Conecte-se a si mesmo

A difícil equação de alinhar objetivos profissionais e necessidades pessoais tem um caminho possível: o autoconhecimento

Alinhar as necessidades pessoais com os objetivos profissionais tem sido a meta e o desafio de todo cidadão que trabalha firme. A vida do homem contemporâneo se resume basicamente a resolver essa difícil equação em que se busca conciliar os planos de realização e de bem-estar com as exigências e os limites da realidade. Fora das repartições públicas, que também são uma opção a se considerar, ficaram para trás os modelos ideais de carreira, o conforto da inércia e a possibilidade de seguir em linha reta, e aumentaram exponencialmente as possibilidades de acidentes de percurso, que impõem mudanças abruptas de rumo.

Mais do que nunca, o desenvolvimento profissional está ao alcance do indivíduo e da sua capacidade de trabalhar em rede. E uma de suas principais condições para prosperar, além do aprimoramento de habilidades técnicas e de gestão específicas, é o autoconhecimento. É a expansão dessa qualidade que permitirá ao profissional fazer boas escolhas, manter o controle psicológico e o foco, evoluir nos relacionamentos e encontrar seu caminho. Saber o que quer costuma ser o primeiro passo para se atingir um objetivo. O segundo é descobrir como alcançá-lo.

Novas gerações de candidatos a gestores que saem das universidades e chegam agora ao mercado se mostram insatisfeitas com a cultura corporativa e as relações de trabalho que se forjaram no século passado. Estruturas rígidas e hierarquizadas se tornam cada vez mais improdutivas e ficam desinteressantes para inúmeros jovens talentosos e ansiosos por protagonismo, que procuram rotinas criativas e um maior retorno sobre os resultados de sua atividade.

Entre os profissionais maduros, embora a disposição para correr riscos seja menor, a situação não é tão diferente, e o status e a segurança garantidos com um emprego numa grande empresa, com frequência, se transformam em uma barreira de acomodação para voos mais altos. A partir dos 40 anos, quando o conhecimento adquirido na educação superior está consolidado e a carreira, aparentemente, encaminhada, é normal que surja um maior questionamento de propósitos relacionado com os esquemas engessados ou com a ética das organizações, com as metas pessoais e a qualidade de vida e com uma identificação mais clara das aspirações pessoais e da visão de futuro.

“Há importantes macrotendências no mercado de trabalho, como o aumento da longevidade, a mobilidade profissional e a atividade em rede”, diz o engenheiro e administrador Francisco Martinez, presidente da Wave, empresa de consultoria, investimentos e coworking orientada para executivos sêniores. “A relação entre as empresas e as pessoas está mudando fortemente, a economia se arranja em outro tipo de sistema e muitos profissionais começam a enxergar que a melhor saída é fazer outra coisa.” O impulso fundamental para a transformação pode ser uma demissão ou a venda da própria empresa, que obrigam profissionais a buscar novas oportunidades, mas também pode ser consequência do estresse e da infelicidade, do desalinhamento com os valores do empregador ou, de modo geral, da falta de qualidade de vida.

A cada ano que passa os brasileiros ganham três meses a mais para viver. Em 2016, segundo o IBGE, a população masculina alongou sua existência para 75,5 anos e a feminina, para 79,1 anos. Em 1980, os homens nascidos no país tinham esperança de alcançar, em média, meros 62,5 anos. Na prática, isso significa que as pessoas precisarão se manter produtivas por muito mais tempo e que o futuro profissional ficou bem mais longo e incerto. Em compensação, várias formas para se lidar bem com ele, tanto de imediato como em longo prazo, têm se mostrado eficazes. Todas convergem para a melhoria da saúde, da mente e da conta bancária. Prepare-se.


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Todos querem empreender. Mas não é para todos!

Empreender tem sido a saída para quem quer dar uma volta na carreira. Muitos fazem intuitivamente e outros, quando desafiados. Vontade de fazer e crescer com novos parceiros, ganhar dinheiro, tangibilizar resultados e, também, desenvolver seus negócios motivam os empreendedores. O problema é o risco, que sempre é alto. As chances de fracassar ou sair pior do que o esperado, pelo menos a curto prazo, são altas. Sem análise adequada, plano de negócios, conhecimento técnico, boa gestão, persistência e paciência, é melhor pensar em outras alternativas.

Estudos acadêmicos mostram que não existe o tal “perfil empreendedor”, já que não há qualidades obrigatórias para o sucesso. A falta de características inatas, portanto, não é empecilho para criar o próprio negócio – especialistas afirmam que é possível aprender a ser empreendedor. Mesmo assim, de cada dez empresas que abrem no Brasil, seis não sobrevivem após cinco anos de atividade, de acordo com dados do IBGE.

No entanto, quando a iniciativa empreendedora dá certo, além dos esperados lucros, traz satisfação pessoal e autoestima. No processo de consolidação de sua empresa, o profissional tem oportunidade de se desafiar, conhecer suas limitações e desenvolver a visão estratégica. Se não sabe, terá que aprender a planejar, negociar, se relacionar com pessoas e organizar as contas. Aprender a lidar com o sucesso também é um desafio.

A força que me empurra é a motivação pela perspectiva, a convicção de que o negócio vai progredir e gerar empregos.

Formado em marketing, com cursos nos Estados Unidos e MBA na USP, Marcelo Bicudo, 42 anos, CEO da Allpoint, vive, hoje, as delícias do empreendedorismo. Sua empresa, criada em 2015, gerencia o maior programa de fidelidade hoteleira do mundo, com 465 mil hotéis cadastrados. Bicudo teve a carreira bem trilhada no grupo Atlântica Hotels (chegou a diretor de marketing) e desenvolveu suas habilidades na consultoria Markan, desde 2008. Como consultor, implantou programas de fidelidade para redes hoteleiras e de varejo. Foi o que lhe despertou para a oportunidade de criar a Allpoint.

“A força que me empurra é a motivação pela perspectiva, a convicção de que o negócio vai progredir e gerar empregos”, diz. “No início, empreender é dolorido, há sofrimento, mas eu nunca acreditei tanto e trabalhei com o mesmo propósito. Conectar a vida profissional com algo em que se acredita faz com que eu acorde feliz todos os dias.”


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MBA? Melhor fazer um curso de filosofia

Ninguém aqui está dizendo que fazer um MBA ou um mestrado não são boas ideias. Eles ampliam os horizontes dos homens de negócios e costumam proporcionar aumentos salariais e saltos na carreira, além de novas perspectivas de futuro. Além disso, MBAs on-line também se tornaram boas opções. O ensino a distância vem sendo cada vez mais valorizado e especialistas no assunto, como o diretor da FGV Management, Paulo Lemos, atestam que ele pode funcionar perfeitamente em centros de ensino reconhecidos. Só depende do compromisso e do envolvimento
do aluno.

Escolas de negócios, porém, no novo mundo do trabalho, são só a opção mais óbvia. Existem novas demandas profissionais que extrapolam o enredo dos MBAs. Com a multidisciplinaridade aproximando todos os campos do conhecimento, pode ser mais interessante fazer um curso de filosofia, ciências sociais ou de análise de sistemas. Só você saberá qual.

Formado na Escola Politécnica da USP, o engenheiro elétrico Yoshimiti Matsusaki, 52 anos, CEO da empresa de softwares Finnet, que ele fundou em 2004, fez uma escolha pouco convencional. Matsusaki teve uma longa carreira em multinacionais de telecomunicação e cursou MBA em marketing no Insper. Há cinco anos decidiu fazer psicologia na Universidade Paulista. Formou-se no final do ano passado. O foco dos estudos, bem alinhados com seu trabalho, é a cognição, a capacidade humana de entender as coisas. Além de usar o conhecimento na área para melhorar a gestão de pessoas em sua empresa, o objetivo do empresário com a psicologia está relacionado ao futuro de seus softwares, que deverão usar cada vez mais recursos de inteligência artificial.


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Coaching: solução para entender seu lugar

O engenheiro de produção carioca Renato Roizenblit, 44 anos, formado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, trabalhava há 11 anos na área de planejamento da multinacional Esso quando decidiu, por conta própria, procurar um serviço de coaching (treinamento, em inglês), método de capacitação e desenvolvimento humano que pode produzir mudanças positivas e prolongadas em um curto prazo. Roizenblit estava insatisfeito com suas funções e achava seu trabalho chato. Cumpria seus compromissos, mas ficava esperando o fim de semana chegar. “O coaching me deu direção e sentido”, lembra. “Estava bem empregado, mas buscava ser feliz.”

O trabalho de coaching serve perfeitamente para ajudar um gestor a saber rápido se ele está no lugar certo e o que deve fazer para permanecer e crescer no emprego ou começar a procurar outras oportunidades. Ajuda muito também a orientar o sujeito sobre o que ele quer, de fato, realizar. É um recurso excelente para abrir a consciência sobre o lugar na carreira de cada um e para tornar um profissional mais produtivo e ensiná-lo a lidar melhor com as mazelas do dia a dia. Também contribui para eliminar as deficiências, amplificar as virtudes e melhorar a integração do profissional no time.

O coaching me deu direção e sentido. Estava bem empregado, mas insatisfeito, e buscava ser feliz.

“O coaching é uma ferramenta poderosa de aceleração do desenvolvimento pessoal e profissional”, diz Karin Parodi, fundadora da Career Center, consultoria especializada nesse serviço. “Preparamos o gestor para o presente e para o futuro e podemos ajudar desde um jovem promissor a se alinhar com a cultura da empresa ou a dar o próximo passo na carreira até um executivo experiente em fase de transição”, afirma. Um programa de coaching pode durar de seis meses a um ano. Dados de uma pesquisa recente feita pela consultoria Robert Half mostra que coaching é o método mais usado no país para melhorar ambientes profissionais.

Graças a um programa bem executado, Roizenblit descobriu que estava no lugar errado, e que a área que lhe interessava, daquele momento em diante, era a financeira. Um ano depois, em 2006, conseguiu um posto como gerente de controladoria no Unibanco e abriu seu caminho para cuidar de investimentos de pessoas físicas, seu principal ponto de interesse. Gostou tanto do assunto que é a especialidade que exerce com sucesso até hoje.


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Seu novo emprego pode estar à sua frente: é seu hobby

Um hobby ou uma atividade secundária pode se tornar um campo de oportunidades e definir o destino de um profissional. Não é incomum, por exemplo, que uma pessoa se envolva com um esporte a ponto de decidir, em certo mo- mento, concentrar seus negócios no setor, criando uma loja especializada ou prestando algum serviço útil aos praticantes. O mesmo acontece com fabricantes de cerveja e outros produtos artesanais.

Isso pode envolver uma ruptura inesperada, como aconteceu com o economista carioca Marcos Cerutti, 43 anos, formado na PUC-RJ, que se transformou em um padeiro primitivo. Trabalhando na rede de postos de gasolina da família desde a adolescência, Cerutti vivia insatisfeito com seu destino profissional. Diz que nunca colocou o dinheiro em primeiro plano e, nos tem- pos de gestor, se preocupava mais com a sustentabilidade econômica e ambiental dos negócios do que com lucros imediatos. Mesmo assim, distante de sua vocação e sem própositos, seguia na diretoria financeira e no conselho administrativo da companhia. A certa altura, veio a depressão.

A chance de sair da tristeza surgiu quando a empresa levou adiante a construção de um posto de combustíveis totalmente sustentável no bairro da Lagoa. O projeto incluía nas instalações algumas lojas agregadas, como uma padaria. Mas ele achou uma aberração ter no projeto uma padaria que usava produtos químicos – nada tinha de sustentável na concepção. Para resolver o problema, tratou de harmonizar sua instalação com o restante do posto. Nesse esforço, decidiu seguir uma nova carreira, embora não tivesse qualquer experiência anterior na produção e venda de pães.

“Certo dia, cheguei em casa e disse para minha esposa que iria largar tudo que estava fazendo para virar padeiro”, lembra. Nos dias seguintes, o empresário fez a lição de casa: passou a estudar o mercado, planejar e analisar as possibilidades de sucesso. Escolheu uma forma ancestral de fazer o produto. Com sua S.p.A Pane, criou também o conceito de one man bakery, em que uma única pessoa consegue tocar o negócio e garantir renda para seu sus- tento. O modelo é totalmente

baseado em comércio on-line. Ele começou com recursos escassos, mas conseguiu se consolidar. “As dificuldades financeiras que enfrento são absorvidas pelo ganho pessoal”, afirma. Hoje, produzindo cerca de 2 mil pães por mês em uma sala de 40 metros quadrados no mesmo posto da Lagoa, todos entregues por motoboys até duas horas depois de assados, o empresário se sente plenamente realizado. “Prefiro que meu filho Nicolas, de 8 anos, tenha um pai feliz a um pai rico.”


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As meditações eficazes contra o estresse

O vilão da vida moderna é um velho conhecido de todos nós. O estresse pode mostrar seus piores efeitos e tirar a pessoa do prumo. Às vezes, o entrave psicológico se torna agudo e, com ele, vêm a paralisia, a agressividade e a depressão. A ciência já descobriu que uma boa saída para combater o estresse e cortar a depressão pela raiz é a meditação, um exercício mental que, bem aplicado e treinado, traz resultados rápidos e não concorre com outras formas de apoio.

Duas técnicas de meditação que estão adaptadas ao Ocidente são o mindfulness, também chamada de atenção plena, e a meditação transcendental, desenvolvida pelo matemático e físico hindu Maharishi Mahesh Yogi, no final dos anos 50. Considerando o pouco tempo de dedicação diária, ambas proporcionam uma qualidade do repouso superior a de muitas horas de sono. Uma diferença entre elas é que a transcedental tem mantra. “A meditação transcendental é uma ferramenta consistente para desenvolver excelência na ação”, explica o professor de educação física carioca Kleber Tani, 55 anos, que há mais de três décadas propaga os ensinamentos de Maharishi entre os brasileiros. Hoje, na sua academia na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, prepara mentalmente todos que o procuram, incluindo atletas de alto desempenho e executivos que buscam uma forma de organizar melhor as ideias no trabalho e na vida em geral.

“Quando o estresse é eliminado, a mente funciona de maneira mais rápida, o raciocínio melhora e qualquer ruído mental desaparece”, afirma Tani. “A pessoa consegue filtrar melhor o que pensa e direcionar a tensão para o que se deseja”, diz. De um modo geral, segundo ele, ela dá mais clareza para o pensamento e eleva o índice de assertividade nas escolhas. E uma revisão feita por pesquisadores da Case Western Reserve University, de Ohio, em mais de 4 mil estudos sobre mindfulness foi publicada em 2015 no Journal of Management. Ela aponta que há evidências de que o método torna empregados mais eficientes e facilita as relações interpessoais em cargos de liderança e trabalho em equipe.

Quando o estresse é eliminado, a mente funciona de maneira mais rápida, o raciocínio melhora e qualquer ruído mental desaparece.

O publicitário mineiro Gustavo Ziller, 42 anos, que hoje medita diariamente e faz ioga, lembra-se perfeitamente daquele dia de julho de 2012, quando manifestou a chamada síndrome de burnout, ou do esgotamento profissional, descrita pelo psicanalista americano Herbert Freudenberger, na década de 70, após constatá-la em si mesmo. Burn out significa queimar completamente, entrar em colapso, chegar ao limite. Ele dirigia seu carro pelas ruas de São Paulo quando apagou. Conseguiu parar o veículo antes de causar um mal maior a si próprio ou a terceiros. Andava esgotado com o trabalho à frente da empresa de aplicativos .Mobi, que havia acabado de adquirir sua startup Aorta, fundada dez anos antes.

Desinteressado pelos objetivos de integração das duas empresas, Ziller decidiu, naquele dia, transformar sua vida. Voltou para Belo Horizonte com a família para se reaprumar e recarregar as baterias e, na sequência, passou um mês no Nepal, onde começou uma nova jornada de aventureiro, apresentador de TV, professor e escritor. “Voltei para as minhas origens de produtor de conteúdo.” Na ocasião, subiu até o campo base da Montanha de Annapurna, com 8 091 metros. O campo base fica a 4 300 metros, a meio caminho do pico. “Queria viver algo que nunca tinha vivido e encontrei isso no Nepal”, lembra. Desde então, estabeleceu a meta de conquista dos sete cumes, grande desafio do alpinismo mundial que envolve a escalada do maior pico de cada continente. Ziller já escalou três: o Aconcágua (América do Sul), o Kilimanjaro (África) e o Elbrus (Europa). Suas conquistas são assuntos de livros e de um programa de TV no Canal Off. Ele também dá aulas para alunos do ensino médio sobre escolha de profissão e de marketing digital em universidades.


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O esporte seria capaz de ajudar a alavancar sua carreira?

O esporte é saúde, lazer e também costuma ser um elemento transformador pessoal e profissional. Combate o estresse, ajuda a organizar os pensamentos e a rotina, ajusta o foco, melhora a aparência e a autoestima. Além disso, queima a gordura, eleva a massa muscular e fortalece vários sistemas do corpo humano, em especial o cardiovascular. É uma segunda atividade perfeita, que canaliza e absorve excessos de competitividade, ensina a trabalhar em equipe e exige o deslocamento da atenção da mente no trabalho.

O aumento da prática de esportes no Brasil é uma das mais óbvias razões para o aumento da expectativa de vida da população – uma pesquisa feita pelo Sesc, por exemplo, mostrou que o número de pessoas que procuram as unidades para iniciar uma prática esportiva cresceu 38 vezes entre 2009 e 2015. Em uma conjuntura difícil como a atual, o esporte se torna indispensável para a saúde mental de seus adeptos. Quem pratica há um bom tempo sabe o quanto ajuda no desenvolvimento profissional e influencia direta e positivamente na evolução das próprias rotinas e no modelo de trabalho das corporações. Todas, hoje em dia, estimulam o esporte – nas mais flexíveis, inclusive durante o horário de trabalho. Academias em empresas se tornaram corriqueiras. Corridas de rua viraram uma febre entre profissionais de todas as idades e níveis.

Autor do livro Rotinas Criativas (Arquipélago Editoral), que chega às livrarias em março, o jornalista Alexandre Teixeira, um estudioso da felicidade nas carreiras, diz que o esporte se transformou em um elemento estruturante das rotinas diárias da maioria dos executivos e empresários. “O esporte é a principal ferramenta da geração que chamo de pós-workaholic para atingir o bem-estar físico, base da pirâmide de desempenho em todas as áreas da vida”, afirma. Em seu livro, que ele classifica como “um antimanual de gestão do tempo”, a rotina diária de cerca de 20 executivos é descrita e analisada. A grande maioria deles tem uma história de transformação pelo esporte.

Praticar ciclismo de estrada, 60 quilômetros três vezes por semana, me ajudou a melhorar minha qualidade de vida e minha relação com as pessoas.

CEO dos hospitais paulistanos Bandeirantes e Leforte, o biomédico Rodrigo Lopes, 45 anos, pai de duas crianças, é um exemplo de profissional que usa o esporte como ferramenta de evolução pessoal e de carreira. Nascido em Santos e formado na Universidade de Mogi das Cruzes, ele tem três MBAs, em gestão hospitalar, financeira e recursos humanos. Praticou esportes a vida inteira: natação, tênis, jiu-jítsu. Mas, há três anos, se encontrou na prática de ciclismo de estrada, que passou a orientar sua vida. Atividade difícil, desgastante, com treinos longos e demorados, o ciclismo exige que Lopes acorde às 4h30 da manhã, três vezes por semana, para pedalar 60 quilômetros em sua bicicleta de fibra de carbono que pesa 6,8 quilos.

“Melhorei minha qualidade de vida e minha relação com as pessoas”, afirma, orgulhoso de influenciar para a prática do ciclismo vários funcionários dos hospitais que comanda. Instalou uma base para encontros da turma do pedal em frente ao Hospital Bandeirantes e criou uma unidade para atendimento clínico e um check-up especial orientado para ciclistas. Várias ações sociais da instituição também passaram a ser inspiradas pela atividade, e Melo mobiliza recursos do Hospital Leforte para fazer o atendimento médico de provas de estrada. O esporte modificou sua maneira de pensar e estabeleceu novos propósitos de trabalho.