a máfia o deixava cantar por lá por alguns trocados; joguei no falecido Sands; me hospedei no Flamingo antes da demolição do bangalô onde Bugsy ficava escondido do FBI e dos sócios. E é com essa bagagem que aconselho: se eu fosse você, largava tudo e embarcava para lá agora mesmo. Se estiver na dúvida, vão aqui 12 razões para ajudar a convencer.

1. Preço

Las Vegas é uma cidade relativamente barata (bem, desde que observado o item 12). Compare os preços de hospedagem com os de Nova York, Los Angeles ou São Francisco e você verá que ela oferece quartos melhores, mais amplos e com  localizações superiores por um custo significativamente inferior (Miami aparece com preços semelhantes, mas em hotéis muito longe da praia e próximos do aeroporto). Mesmo nestes dias de dólar meio arisco, os valores continuam atraentes.

2. Shows

cirque Cirque du Soleil (Imagem: Getty Images)

Cirque du Soleil (Imagem: Getty Images) (/)

Só em Las Vegas é possível encontrar atrações como Tony Bennett & Lady Gaga, Britney Spears, Jerry Seinfeld, Rush, Barbra Streisand, Justin Timberlake e Rod Stewart – uma ao lado da outra, muitas no mesmo fim de semana e com ingressos bem mais camaradas que no eixo Rio-São Paulo. Caso esteja contaminado pela onda masoquista inspirada pelo 50 Tons de Cinza, Céline Dion ficará feliz em torturar você por mais de uma hora em suas temporadas de longa duração no Colosseum do Caesars Palace (a próxima vai de agosto a janeiro) – espaço que ela alterna com Elton John (este, em uma vibe cada vez mais Liberace, ocupando o palco pelo menos até outubro).

Em uma respeitável montagem do consagrado musical Jersey Boys (em cartaz pelo menos até dezembro), a poltrona mais cara sai por cerca de 180 dólares – na Broadway, em Nova York, isso custa 240 dólares.Sem falar dos melhores mágicos do mundo (incluindo Penn & Teller e David Copperfield), além de oito montagens do Cirque du Soleil (bem, para mim são todas iguais e igualmente broxantes – mas eu sou um chato).

3. Clubes noturnos

Você não precisa realmente ir a um clube para ferver em Vegas. Os cassinos viram uma festa depois das 11 da noite, sem limite claro entre as mesas de jogo e os animadíssimos bares, com direito (por exemplo) a go-go girls sobre as mesas de 21 no Planet Hollywood (estratégia tanto para atrair quanto para tirar a concentração dos jogadores). Em muitos há ótimas bandas tocando ao vivo e de graça. Se você quer a experiência de um night club, há ótimas opções. A mais badalada hoje é o Drai’s Nightclub, no topo do The Cromwell Las Vegas Resort & Casino. Quem assina a casa é o lendário marroquino Victor Drai, um dos 16 profissionais listados no Nightclub Hall of Fame. Ok, não é barato. A entrada custa 30 dólares para cavalheiros, mas prepare-se para gastar uns 300 dólares – e isso só em gorjeta para conseguir uma boa mesa. Mas, até chegar lá, pode haver outro clube bombando.

4. Mulheres

mulheres (Imagem: Getty Images)

(Imagem: Getty Images) (/)

Mario Puzo, autor de O Poderoso Chefão, escreveu em seu livro The Last Don, de 1996: “(Há) muitas mulheres bonitas em Vegas, como em Los Angeles… Muitas dessas belezas haviam falhado em Hollywood”. Bem, essa parte continua verdadeira. Em Vegas, sobram garçonetes que deveriam estar nas capas de revistas. São moças que provavelmente tentaram o cinema e agora estão servindo mesas, atuando como coristas, crupiês etc.

Disputando com as belezas contratadas pelos cassinos, as garotas nas ruas estão cada vez mais lindas (e com menos roupas). Mais: elas ainda começaram a ostentar bundas nada desprezíveis, como se contaminadas pela kimkardashianização da cultura americana. Detalhe: as moças que não estão trabalhando bebem. Muito. E não se mostram acanhadas em vomitar em público. Nas manhãs de domingo, as ruas parecem campos minados.

Qualquer cara tem potencial para arrumar um affair em Las Vegas. Mas para aqueles que acreditam que a diferença entre sexo pago e sexo gratuito é que o segundo é mais caro, vale lembrar que a prostituição é legal em Nevada. Existem 19 bordéis lá, incluindo o famoso Sheri’s Ranch. Os hotéis, note-se, são bastante liberais em relação a companhias de hóspedes.

5. Gastronomia

Desde a alta até a mais baixa (e deliciosa) gastronomia, encontra-se de tudo em Las Vegas. Às vezes, tudo junto e misturado no mesmo local – como é o caso do Caesars Palace’s Bacchanal Buffet. Por cerca de 50 dólares (bebida não incluída) dá para se perder nas instalações que custaram 100 milhões de dólares e que oferecem o melhor da cozinha de diversos países (Itália, Japão, França etc.) – com nada menos que 500 itens servidos diariamente nas 600 cadeiras da casa. O Bacchanal é tido como o melhor bufê da cidade – embora seus pratos puxem um pouco na pimenta.

Gordon Ramsay virou praticamente um Cirque du Soleil – e assina três restaurantes: existe o Gordon Ramsay Steak no Paris (os franceses devem ficar loucos vendo o rosto emburrado do chef escocês dominando o Arco do Triunfo local), o Gordon Ramsay Pub & Grill no Caesars e o delicioso Gordon Ramsay BurGR no Planet Hollywood, com ótimos hambúrgueres por 15 dólares e uma inesquecível porção de fritas com parmesão (mais 11 dólares) que vale cada grama. Em uma cidade onde tudo é falso, Ramsay achou um paraíso para explorar sua franquia e sua fama de mau.

Quem quer gastar mais e deseja o The Real McCoy, a coisa para valer, deve procurar a lagosta de 120 dólares do Michael’s Gourmet Room no The South Point Casino. É uma pedida para conhecer aquele que há mais de 20 anos é um dos tesouros escondidos da cidade – e que a Forbes considera um dos 12 melhores restaurantes da região.

6. Foi bombada por Sinatra  

frank (Imagem: Getty Images)

(Imagem: Getty Images) (/)

Las Vegas começou a atrair gente de verdade quando Frank Sinatra, Dean Martin e Sammy Davis Jr. foram filmar 11 Homens e um Segredo e começaram a aparecer uns nos shows dos outros. O fenômeno chamado Rat Pack pegou de tal forma que subitamente havia gente voando de todos os cantos do país (e dormindo nos carros em estacionamentos) apenas para ter a chance de comprar um ingresso. Foi o evento mais importante na história da divulgação de Vegas. Hoje é possível celebrar o cantor (sentado ao lado do Oscar que ele ganhou por A um Passo da Eternidade e do Grammy, por Strangers in the Night) no restaurante da família, Sinatra, no Encore at Wynn Las Vegas. Calcule um gasto de 250 dólares por casal. Você não vai reclamar.

7. Você pode Descer de Uma Ferrari e arrebentar coisas com uma Metralhadora

Por 160 dólares você pode ir ao M, no 3501 da Aldebaran Avenue, e passar uma tarde relaxante atirando com uma M249 SAW e uma SIG P226 (a “The SEAL Team 6 Experience”). E, por módicos 1 865 dólares, ainda aluga uma Ferrari 2012 por dia para ir ao local (preço da Diplomat Exotic Car Rentals).

8. Compras

mall (Imagem: Getty Images)

(Imagem: Getty Images) (/)

Algumas das mais sofisticadas grifes do mundo têm lojas nas áreas de compras de cassinos como no The Forum Shops at Caesars Palace. O Miracle Mile Shops, no Planet Hollywood, tem um perfil mais jovem e mais barato. O Fashion Show Mall é um shopping tradicional, com mais de 250 lojas para todos os gostos e bolsos. Há também dois outlets honestos – o Las Vegas Premium Outlets do norte e o do sul, pertinho dos cassinos.

9. Arquitetura

vegas2 (Imagem: Getty Images)

(Imagem: Getty Images) (/)

Não vamos nos enganar – Las Vegas é um dos lugares mais kitsch do planeta, com seus palácios de césares romanos, sua Paris reinventada ou os gondoleiros fake de uma Veneza cheia de neons. Sabemos a razão. Vegas foi inventada por mafiosos. O visionário que a ergueu, Bugsy Siegel, era um assassino proletário que fez carreira no Hell’s Kitchen de Nova York – não exatamente um lugar onde se desenvolve um gosto apurado para arte. Mas, como disse Umberto Eco: “Dois clichês nos fazem rir. Uma centena de clichês nos comove. Porque sentimos vagamente que os clichês estão dialogando entre eles e celebrando uma reunião… o ápice da banalidade nos permite ter um vislumbre do sublime”. Las Vegas tem uma cafonice tão exuberante que é difícil pensar nisso ao caminhar sob as luzes  da Strip, a avenida principal, entre a fonte do Bellagio e o vulcão do Mirage.

10. Vegas é a Sin City original 

Há muito tempo a máfia deixou de ser o motor da economia local. O declínio começou em 1966, quando o milionário maluco Howard Hughes comprou o Desert Inn (a razão: ele não queria sair da suíte presidencial, reservada na semana seguinte para alguns grandes jogadores). A máfia foi gradualmente vendendo seus hotéis para Hughes. Com a saída da conhecida multinacional italiana do ramo, veio a era dos resorts na década de 1990. Os bandidos da cosa nostra deram lugar aos bandidos de Wall Street, que pelo menos se vestem melhor. Isso quer dizer que os devedores passaram a ser perseguidos por cobranças judiciais e deixaram de ter os dedos quebrados (na melhor das hipóteses). Mas a cidade nunca perdeu a aura de meca do pecado (“O que acontece em Vegas fica em Vegas”, diz o ditado). Ela foi erguida sobre o tripé sangue, corrupção e sexo. A história de Virginia Hill, a amante de Bugsy, é exemplar: ela desviou recursos para a Suíça que deveriam ser usados na construção do Flamingo. Isso selou o assassinato do gângster. Diante do Senado, em 1951, ela disse sobre a grana: “É que faço o melhor boquete dos Estados Unidos”.  Passou na TV, ao vivo.

11. Jogo

cassino (Imagem: Getty Images)

(Imagem: Getty Images) (/)

Ah, sim, eu quase ia esquecendo: cassinos! A razão dos preços em Vegas serem menores que os de outras cidades americanas é porque os administradores querem que as pessoas tenham mais dólares para as roletas, mesas de 21, dados, máquinas caça- níqueis  etc. Vale lembrar que o luxo de Vegas é pago com a grana dos perdedores. A saber: o apostador perde em 96% dos casos. Sim, você pode ficar milionário. Mas eu não apostaria nisso.Woody Harrelson tentou em Proposta Indecente e perdeu a esposa Demi Moore para o Robert Redford.

12. Memorabilia

A faca usada na cena do chuveiro de Psicose? Está lá para vender, com “certificado de autenticidade”. Assim como um microfone assinado por Amy Winehouse, um quadro com o autógrafo dos atores que interpretaram James Bond. Há um vestido de Marilyn Monroe. A assinatura de John Kennedy está disponível – como a de Lee Harvey Oswald, o homem que o matou. Mike Tyson aparece por lá de vez em quando para fotos com os fãs (200 dólares e, pela minha experiência, não espere pontualidade). Há lojas nos cassinos, com itens surpreendentes, entre elas a Art of Music, no Mirage, e Antiquities of Las Vegas, no Caesars. Mas, aí, reforce o cartão.