Comportamento, Saúde & Fitness

Como viver mais e melhor, segundo Abilio Diniz e outros mentores de saúde

 

Aos 81 anos e corpinho – e disposição – de pelo menos metade disso, o empresário Abilio Diniz resolveu revelar o segredo de sua juventude.

E lançou o Plenae, uma plataforma digital gratuita que tem como objetivo divulgar conhecimentos ligados à longevidade com qualidade.

O portal e o canal no YouTube reúnem matérias e vídeos no estilo TED Talks sobre saúde, alimentação, controle do estresse, sono, mindfulness, esporte e uma série de outros temas, divididos em seis pilares: corpo, mente, relações, espírito, propósito e contexto.

O site traz textos assinados pelo próprio Abilio e por sua equipe, além de outros traduzidos de estudos científicos.

Já os vídeos do canal no YouTube são entrevistas feitas em estúdio ou speechs rápidos (ok, uns mais, outros menos) de cientistas e pesquisadores que Abilio Diniz considera seus mentores de corpo e mente.

“A genética é responsável por apenas 20% daquilo que somos. Os outros 80% dependem de nós mesmos ou de nosso entorno”, afirma o empresário.

“O importante é o que nós devemos fazer: nos cuidar, fazer atividade física, prestar atenção na alimentação, sermos otimistas, determinados, estarmos dispostos a buscar. No Plenae, nós vamos fazer uma curadoria do conteúdo existente e investir em quem faz pesquisa e juntar isso tudo numa plataforma, para que milhões de pessoas tenham acesso gratuito.”

Com seis filhos – os mais novos de 8 e 11 ­anos –, 17 netos e dois bisnetos, Abilio Diniz conta que precisa de energia.

“Procuro me manter forte, com as pernas saudáveis, para poder fazer com meus filhos coisas como esquiar.

O desafio é estar com eles sem que precisem restringir suas atividades para eu poder acompanhá-los”, conta.

Conheça algumas das lições que o empresário e seus mestres têm a ensinar.

 

1. Conheça suas limitações

(Pixabay/Reprodução)

Para Abilio Diniz, não é preciso jogar squash duas vezes por semana, lutar boxe uma vez, correr constantemente na esteira de costas, tudo isso como ele faz, para conseguir alcançar a longevidade.

O importante, diz ele, é fazer algo, mas entender até onde seu corpo pode ir.

“Na medida em que vamos envelhecendo, vemos o enfraquecimento do corpo. Ter consciência disso é essencial”, afirma.

 

2. Faça diferente

(Pixabay/Reprodução)

Para Ellen Langer, professora de psicologia na Universidade de Harvard e fundadora do The Langer Mindfulness Institute, quando alguém nos diz algo que parece fazer sentido, como a soma de 1 + 1 ser 2, nós aceitamos.

“O problema é que, quando fazemos isso, não conseguimos mais ver as coisas de um jeito diferente”, diz.

“Se você usar o sistema decimal, 1 + 1 é mesmo 2. Mas se usar o sistema binário, a resposta é outra. Quando você acha que sabe a resposta, não pensa mais sobre ela.”

É isso que Ellen chama de mindlessness, ou falta de atenção plena – o contrário do conceito de mindfulness, atenção plena.

“A maior parte de nossas doenças são consequência direta ou indireta do mindlessness, e estudos científicos provam que pessoas que desenvolvem a atenção plena vivem mais. Ser mindfulness é sair do piloto automático. Simplesmente note o que acontece ao seu redor. As coisas podem parecer as mesmas, mas procure algo novo. Sempre tem. Se nós fizermos sempre as mesmas coisas, vamos chegar sempre às mesmas conclusões.”

Como fazer?

A cientista Ellen Langer ensina a praticar seus conceitos:

1. Faça escolhas, não deixe os outros decidirem por você;
2. Viva o momento e questione tudo como se fosse a primeira vez;
3. Lembre que tudo muda e é diferente sob várias perspectivas

 

3. Cuide da alimentação

(Pixabay/Reprodução)

Para Abilio Diniz, o pilar essencial da longevidade é a alimentação.

Ele diz que gostar de comidas como pizza, lasanha, churrasco e feijoada não é um problema.

No entanto, consumi-las deve ser a exceção à regra, principalmente ao longo do envelhecimento, quando necessitamos de doses maiores de bons nutrientes – e menos de grandes quantidades.

“Na vida, não é nada legal fazer sacrifícios. Se cuidarmos razoavelmente bem do que comemos no dia a dia, teremos espaço para comer com prazer também”, conta.

 

4. Imite as zonas azuis

(Gianluca Colla/Reprodução)

O explorador Dan Buettner identificou as cinco “zonas azuis” do planeta – locais onde se vive mais de 100 anos.

E conta que pode calcular com quantos anos você vai morrer com base no que aprendeu. Marque 1 ponto para cada sim:

■ Você acorda descansado?

■ Move-se 45 minutos ao dia ou mais?

■ Consome pelo menos três porções de vegetais diariamente?

■ Não faz sexo sem proteção com alguém que não conhece?

■ Tem pelo menos três amigos com quem pode ter conversas profundas, ligar num dia ruim e de quem gosta?

■ Pertence a alguma comunidade espiritual, seja qual for a crença?

■ Não fumou nos últimos cinco anos?

■ Tem saúde para viver até os 90?

Até 2 pontos: 77 anos.

Até 5: 83.

Até 7: 89.

8: mais do que 90.

As zonas azuis

(Youtube/Reprodução)

1. Loma Linda, EUA

2. Nicoya, Costa Rica

3. Sardenha Itália

4. Ikaria, Grécia

5. Okinawa, Japão

 

5. Espere os frutos de cada fase

(My Fitness Tipster/Reprodução)

Segundo o historiador Leandro Karnal, o ser humano tem uma série de momentos ótimos ao longo da vida.

“A maior contribuição profissional se dá aos 25 anos. No entanto, nosso maior desempenho de maturidade está entre 40 e 50 anos – é quando sai seu melhor livro, sua fase mais produtiva ou a de melhor relação familiar.”

O professor explica que, após os 60, vivemos um ápice de sabedoria. Portanto, é importante participar ativamente desse exercício de paciência.

 

6. Cuidado com a água

(PIxabay/Reprodução)

De acordo com Jeanette Bronée, consultora da Path For Life, ainda que beber água seja um mantra de boa saúde, é necessário se atentar às propriedades do líquido.

“Quanto mais alcalina for, melhor é para nossa saúde. Se queremos beber algo mais puro, podemos pensar em alcalinidade, o que indica alta quantidade de minerais”, conta.

Segundo a especialista, as funções anti-inflamatórias de nosso organismo são ativadas com esse tipo de água.

 

7. Mantenha a mente ativa

(Huff Post/Reprodução)

O cantor Martinho da Vila, aos 80 anos, usa o próprio exemplo para dizer: nunca é tarde para dar bons estímulos à mente.

Como a cabeça pode padecer de forma significativa conforme a velhice chega, o músico fala dos ganhos de driblar a vergonha e começar uma nova empreitada intelectual apesar da idade.

“Entrei em relações internacionais na Universidade Estácio de Sá com 76 anos. Tinha colegas de 18. O curso dura três anos e o último é reservado aos preparativos para a vida profissional, monografia. Mas eu parei antes disso”, brinca.

Bom humor, aliás, é essencial para uma vida longeva.

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