Conheça Ricardo Corbucci, o brasileiro mais comilão da internet

Conversamos com o comilão oficial do YouTube brasileiro e vimos que há muita curiosidade por trás das montanhas de comida.

Ricardo Corbucci

 (Ricardo Corbucci/Divulgação)

Os quase 250 mil fãs e vídeos com mais de 500 mil visualizações não são os números que mais chamam atenção na vida de Ricardo Corbucci.

Aos 31 anos, formado em ciência da computação — além dos dois anos cursados em nutrição na Universidade de Brasília –, o brucutu da fome agora também ostenta o posto de Youtuber: superou a época do flerte com a fama e, em 2018, já abocanha o sucesso no canal Corbucci Eats.

Uma centena de esfihas. Quatro quilos de miojo. 250 peças de comida japonesa. Um sanduíche de mais de 120 centímetros.

Com uma câmera focada em Plano Americano e uma edição nada elaborada, o brasiliense descarta roteiros complicados e devora, impiedosamente, pratos amados pelo público em quantidades sobre-humanas. É um predador nato.

A VIP foi atrás dessa história, sem deixar passar uma migalha.

Super Size Me 

Mesmo com o progresso dos dias de hoje, o lado positivo dessa voracidade diante das bandejas e travessas – que até parecem encolher – não reflete toda a história até aqui.

Até 2010, com o monstro ainda adormecido, Corbucci sofria com problemas de peso e sedentarismo.

Além da baixa autoestima, a falta de atividades físicas e de uma boa alimentação rendiam uma perigosa combinação.

Por isso, a tarefa de conciliar uma fome “fora do comum”, como ele mesmo define, com seu quadro de obesidade poderia facilmente ser um dos trabalhos de Hércules.

Dentro de um ciclo vicioso de fome e sobrepeso, a primeira coisa a se fazer seria repensar a dieta. E o primeiro passo, já diz o clichê, é o mais difícil.

A saída, então, só viria de uma decisão drástica. E às duras penas. Eis que, há cerca de oito anos, engatinhava uma novo e necessário estilo de vida, que hastearia uma bandeira branca entre o jovem rapaz e sua saúde comprometida.

“Eu fazia algumas poucas dietas, mas não ajudava muito. Precisava mudar meu dia a dia. Eu já tinha uma pré-disposição para comer bem maior do que a das pessoas. Por conta da minha condição, a academia virou parte da rotina”, conta.

Durante os anos em que se dedicou a mudar de vida, o brasiliense adquiriu uma verdadeira relação de intimidade com a boa forma. Além de malhar, o controle de qualidade do que coloca no prato é quase militar, ainda que as grandes quantidades se mantenham. Na balança, quilos a menos. Goela abaixo, tudo na mesma.

Nem só de (um) pão vive o homem 

Anos se passaram e o relacionamento poliamoroso de Ricardo com a comilança e a vida saudável seguia firme e forte. A tarefa de equilibrar as duas coisas é desgastante, mas não impossível.

E durante essa empreitada, o brasileiro mais faminto da internet teve visão (ou um olho maior do que a barriga). Por que não aliar os conhecimentos nutricionais e a garfadas exageradas em um hobby?

Nesse brainstorming pessoal, veio a ideia de usar de seu super-poder para chamar a atenção do público. Em 2016, o primeiro desafio. A lanchonete foi bem clara. Para vencer a prova, era só mandar para dentro três míseros litros de açaí. Moleza.

“Eu pensei, poxa… Eu já consumo quase isso. Não de uma vez, mas não é tão difícil. Então pensei que poderia dar conta”.

A regra era bem clara. A fruta batida precisava ser esgotada em menos de 60 minutos. Corbucci matou em quatro.

A travessa, com o tamanho da circunferência de uma bola de basquete, parece um pequeno bowl de sobremesas na mão do comilão maratonista

 

Daí em diante, um mundo se abriu. O homem da fome imparável descobriu que nos Estados Unidos, essa história de comer demais é coisa séria.

Além de muito popular, a corrida das mordidas é um esporte oficial por lá. Conta com uma Liga Oficial, que regulariza e sanciona torneios e transmissões ao vivo nos canais esportivos.

A liga, com sede em Nova Iorque, é um braço da Federação Internacional, afiliada ao governo.

Após pesquisar mais sobre o novo universo, Ricardo encontrou outros pontos da capital que faziam seus próprios duelos alimentares. Como aprendeu que gravar as proezas era um bom negócio, sacou a câmera e foi em frente.

Em pouco mais de um ano no ramo da monstruosidade, são mais de 30 vídeos postados. Nos primórdios de sua página oficial no Youtube – agora com status “verificado” graças ao sucesso – é possível ver algumas sequências de exercício, que comprovam seus primeiros passos.

As imagens do início, em que levanta mais de 160 quilos em séries de agachamento, foram trocadas por takes de levantamento de colher. As repetições no supino, com aros que, juntos, somam quase 150 quilos, viraram garfadas ininterruptas. Tudo isso pouco tempo depois da estreia de seu perfil virtual.

Após exatos três episódios de halterofilismo e da primeiríssimo tira teima (com os litros de açaí) eis que o homem, com barba bem feita, cabelo curto e tradicionalmente vestidos roupas de ginástica começa sua escalada rumo aos bons números da visibilidade.

Ricardo Corbucci

 (Ricardo Corbucci/Divulgação)

Na sequência, quando põe para dentro cerca de cinco quilos de arroz, carne moída, legumes no vapor e melancia, morde os primeiros 100 mil de pessoas na audiência. E assim sucessivamente.

Como se não bastasse se mostrar um exímio mestre na arte de comer muito, há outra marca a se alcançar: a de ingerir tudo isso em tempos recordes cada vez mais curtos. As porções, que em situações normais serviriam bem uma família durante uma alongada hora de almoço, viram verdadeiros petiscos na mão de Ricardo.

Como os 4,3 quilos de hambúrguer, que vão da bandeja ao estômago em pouco mais de meia hora, engolidos ao som de um heavy metal desconhecido. O challenge da vez celebrava os 100 mil inscritos no Corbucci Eats.

A gente não quer só comida

A VIP foi além e investigou os bastidores do brasileiro que já se destaca entre as pilhas de seguidores, pizzas e ideias. Muito além da fome, há uma pessoa descontraída, simpática e resiliente.

Contamos na íntegra quem ela é.

VIP: Fora das competições, qual é o prato do Ricardo no dia a dia?

Ricardo Corgucci: O que faço nos vídeos é o oposto da minha rotina. Só como coisas sem açúcar, por exemplo. Até para manter a saciedade, faço duas refeições ao longo do dia. Geralmente tem uma proteína (300g) e completo com arroz integral e vegetais e folhas, até dar um quilo.

 

VIP: Então há uma preocupação com a saúde. O que fazer em relação a isso, com tanto fast food consumido em alguns dos vídeos?

Ricardo Corgucci: Querendo ou não, o corpo sente. No dia seguinte fico inchado, cansado. Há uma preparação.  Basicamente, no dia anterior, eu faço uma refeição bem grande, para dilatar momentaneamente o estômago. Na verdade, eu como muito um dia antes para poder acostumar o corpo. Melancia, que tem muita água, por exemplo, é bom comer.  Pão, por exemplo, são mais difíceis. Depois um jejum de 16 a 18 horas, que já me faz chegar vazio até o desafio. Depois de comer muito, faço novo jejum de muitas horas. Também consumo muito chá, própolis e probióticos para restaurar.

 

VIP: E qual foi o desafio mais difícil?

Ricardo Corgucci: Em volume, seis litros de açaí em 12 minutos.

 

VIP: Seus desafio foram ficando mais e mais complexos. Quando você viu que o sucesso começava?

Ricardo Corgucci: Acho que foi no desafio da pizza gigante, no Rio de Janeiro. É o vídeo mais visot no YouTube. Na época, eu já fiquei de olho. Além do prêmio de mil reais, ele tinha um lance de transmitir ao vivo que dava duas mil, três mil pessoas. Pensei que além do dinheiro, poderia ser bom. Durante a competição, ganhei 500 inscritos, depois mais mil. Foi uma bola de neve. Nenhum vídeo viralizou, foi passo aa passo. Passei a me dedicar mais aos vídeos, fazendo um por semana. 

 

VIP: E isso já te dá algum retorno financeiro? Já rola alguma parceria?

Ricardo Corgucci: Tenho alguns anúncios pontuais, nada fixo por enquanto. Às vezes eu fecho a parceria com o estabelecimento e o lugar me paga um valor. Ou, também, anuncio algum produto. Consigo fazer algumas propagandas também e faço isso tudo no meu estilo. Não anuncio faço coisas que não acredito. Tomo muito cuidado com o que eu falo. Não gosto de contar mentiras.

VIP: Seu canal já está verificado e os vídeos fazem sucesso. Quais são seus projetos daqui pra frente?

Ricardo Corgucci: Penso em ampliar o conteúdo do canal. Já faço os vídeos do desafio toda quinta, as pessoas perguntam bastante. Mas, na verdade, os que mais rendem são os que têm muita comida. Mas eu quero diversificar o assunto. E quero abrir minha loja virtual com caneca, camiseta, outros produtos. 

 

VIP: Pensa em ir além?

Ricardo Corgucci:  Ah, no futuro, tenho o sonho de criar uma federação. As pessoas poderiam se filiar. Como é um conteúdo que muitos gostam de ver, mas tem muita carência no Brasil, eu queria organizar campeonatos, envolver lojas, buscar patrocínios. Lá nos Estados Unidos é considerado um esporte sério. Tem até transmissão.

VIP: E o que a família e as pessoas próximas acham de tudo isso?

Ricardo Corgucci: Minha mãe ficava preocupada. Perguntava por que eu fazia isso. Mas sempre foi tranquilo. Ela sabe que eu me cuido, faço atividade física, faço todos os exames. Agora então, que tenho reconhecimento, já fica até melhor Se eu não tivesse retorno, dificilmente eu manteria o canal. Minha esposa também está sempre comigo. Mas por enquanto é um hobby, um trabalho à parte. Mas eu só viveria disso se tivesse muita segurança. Mas as coisas estão indo bem. 

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