Audi Ice Experience: o teste de velocidade no gelo inóspito da Lapônia

O programa de treinamento da Audi, na Suécia, faz com que o piloto se sinta um ás do esporte— só que ao volante, manobrando sobre um rio congelado

Kristoffer Pettersson

 (Kristoffer Pettersson/Revista VIP)

Tinha acabado de chegar.

O termômetro marcava 15 graus. Negativos.

Levando-se em conta que ventava, a sensação de temperatura era ainda mais baixa.

O irônico é que, se estivesse em um lugar protegido, apenas contemplando o lado de fora, provavelmente sentiria um frio psicológico.

O céu e a terra eram uma cor só, a neve uniformizando a paisagem geral.

Árvore, casa, carro, qualquer ser ou coisa ao relento, eram monocromáticos.

Inclusive eu, que andava de um canto para o outro, deslumbrado com o que via, enquanto tentava dizer sem titubear o nome daquela cidade: Arvidsjaur.

De novo: Arvidsjaur (agora acertei de primeira) é uma pequena cidade na Lapônia (isso mesmo, lá pelas bandas da terra do Papai Noel), a cerca de 100 quilômetros do Círculo Polar Ártico e de 700 quilômetros de Estocolmo, ao norte da Suécia.

Em suma, uma estação antes do fim do mundo – ao menos para quem vê o mundo daqui.

Photo: Kristoffer Pettersson

 (Kristoffer Pettersson/Revista VIP)

Embora seja um lugar charmoso, um ser dos trópicos como eu, recém-chegado, não estava conseguindo entender como cerca de 6 mil pessoas escolheram aquele território para morar os 12 meses do ano.

Bastou caminhar de um lado para o outro, porém, para começar a decifrar o enigma pessoal.

Ali é o paraíso para quem quer fazer passeios, esportes, turismo e, por que não, brincadeiras que envolvem o terreno gelado – e congelado.

E, afinal, era mais ou menos isso que eu fui fazer lá.

Me divertir desafiando o ambiente, só que ao volante de “trenós” motorizados — com um pedido de licença poética para me referir aos carros que estavam à disposição da Audi Ice Experience.

Durante dois dias e meio – viria a saber –, iria ter uma das experiências mais enriquecedoras na arte de domar um veículo que tenta a todo custo vencer a falta de aderência provocada por aqueles pisos escorregadios feito azulejo molhado.

Em tempo: nem precisa ficar com inveja, porque a Audi está disponibilizando essa oportunidade para os brasileiros também.

Photo: Kristoffer Pettersson

 (Kristoffer Pettersson/Revista VIP)

Antes mesmo de ser colocado à prova dirigindo automóveis com tração integral e uma parafernália eletrônica a serviço da estabilidade e do controle da máquina, pude provar, a contragosto, o piso que me esperava.

Apressando o passo para fugir do frio, derrapei na primeira curva e, em câmera lenta, me vi caindo sentado sobre o gelo.

Levantei o mais rápido que pude, sem maiores danos à “carroceria” – salvo o fundo da calça molhado.

Aquele tombo inesperado foi educativo.

Se ao menor vacilo andando eu já escorreguei, imaginei como seria desafiador manter o carro na sua trajetória, a uma velocidade muito maior, em uma pista em zigue-zague, sem limites impostos aos pilotos – salvo o bom senso.

A única certeza que passei a ter foi: comece devagar, reaprenda a andar e, depois de reconhecer bem o território, passe a se impor desafios de tempo, manobras, freadas e aceleradas.

Tudo certo, tudo combinado, mas, na hora de colocar a teoria em prática, não foi tão simples assim.

Arvidsjaur

 (Wikipedia Commons/Reprodução)

Dirigir na neve exige habilidades específicas do motorista e adaptações no carro, como pneus especiais, sistemas de controle próprios e uma dose cavalar de paciência.

A boa notícia é que, depois de ficar dois dias, aprendi bastante.

A experiência é construída de maneira que o motorista se adapte ao terreno, ao carro e ao seu estilo de “tocar”.

No primeiro dia o percurso é mais sinuoso, sem espaço para pisar fundo.

Grosso modo, o objetivo foi nos ocupar com as manobras e o freio.

No segundo dia, o trajeto estava mais convidativo a deixar o carro fluir, com trechos mais retos e com o motorista mais seguro.

No final do expediente, até fizemos uma competição para saber quem cumpria o circuito de pouco mais de 7 quilômetros no menor tempo.

Adianto: não venci a prova.

Kristoffer Pettersson

 (Kristoffer Pettersson/Revista VIP)

Colegas mais experientes naquela situação chegaram nos primeiros lugares.

Mas na competição comigo mesmo posso dizer que me tornei um campeão.

Saí da prova como um piloto melhor.

Embora não circule em trechos de neve no Brasil, o que aprendi ali me deixou bem mais capaz de dirigir em pisos com menos atrito.

No terceiro dia, nos deram de gorjeta a oportunidade de correr toda aquela pista, sem limites.

Me senti um esquiador. E dos bons!

Com um detalhe: tudo isso sobre um rio congelado.

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