Como lidar com a mulher-cafajeste

Nossa colunista ensina você a dobrar aquele tipo de mulher que age exatamente como o mais desprezível dos homens

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 (Pxhere/Reprodução)

Entre a queima de sutiãs, a tentativa de suavizar a espécie masculina e a suposta igualdade entre os sexos do mundo contemporâneo, surgiu um ser híbrido que você provavelmente já teve no seu ciclo de amizades (ou na sua cama): a mulher-cafajeste.

É aquela que transa com vários e faz questão de contar, geralmente desdenhando, falando do homem como se fosse um objeto e deixando bem claro que foi apenas uma trepada qualquer.

Ela não liga no dia seguinte, faz cara feia para qualquer menção a compromisso ou romantismo, dá em cima do homem da amiga sem a mínima noção de ética e acha que afirma seu poder através dessa atitude.

Exatamente como o antigo homem-cafajeste. E falo “antigo”, porque esse tipo de homem felizmente está em extinção.

O que nós mulheres temos visto ao nosso redor, querido leitor, são ou homens legais e bem resolvidos (clap! clap! clap! para vocês) ou homens sensíveis e um tanto quanto dispersos diante do poder feminino, agindo como adolescentes.

Mas, afinal, o que deseja a mulher-cafajeste, esse ser perdido no tempo e na luta dos gêneros? O que ela quer provar com essa atitude anacrônica? E por que há tantas dessas por aí?

Resolvi conversar com meu amigo Fabrício Carpinejar, poeta, escritor e grande entendedor da complicada relação entre homens e mulheres. Certamente, ele poderia me ajudar a desvendar essa questão.

Entre um café e outro na Livraria da Vila, chegamos a algumas conclusões.

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 (Pxhere/Reprodução)

A safada x A mulher-cafajeste

Não confunda a legítima safada com a mulher-cafajeste. A primeira merece todo o seu louvor. Segundo Carpinejar, a safada é aquela bem resolvida, que quer o autoconhecimento e novas experiências.

Ela é capaz de ficar com duas ou três pessoas ao mesmo tempo, sem nenhuma delas saber das outras. A safada é verdadeira em sua safadeza.

Já a cafajeste, concluímos, é aquela que entendeu errado o feminismo – porque, veja bem, feminismo não é revanchismo. Mas ela não entende isso.

“A cafajeste é uma simplificação, uma caricatura. Quer ser o homem e perde exatamente aquilo que é força da mulher, que é a fragilidade”, disse Carpinejar.

Como eu sempre digo, igualdade sexual e emocional entre homens e mulheres é impossível, e eu acho ótimo, pois o interessante é justamente essa diferença.

Qual é a da cafajeste?

Se suas atitudes são geralmente fa­kes, há alguma verdade nesse tipo de mulher? Na maioria das vezes, o que tem por trás é uma supercarência, ou tentativas passadas de amor frustrado, ou mesmo um romantismo exacerbado bem escondido por medo.

Tudo isso resulta nessa atitude over e combativa, como se ela tivesse que se defender de algo. Tratar o homem como inimigo é bo­bo e datado, já deveríamos ter resolvido essa questão em pleno século 21, não?

Mas ela usa essa postura supostamente feminista como proteção.

Como lidar com a espécie?

Se você for um homem-cafajeste ou se simplesmente não estiver tão interessado, pode se aproveitar da situação. Vá em frente e seja transitoriamente feliz.

Como bem observou Carpinejar, “ela é uma mulher sem compromisso, uma mulher que vai descartar o cara tanto quanto ele, vai facilitar o trabalho, nenhum dos dois vai ligar no dia seguinte”.

Agora, se você quer algo a mais, fuja desse tipo de mulher. A menos que você se apaixone e queira mudá-la. Como? Seja canalha também. Provando do pró­prio veneno, ela talvez se sinta incomodada.

Imagine esta situação: você a con­vida para um cinema, e ela responde ríspida que aquilo que rolou na véspera entre vocês foi só sexo e que não está a fim de levar adiante.

O que você deve fazer? Dê uma boa gargalhada e diga: “Que ótimo, então vamos pular o cinema e ir direto a um motel”.

Outra ideia é você conseguir desbravar o romantismo que ela tem escondido, provavelmente na base da insistência mesmo.

Existe a chance de ela computar as várias relações vazias que anda tendo (por opção) e comparar as sensações – e em algum momento sua dedicação vai surtir efeito. Insista.


As cafajestes do cinema

Catherine Tramell (Sharon Stone, em Instinto Selvagem)

Catherine Tramell

 (Youtube/Reprodução)

Ela deixa de quatro homens e mulheres sem se importar com as consequências. Com seu poder sexual, manipula o policial vivido por Michael Douglas até destruir a vida do cara e conseguir o que quer.

 

Andie (Kate Hudson em Como Perder um Homem em Dez Dias)

Andie How To Lose a Guy

 (Youtube/Reprodução)

Ela propõe para si mesma a tarefa de perder um homem em dez dias. O cobaia, Matthew McConaughey, também é cafajeste. Então, acabam se apaixonando, afinal, são carentes.

 

Estella (Gwyneth Paltrow em Grandes Esperanças)

Estella Great Expectations

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Sedutora, ela é daquelas capazes de ficar na cabeça do outro por anos. Brinca com o pobre e apaixonado Finn, dando esperança e logo sumindo. Sua atitude tem a ver com uma visão amarga sobre o amor.