Do templo da balada aos hotéis-conceito

Ian Schrager foi dono do Studio 54, a casa noturna mais famosa da história. Transformou-se num mestre hoteleiro e agora lança, em Miami, as residências de cobertura com as maiores mordomias

Do templo da balada aos hotéis-conceito

O americano Ian Schrager nunca quis fazer nada igual ao que já existia. Hoje com 66 anos, ele aplica isso na criação de hotéis-conceito de luxo. É apenas o mesmo princípio de seu primeiro sucesso: o Studio 54, a casa noturna mais lendária do século 20, até hoje imitada em seu jeito de fazer baladas. Templo da disco music de 1977 a 1980, sua decoração mudava toda noite. Na pista, misturavam-se milionários e pobres, celebridades e dançarinos das ruas. “A energia era tribal”, recordou Schrager à VIP.

Depois do Studio 54, Schrager passou a bolar conceitos de hotéis cheios de estilo (e sempre com um night club). O primeiro foi o Morgan, em Nova York, em 1984. Desde então, vieram outros como o Delano, em Miami; o Mondrian, em Hollywood; e o Gramercy Park e o Hudson, em Nova York.

Seu projeto atual é a rede de hotéis Edition, que terá unidades nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. E o Edition de Miami (que será aberto em 2014) está ligado a um empreendimento diferente, que iniciou suas vendas há dois meses: The Residences, 26 apartamentos particulares de cobertura com visão total do mar nos quais os moradores terão à disposição todos os serviços de hotel, sem perder privacidade. Segundo Schrager, ainda não há compradores brasileiros, mas isso pode mudar quando vários chegarem a Miami para curtir o verão do hemisfério norte, no meio do ano.

O que você aproveita dos tempos do Studio 54 no que faz hoje? O que acumulei no Studio 54 ainda me é útil. O ambiente, as pessoas que conheci… Foi o lugar certo no momento certo, uma época de revolução sexual, de mudanças sociais. E era um grande mix: velhos e jovens, uma mulher com vestido de gala dançando com alguém de jeans, moda, arte, teatro… A mistura é o que interessa. Nada mais chato que um lugar só com pessoas iguais.

Criar hotéis é muito diferente de ter uma casa noturna? Não há muita diferença entre montar uma casa noturna, um hotel ou um restaurante. O objetivo é igual: cuidar dos clientes e proporcionar uma experiência única. Ninguém quer sempre a mesma música, o mesmo drinque. Me inspiro muito em Steve Jobs e nos produtos da Apple. Procuro perceber o que não existe por aí e o que as pessoas querem para oferecer um produto ímpar.

Você pretende fazer algum projeto no Brasil? Adoraria. É um país vibrante e um enorme mercado. Um amigo voltou ontem do Rio e me disse que seria fantástico desenvolver algum projeto ali. Ou em São Paulo. Para mim, o Rio é ótimo porque tem aquilo que o torna um lugar excitante: a mistura de pessoas diferentes.

Com tudo que você já fez, algum conselho ao nosso leitor? Não tenha medo do fracasso, senão você nunca vai tentar coisas novas.