Afinal, trair tem alguma chance de ser saudável para o relacionamento?

Antes de pular a cerca considere as consequências que isso pode ter, seja no relacionamento que você construiu, seja no sentido de confiança e autoestima

Traição casal

 (Pinterest/Reprodução)

Cedo ou tarde somos todos tentados pela grama do vizinho.

É uma parte inevitável da natureza humana, especialmente quando a curiosidade, o tédio ou a monotonia tomam conta de nossos corações — e nossas virilhas.

Dito isto, no longo prazo, se você for infiel e confessar suas andanças, poderia seu relacionamento ficar melhor? A pergunta parece cretina, mas muitos casais estão exatamente vivendo esse dilema. P

ara tentar trazer um pouco paz aos aflitos, vários psicólogos responderam a questão e ela é um retumbante: não, de forma alguma.

O psicoterapeuta Jenn Mann explica, quando se trata de confiar, a trapaça é como uma bomba. “Destrói a base essencial, que é necessária para um relacionamento bem-sucedido.

O desejo de ter nosso amado parceiro para nós é uma necessidade primordial e a quebra da monogamia pode inspirar um nível de mágoa e raiva”.

Antes de pular a cerca na direção de suas ambições desleais, considere as consequências que isso pode ter, não apenas no relacionamento que você construiu, mas também na seu sentido de confiança e autoestima. Aqui, apresentamos um olhar mais atento sobre o que a trapaça faz realmente a um casal.

 

O que acontece quando você “mija fora do pinico”?

Como a doutora Mann observou, um relacionamento saudável é fundamentado pela confiança — ela é que o faz se sentir confortável e o encoraja a ficar vulnerável na medida exata. 

A psicóloga Yvonne Thomas complementa: “Quando a confiança fica significativamente prejudicada, a intimidade emocional e física pode tornar-se pouco frequente ou até inexistente, e uma infinidade de sentimentos perturbadores como raiva, ressentimento, inveja, insegurança, mágoa e tristeza podem causar a temida desconexão”.

Para piorar o cenário, o traído corre o risco de entrar entrar numa espécie de looping de autocomiseração. “Quando um parceiro sai do acordo monogâmico, a identidade é ferida e questionada. ‘Não fui eu o suficiente?’ A parceira começa a não confiar em si mesma, em sua intuição, e em seu processo de tomada de decisões”, explica a psicoterapeuta Crystal Bradshaw. 

É por isso que antes de flertar ou dormir com outra pessoa é essencial entender que não trata-se de uma brincadeira qualquer com o status de relacionamento no Facebook, mas com o bem-estar emocional de alguém que topou dividir a pasta de dente com você. 

 

Por que algumas pessoas traem na esperança de melhorar o relacionamento?

Mann explica que é raro uma pessoa acreditar que ser infiel pode realmente melhorar seu relacionamento. Em vez disso, pensamentos de infidelidade são quase sempre um sinal de problemas subjacentes no relacionamento. 

“A razão número um pela qual as pessoas trapaceiam é a falta de conexão. A maioria das pessoas não percebe como é importante criar, manter e nutrir conexões. Sempre haverá tentações, mas quando um casal está se sentindo conectado, as chances de aceitar essas tentações diminuem significativamente ”, alerta. 

E não é o fascínio de alguém sexy ou irresistível, mas sim uma desconexão de sentimentos. Embora as aventuras sexuais possam ser interessantes e atraentes no início, quando as pessoas começam a procurar amor em outro lugar, não se trata de fazer amor. 

É sobre se sentir íntimo do ponto de vista emocional. “Estudos mostram que apenas 7% das mulheres traidoras e 8% dos homens traidores cometem adultério devido à insatisfação sexual. A grande maioria faz por falta de conexão emocional”, acrescenta.

Bradshaw entende que a traição pode estar ligada a um desejo de mudança de comportamento da parceira. “É uma forma de chamar a atenção e causar uma reavaliação do contrato de união”. 

Para outros, um caso extraconjugal é a maneira encontrada para dar um fim no casamento. “Alguns traem e isso não tem nada com seus companheiros. Foi a maneira encontrada para romper algo, que não faz mais sentido, apesar do sentimento de amor ainda existir”. 

 

Como trabalhar a traição

Primeiro ponto é entender se o amor ainda existe os dois. “Às vezes essa crise faz a dupla perceber o quanto eles valorizam um ao outro e os inspira a lutar pelo relacionamento. Às vezes, a trapaça permite uma análise fria do namoro e indica com exatidão porque a traição aconteceu”, diz Mann.

Quando ambos são capazes de ver como eles contribuíram para os problemas crescerem e em seguida, resolvê-los, idealmente a união entra numa nova etapa. 

Bradshaw ecoa esse sentimento, explicando que muitos casais são capazes de melhorar seus relacionamentos após as consequências de um caso, mas não é o caminho certo para provocar mudanças ou transformações, porque além de levar um tempo significativo, estamos falando de um pedreiro tentando erguer uma casa no meio de um furacão. 

Detalhe: a memória da traição nunca será apagada. “Ela será incorporada à sua relação e acionará conversas de um teor mais alarmista”. Ou seja, daqui para frente qualquer discussão, por mais boba que seja, podem ganhar contornos de novela mexicana e fazê-lo gastar uma energia sobrenatural.

Esse desperdício, infelizmente, precisa entrar na conta.

 

O que fazer quando for tentado

Qual é o único truque capaz de impedi-lo de entrar nesse barco sem volta? Bradshaw oferece uma palavra: comunicação.

Já tentou esse caminho com a parceira e a sensação é de estar batendo a cabeça na parede repetidamente, então talvez seja hora de procurar uma ajuda profissional. Nesse caso, terapia. 

Ela não topou? A saída é ir sozinho. “Você pode, mesmo sozinho, implementar a mudança desejada no seu relacionamento. Ou no pior dos cenários saber avaliar se vale a pena permanecer nela”.

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