6 ouros olímpicos que fugiram da gente

Cada vitória olímpica do Brasil entra merecidamente para a história. Mas aqui vamos lembrar de ocasiões em que o ouro esteve bem pertinho e escapou no fim

Natação, 1960

Recordista sul-americano dos 100 m nado livre, o paulista Manoel dos Santos disparou na prova da Olimpíada de Roma. Liderou nos primeiros 50 metros, só que se atrapalhou na virada. Heroicamente, Manoel se esforçou e até conseguiu recuperar a liderança quando faltavam 20 m. Mas, exausto, não sustentou a vantagem e, numa chegada embolada, acabou em terceiro lugar, meros dois décimos de segundo a mais que o vencedor, o australiano John Devitt. Esse bronze olímpico não foi o maior feito de Manoel: um ano depois, em setembro de 1961, ele bateu o recorde mundial dos 100 m no Rio de Janeiro. Manteve a marca até 1964.

Salto triplo, 1968

A maior meta do paulista Nélson Prudêncio na Olimpíada da Cidade do México era quebrar o recorde brasileiro do salto triplo – 16,56 m, ainda em poder de Adhemar Ferreira da Silva, bicampeão olímpico nos anos 1950. Mas, na altitude mexicana, o recorde mundial foi batido cinco vezes em dois dias de disputa por três atletas diferentes – e Prudêncio foi um deles. Em seu último salto na final, Prudêncio voou 17,27 m, superando os 17,23 m que o soviético Viktor Saneyev estabelecera minutos antes. Parecia insuperável. Mas, 25 minutos depois, o mesmo Saneyev saltou quase inacreditáveis 17,39 m e garantiu o ouro. Prudêncio ainda conquistaria um bronze em Munique, em 1972. Ele morreu em 2012, aos 68 anos.

Hipismo, 2000

O retrospecto era auspicioso: Rodrigo Pessoa e seu cavalo Baloubet Du Rouet foram tricampeões do Mundial de Hipismo em 1998, 1999 e 2000. E continuaram impecáveis nas provas classificatórias na Olimpíada de Sydney. Na final, a dupla foi a última a ir para o circuito de saltos. Só precisava fazer o percurso sem faltas, como conseguiram tantas outras vezes, para garantir o ouro. Eis que Baloubet derrubou um obstáculo no primeiro salto, se esforçou demais no segundo e empacou no terceiro, se recusando a saltar. Refugou, como se diz no hipismo. Eliminados de forma bizarra, Rodrigo e Baloubet se recuperaram nos Jogos de Atenas, em 2004: na hora, ficaram com a prata, mas herdaram o ouro um ano depois por causa de doping do cavalo irlandês que tinha vencido.

Maratona, 2004

Divulgação

Bicampeão pan-americano, o paranaense Vanderlei Cordeiro de Lima liderava a maratona em Atenas com meio minuto de vantagem sobre o segundo colocado no 36º quilômetro da prova – ou seja, faltavam apenas mais seis. Até que um padre irlandês chamado Cornelius Horan, notório invasor de eventos esportivos, surgiu no asfalto e abraçou Vanderlei na marra. O fundista levou quase meio minuto para se safar do alucinado, que foi preso. O brasileiro perdeu duas posições e ficou com a medalha de bronze. Como consolação, Vanderlei foi agraciado com a Medalha Pierre de Coubertin, por sua demonstração de espírito esportivo.

Vôlei masculino, 2012

O tri olímpico parecia muito perto para a seleção comandada por Bernardinho. O Brasil vencia a Rússia por 2 sets a 0 e precisava de apenas mais quatro pontos para fechar o jogo e comemorar. A situação parecia tão sob controle que o treinador se deu ao luxo de mandar para o jogo o veterano Giba, para que ele se aposentasse comemorando o ouro dentro da quadra. A seleção chegou a ter dois match points seguidos, ambos salvos pelos russos. Num esforço inacreditável, eles conseguiram vencer esse terceiro set por 29-27. E venceram o quarto set. E o quinto também. De quase campeão, o time brasileiro se viu como vítima de uma das maiores viradas já testemunhadas em qualquer esporte.

Boxe, 2012

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O peso médio Esquiva Falcão se tornou o primeiro brasileiro a disputar uma final olímpica de boxe em Londres. A decisão contra o japonês Ryota Murata foi equilibrada, mas Esquiva levava vantagem nos pontos até o terceiro e último round. Foi quando o pugilista capixaba sofreu uma punição de dois pontos por agarrar demais o adversário – algo que o japonês também vinha praticando sem receber pena semelhante. Apesar de tentar descontar a desvantagem, Esquiva acabou perdendo a luta por um mísero ponto: 14 a 13 na avaliação dos jurados.