Dá para não sentir medo da morte?

O antropólogo Ernest Becker fez um estudo estatístico e apresentou boas estratégias para driblar os calafrios do dia a dia

Get out filme

 (Get Out/Ghafla/Pinterest/Reprodução)

O repetido clichê do “só se vive uma vez” não deixa de ser verdade.

Esteja você no time dos pessimistas ou mesmo na categoria dos que acordam sorrindo, vamos admitir: pensar na morte é algo inevitável.

Quando será? Será que vai doer? Terei tempo para viajar pelo mundo? Vou virar notícia?

As perguntas involuntárias que rodeiam a certeza do nosso fim podem ir de um lapso passageiro de reflexão a sérias crises existenciais.

E não é nada legal passar a vida preocupado e temendo a tragédia a cada esquina.

Quando encostamos a cabeça no travesseiro e pensamos no fim da nossa própria estrada, a coisa complica.

Como, então, fazer as pazes com nossa dura sentença e viver em paz?

De acordo com um estudo do antropólogo Ernest Becker, a mortalidade é a mola que impulsiona nossas ações durante a vida.

Segundo o pesquisador e autor do livro A Negação da Morte, se nossa intenção é participar de grandes feitos, não podemos “perder tempo”. Principalmente nos preocupando.

Por isso, a capacidade de ocupar o tempo precioso com atividades e projetos interessantes é uma das formas de evitar o incômodo de sempre querer prever qual será a hora do adeus.

 

Gestão da crise

Para nos ajudar a não viver à beira de um ataque de nervos, Becker desenvolveu uma tese que dá bons indícios de como podemos fazer para driblar os calafrios do dia a dia.

Traduzida para “Teoria da Administração do Terror”, a criação do pesquisador aponta que pessoas mais distraídas com seus trabalhos e criações tendem a ter menos medo do que está por vir.

Diversão pai e filhos

 (Pixabay/Reprodução)

Por outro lado, quando algum evento nos remete diretamente à morte, como na perda de um parente ou na fatalidade em um filme, pensamos rapidamente em fazer atividades que prolonguem a vida – ou que ao menos deixem essa sensação.

Fazer exercícios e comer bem, por exemplo, é uma boa forma de voltar à rotina de maneira despreocupada.

Ironizar a ideia do falecimento é outra boa estratégia.

Desde fantasias de Halloween a piadas que debocham do assunto. Tornar a morte um objeto de humor ajuda a descomplicar o assunto e, assim, alivia um pouco a tensão.

Elijah Wood Elijah Wood entrou na onda de Stranger Things e encarnou a personagem Eleven.

Elijah Wood entrou na onda de Stranger Things e encarnou a personagem Eleven. (Elijah Wood/Instagram)

Por fim, uma das sugestões do escritor é ter paciência.

Por meio de um estudo estatístico de meta-análise (que integra resultados), foi constatado que perdemos o medo de morrer ao longo do tempo.

A ansiedade diminui conforme a idade chega e vivemos mais o dia presente a cada ano que passa.

Já que não a há tempo a perder, que tal seguir as dicas e viver um pouco mais tranquilo?

O negócio é seguir esse papo ou viver morrendo… de medo.

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