35 símbolos brasileiros reconhecidos no mundo todo

Seleção Brasileira, cachaça, Bossa Nova, Jiu-Jítsu... O Brasil tem uma sólida coleção de ícones. Veja como nosso país é visto pelos gringos.

ícones brasileiros

 (Montagem: Mateus Monteiro/Divulgação)

Não temos papa, nenhum Oscar, nenhum Nobel, nunca fizemos gol de mão em Copa do Mundo, nenhum personagem nosso virou musical da Broadway…

Mas não temos a menor razão para qualquer complexo de inferioridade em relação aos hermanos argentinos.

O Brasil tem uma sólida coleção de símbolos nacionais que se tornaram internacionais, representando nosso país para pessoas de qualquer canto do mundo. Duvida?

É só ver esta lista, preparada com sugestões e debates dos quais participou toda a redação da VIP.

NOS ESPORTES

A Amarelinha

Camisa Seleção Brasileira

 (CBF/Divulgação)

No centro de Londres, numa rua de Nova York, num canto da Ásia, na África profunda, no depauperado Haiti, numa aldeia europeia…

Em todos esses lugares e muitos outros, você pode topar com alguém vestindo uma camisa amarela da Seleção Brasileira em qualquer versão — de imitações da Copa de 1970 à oficial atual.

E, na maioria das vezes, não será um brasileiro expatriado vestindo o manto.

Será apenas uma pessoa que reconhece a camiseta amarela com golas verdes como um símbolo de futebol inalcançável e supremo, que está um passo à frente de qualquer outra equipe nacional do planeta, com cinco Copas do Mundo incontestáveis no currículo.

As pessoas que trajam a Amarelinha sonham com Pelé, Jairzinho, Rivelino, Zico, Sócrates, Falcão, Romário, Ronaldo, Ronaldinho…

Prestam tributo a craques que seus próprios países nunca terão e usam um uniforme único, colorido como nenhum.

 

Diamante Negro

Leônidas Diamante Negro

 (Lacta/Divulgação)

Quantas guloseimas na face da Terra levam o nome de um craque do futebol?

Pois o Brasil tem: o clássico chocolate criado com o apelido de Leônidas logo após ele virar ídolo na Copa de 1938. Tão bom que está à venda até hoje.

 

Grandes jogadas brasileiras

1) A paradinha. A grande sacada de Pelé que a mal-humorada Fifa acabou proibindo

 

2) O fair play de jogar a bola para fora para que um adversário machucado seja atendido (invenção de Garrincha)

3)  A bicicleta, criação perfeita de Leônidas da Silva

 

 

Copa de 1970

Seleção Brasileira 1970

 (Goal/Reprodução)

O time que consagrou a mística da Amarelinha na primeira Copa transmitida em cores pela TV para vários países.

O jogo mais bonito já visto, feito por craques com camisas reluzindo no sol mexicano. Resultado: desde então, para o planeta, futebol é Brasil e o resto vem atrás.

 

Copa de 1982

Quase tudo se repetiu: um time que jogava bonito, camisas reluzentes no sol espanhol… Só faltou o título.

Mas é a outra grande Seleção Brasileira que o mundo lembra.

 

Copa de 1990

Um time pálido, que jogava feio, com um técnico chamado Lazaroni.

Virou referência de tudo o que uma Seleção Brasileira NÃO deve ser.

 

Surfe na pororoca

Até há quem bote sua prancha para surfar nas ondinhas de alguns rios de outros países.

Mas é só aqui que dá para desafiar a violenta imponência do rio com maior volume de água do planeta — o Amazonas. Ali, as ondas são fortes o bastante para arrastar árvores da selva.

Atração internacional para quem gosta de emoções fortes.

 

Jiu-jítsu

Família Gracie Jiu-jítsu Carlo Gracie (esqu.) demonstrando uma imobilização.

Carlo Gracie (esqu.) demonstrando uma imobilização. (Gracie/Reprodução)

Na década de 1910, em Belém do Pará, o jovem Carlos Gracie conheceu uma milenar combinação de técnicas de luta do Japão que já estava praticamente extinta. Seu professor foi um imigrante que era um dos poucos que restaram com o conhecimento do jujútsu.

Nas décadas seguintes, Carlos e o irmão Hélio aprimoraram os conceitos do que veio a ser reconhecido mundialmente como jiu-jítsu (ou Brazilian jiu-jitsu).

Seus adeptos demonstraram-se praticamente imbatíveis em eventos de vale-tudo, o precursor dos grandes combates que hoje conhecemos como MMA.

Resumindo uma longa história: o UFC deve muito de seus milhões de dólares e telespectadores a um jeito brasileiro de lutar.

 

Futebol de Botão

Futebol de botão

 (Mercado Livre/Reprodução)

Requer mais técnica que o pebolim/totó e mais imaginação lúdica que os games. O futebol simulado mais artístico que existe.

Que ganhou sua forma quando o paulista Geraldo Cardoso Décourt, ainda usando botões de camisa como jogadores, deu forma às regras do jogo em 1929 e 1930.


NA CULTURA

Pornochanchada

A super fêmea 1973

 (Youtube/Reprodução)

Uma mistureba que rendeu o mais divertido gênero da história do cinema brasileiro.

Às comédias amalucadas das chanchadas dos anos 1950, juntou-se uma pitada de erotismo nos mais liberados anos 1970 — mas o “pornô” que foi agregado ao rótulo soa completamente exagerado em nossos dias.

O máximo de pornografia que havia eram mulheres nuas e alguma simulação de casais transando (hoje em dia, há cenas de novelas mais tórridas).

Esses filmes nonsense eram sucesso de bilheteria quando eram lançados e viraram cult na TV. Primeiro com a sessão Sala Especial que a Record exibia nos anos 1980. E hoje com as reprises no Canal Brasil.

 

2 clássicos do cinema brasileiro

> O Homem de Itu

O Homem de Itu

 (Mercado Livre/Reprodução)

Nuno Leal Maia vive o personagem-título, cujos grandes dotes físicos só lhe arrumam confusão.

 

> Histórias que Nossas Babás Não Contavam

Histórias que nossas babás não contavam

 (Mercado Livre/Reprodução)

Uma releitura dos contos de fadas com Adele Fátima como uma Branca de Neve afrodescendente e o cômico Costinha sendo… bem, sendo o Costinha.

 

Cuíca

Bater de tambores, mesmo que sem a menor ginga, é algo que se ouve em várias culturas.

Além de seu ritmo, o samba tem como ingrediente especial e único o choro alegre (ou a gargalhada chorosa) da cuíca — aquele tempero especial que dá gosto a uma batucada de fundo de quintal e a um desfile de escola no Sambódromo.

 

Trio elétrico

Trio Elétrico

 (MB Produções/Facebook)

Para animar o Carnaval de Salvador em 1950 e conseguirem ser ouvidos por mais gente da multidão, Dodô e Osmar subiram num Ford ano 1929 empunhando guitarras elétricas primitivas que fizeram artesanalmente.

Nascia o trio elétrico, a outra grande tradição da folia brasileira junto com as escolas de samba cariocas.

E assim nasceu também uma autêntica versão pop do Carnaval, que evoluiu a ponto de hoje ser uma verdadeira indústria de entretenimento extremamente profissional.

 

Bossa Nova

A batida quebrada (nem só samba, nem só jazz, mas ambos), sutil, elegante, que servia tanto para dançar com classe como para seduzir.

Com esses requisitos, a bossa nova foi a música brasileira globalizada por excelência, nem exótica demais nem cópia malfeita de algum ritmo de outro país.

E assim dominou o planeta nos anos 1960, a ponto de Frank Sinatra chamar Tom Jobim para ser seu parceiro em igualdade de condições e crédito em um LP – até onde se sabe, Sinatra não fez nenhum disco de tangos, fez?

Mas, além do som, a bossa nova trouxe um novo jeito de viver, mais alegre, mais curtidor da vida, espantando a caretice cinzenta das velhas guardas.

Uma turma que exaltava as mulheres (e as galanteava com charme e modernidade) e curtia seus uísques e chopes à beira da orla carioca.

 

Dom Casmurro

Machado de Assis

 (Facebook/Reprodução)

Mesmo que não tivesse escrito outras obras brilhantes e elogiadas internacionalmente (de acadêmicos das letras ao cineasta Woody Allen),

Machado de Assis já mereceria loas pela criação de Bentinho, o maior “corno manso” da literatura mundial, que nunca tem certeza se é ou não traído pela esposa Capitu nesse livro atemporal.

 

Macunaíma

Macunaíma

 (Youtube/Reprodução)

O “herói sem nenhum caráter” – portanto, não é um mau-caráter.

Preguiçoso, indolente, esperto, sensual, tirando o melhor das adversidades, o personagem-título do livro modernista de Mário de Andrade tornou-se um símbolo do brasileiro que se vira com jeitinho apesar de ter tudo contra.


MODA & DESIGN

Fio-dental

Fio-dental

 (Instagram/Reprodução)

O país com a maior quantidade de praias ensolaradas perdeu a chance de inventar o biquíni, mas soube aperfeiçoá-lo esteticamente para valorizar as qualidade calipígia da brasileira.

Para que gastar tanto pano quando bastam um triângulo cobrindo a frente e uma tirinha passando pelo bumbum?

 

Havaianas

Nosso maior item de exportação fashion teve um começo humilde: lançada em 1962, a sandália com uma tira de borracha sobre um solado do mesmo material era um calçado barato, usado por trabalhadores de baixa renda ou por quem ia à praia.

Nas últimas duas décadas, novas cores, grafismos, design de tiras e marketing forte transformaram “As Legítimas” em sonho de consumo descolado, ganhando ruas e passarelas de metrópoles de vários países.

Pena que Chico Anysio não está mais por aí para fazer os comerciais (como fez no Brasil nos anos 1960 e 1970) em vários idiomas.

 

Corpo Violão 

Um tipo de mulher que é preferência nacional. Formas redondas, bumbum firme, morenice na pele e nos cabelos, sensualidade não forçada.

Cada época tem uma famosa que simboliza essa figura desejada: nos anos 1970 e 1980, era Sônia Braga; em nossos dias, Juliana Paes.

 

Camiseta Hering branca

Camisa Branca Hering

 (Dafiti/Reprodução)

Para praia e para jogar um blazer por cima. Polivalência é isso.

 

Brazilian Wax

Depilação cera

 (Instagram/Reprodução)

Esse é o nome internacional, mas pode chamar de depilação a cera mesmo.

Mulheres de várias nacionalidades se encantaram com esse método verde-amarelo de deixar a virilha lisinha e aderiram fortemente.

 

Poltrona mole

Poltrona Sergio Rodrigues

 (Instagram/Reprodução)

Uma bênção de conforto criada em 1957 pelo designer Sergio Rodrigues.

Vencedora do 4º Concurso Internacional de Design de Móveis de Cantu (Itália) em 1961, uma de suas unidades integra o acervo permanente do Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York.

É para se esparramar e esquecer da vida. E para que a decoração da sua sala fique de primeira classe.


GASTRONOMIA

Cachaça

Anísio Santiago

Produzida em Salinas (MG)
Envelhecimento: 8 anos
Gradação alcoólica: 44,8%
Kit com 6 garrafas: R$ 1 018,99

 

* 2 filhos da cachaça

> Caipirinha

Caipirinha

 (Tomás Arthuzzi/Revista VIP)

Acrescente limão e açúcar e você terá o genuíno drinque nacional em seu copo.

Drinque capaz de invocar declarações públicas de amor como a do cantor Michael Stipe durante o show de sua banda R.E.M. no Rock in Rio de 2001.

 

> Carro movido a álcool

Combustível frentista

 (Petrobras/Reprodução)

Nos anos 1970, descobriu-se que o líquido produzido com a cana de açúcar podia servir de combustível para automóveis. E não é que a ideia funcionou?

 

Feijoada

Feijoada do Bolinha Feijoada do Bolinha

Feijoada do Bolinha (Feijoada do Bolinha/Reprodução)

A mistura surgiu nas fazendas no tempo da escravidão: partes menos nobres do porco e feijão preto cozinhando por horas num caldeirão. Resultado?

O grande prato brasileiro, com arroz e couve no acompanhamento (uma caipirinha e um molho apimentado também vão bem).

Uma iguaria abençoada de encher os olhos e o estômago.

 

* 4 feijoadas notórias

  1. Casa da Feijoada, no Rio de Janeiro (cozinhatipica.com.br)

2. Feijoada do Bolinha, em São Paulo (bolinha.com.br)

3. Feijoada da Família Mangueirense, no Rio de Janeiro (mangueira.com.br)

4. Recanto da Feijoada, em Belo Horizonte ([31] 3421-5830)

 

Coxinha

Coxinha

 (Noname Boteco/Reprodução)

Frango desfiado no meio de uma massa de batata que, após a fritura, transforma o bolinho em forma de gota numa iguaria com uma suculenta crosta.

O salgadinho perfeito para enganar o estômago na rua ou forrá-lo entre um chope e outro no boteco.

 

Chope

Chope cerveja

 (Pixabay/Reprodução)

A cerveja não é nossa invenção. Tampouco a medida batizada de chopp na Alemanha (300 ml).

Mas o brasileiro transformou a cerveja leve e não pasteurizada tirada de um barril diretamente para o copo em uma instituição – adequadíssima ao nosso clima.

 

Picanha

Picanha Picanha, receita de Marcelo Neri, coordenador do curso de gastronomia da Univers

Picanha, receita de Marcelo Neri, coordenador do curso de gastronomia da Univers (Univers/Revista VIP)

O corte tipicamente brasileiro, tirado da macia parte traseira do boi com uma camada de gordura que só aumenta o sabor da peça depois de assada.

Agradeçamos aos gaúchos por mostrar o caminho para essa carne suculenta que se tornou a presença mais nobre de um churrasco brasileiro.

E que é também a estrela das churrascarias rodízio (como o Fogo de Chão, por exemplo) que conquistaram outros países, com filiais até em lugares como o Texas, que se orgulha de ser a terra do “churrasco americano”.

 

Chicabon

Chicabon

 (Kibon/Divulgação)

O picolé de chocolate deve ser o único sorvete do universo a se tornar expressão literária, graças às frases que Nelson Rodrigues vivia invocando em seus textos:

— “Sem alma não se chupa nem um Chicabon”

— “Sem um líder, ninguém atravessa a rua, nem chupa um Chicabon”

— “Sem sorte, o sujeito não chupa nem um Chicabon”


COMPORTAMENTO

Jogo do bicho

O jogo de azar à moda brasileira é uma loteria baseada nas imagens de animais.

Nasceu oficialmente no Zoológico do Rio de Janeiro em 1892 e ficou dentro da lei até 1946.

A proibição não tirou a vontade das camadas mais populares de apostar no bicho com que sonharam na noite anterior para ganhar algum montante de dinheiro — o desejo de riqueza foi eternizado no bem-humorado samba de breque Acertei no Mi-lhar.

Só que, ao se tornar contravenção, a atividade clandestina acabou dando origem a uma organizadíssima espécie de máfia brasileira.

Que, por décadas, em vez de “godfathers”, teve patronos de escolas de samba e dirigentes de clubes de futebol.

 

Quatro brasileiros originais

Brasileiros originais Oscar Niemeyer, Pelé, Santos Dumont e Mussum

Oscar Niemeyer, Pelé, Santos Dumont e Mussum (Divulgação/Fonte padrão)

Oscar Niemeyer

O arquiteto que fez os queixos do mundo caírem com seu projeto de capital futurista chamado Brasília.

Pelé

Ninguém foi tão sobre-humano num campo de futebol quanto ele. Nem ganhou três copas jogando.

Santos Dumont

Ao embarcar num aeroporto, lembre-se dele tirando o 14 Bis sair do chão em Paris e dando início à era do avião.

Mussum

Samba, humor e simpatia numa cara só. Tão espontâneo que virou um ícone que resiste até hoje.

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