Ela quer dormir sozinha: quando o casual do sexo é você

Algumas mulheres querem apenas sexo legal e orgasmos. Elas levam você para a casa delas ou para o hotel, se divertem e o dispensam sem choro nem vela

Mulheres e o sexo casual

(reprodução/Getty Images)

Dia desses, um grupo de amigos do meu marido apareceu em casa para um torneio de videogame. Todos eles são solteiros e pegadores, o estilo mais viril do macho alfa. A conversa é óbvia: mulheres.

Do meu quarto, conseguia ouvir um deles mais exaltado. “Fiquei com a garota durante toda a balada. O clima esquentou e fomos para uma suíte [a boate em questão ficava na cobertura de um hotel]. Depois do vamos ver, ela simplesmente perguntou se eu me importaria de ir embora, pois ela estava cansada e passaria a noite lá”, relatou um deles.

Achei graça. Num coro indignado, todos os outros dispararam: “Como assim?”. “Ela transou comigo e me dispensou cinco minutos depois.”

Pois bem, meus caros, é assim mesmo que as coisas têm funcionado com muitas garotas. E não pense que isso é uma novidade: desde a década de 1960, os hippies, os tropicalistas, os beatniks e a dama do lotação já buscavam o prazer sem amarras.

“A partir daí, as garotas querem experimentar o sexo sem compromisso, ter o poder de escolher com quem ficar sem se apegar, viver a experiência sexual sem culpa ou arrependimento. Elas estão vivendo o que antes era muito masculino”, afirma Jussania Oliveira, terapeuta sexual de São Paulo.

Sexo livre

No início da geração da contracultura o sexo livre servia para chocar, para quebrar padrões culturais estabelecidos pela sociedade, hoje o cenário mudou.

“Alguns autores caracterizam a geração Y [pessoas nascidas entre a década de 1980 e 2000, também conhecidas como millennials] como aquela que busca o prazer, é arrojada e quer o maior número possível de novas experiências”, relata Maria Cristina Romualdo Galati, psicóloga do Centro de Intervenção e Estudos em Sexualidade Humana da Unifesp, de São Paulo.

As mulheres dessa era são independentes e bem-sucedidas. Elas não precisam provar nada e nem de aprovações. O que elas buscam é satisfação.

71% das mulheres já dispensaram um cara depois do sexo

“A primeira vez que uma garota me dispensou depois da transa foi um choque. Fiquei constrangido, pensei que tivesse feito algo errado e perguntei se o sexo foi ruim”, lembrou outro. “De forma bem natural, ela respondeu: ‘Foi ótimo, mas eu tenho um compromisso importante agora’. Saquei que eu estava sobrando.”

É uma tentativa de inversão dos papéis, de as mulheres assumirem uma postura machista? Absolutamente não.

“Com a possibilidade do sexo casual, não existe a ideia de se masculinizar, mas, sim, de poder viver o prazer quando se quer e do jeito que se quer”, analisa Carla Cecarello, sexóloga em São Paulo e fundadora da Associação Brasileira de Sexualidade (ABS). “Ela não agiu como uma cafajeste. Pelo contrário, foi sincera – e isso até facilitou para mim”, conclui.

Sim, a troca de papéis costuma ser surpreendente. “Confesso que fiquei sem saber o que fazer. Aquela atitude era nova para mim e acabei sendo fisgado. Eu queria conquistar aquela mulher tão segura e com a autoestima tão alta. Saímos mais umas duas vezes e fui dispensado em todas. Não passei nenhuma noite ao lado dela”, conta Tassio C., 29 anos, representante comercial.

Ele, no entanto, diz que não esperava mais romantismo – apesar de os homens estarem dispostos a expor mais os próprios sentimentos. Mesmo assim, a situação o tirou do eixo.

Mulheres e o sexo casual

(reprodução/Getty Images)

“Percebe-se um pouco de insegurança dos caras quando eles se deparam com uma mulher tão bem resolvida sexualmente. Esses homens se questionam qual seria a função deles naquele relacionamento”, analisa Fabiane Dell’Antônio, sexóloga e consultora da Hot Flowers, fabricante de produtos eróticos, em São Paulo.

Relaxa, amigo! Com o tempo, as coisas começam a se encaixar e essa mescla comportamental vai entrar em equilíbrio. O primordial é dar um reset nas suas convicções sexuais: aquela figura feminina dependente da sua atenção já era – e faz tempo!

Egoísmo dela?

O sexo casual tem um acordo implícito: satisfação mútua e zero comprometimento. “Se parar para analisar, do ponto de vista moral, pode parecer ou ser considerado um comportamento egoísta, mas homens e mulheres bebem da mesma fonte”, analisa Oswaldo Rodrigues Jr., psicólogo e diretor do Instituto Paulista de Sexualidade (Inpasex).

32% delas gostam de tomar uma ducha e dormir sozinhas

O que pode causar estranheza para muitos é a falta de apego das mulheres: elas não querem ficar de conchinha após gozar – muito menos uma ligação no dia seguinte. Essas garotas cumpriram suas metas (ter prazer) e usaram os caras como meio para se realizarem sexualmente.

Pode ser justamente aí que o bicho pega para muitos homens. Porém, sejamos justos: tente contabilizar quantas vezes você também ficou satisfeito apenas com a transa, mas teve que cumprir todo o protocolo do bom-mocismo e não virou as costas e foi embora, simplesmente.

“A mulher ter feito isso uma vez não significa que vai agir sempre dessa maneira. Pode ser só um momento na vida. Ou seja, agora ela não está a fim de se envolver com ninguém, apenas curtir o sexo”, reflete a sexóloga Carla.

Isso, não confunda, é bem diferente do desapego emocional. O desapego ocorre quando a pessoa não consegue manter uma conexão sentimental e torna-se fria, distante e insensível. Essas mulheres conseguem, sim, estabelecer vínculos. O problema é que, desta vez, pode não ser com você.

 

Somos todos iguais

Pode até parecer que a mulher que transa e dispensa o cara está sendo egoísta, mas os homens bebem da mesma fonte. Quantas vezes você não quis fazer o mesmo?


A arte imita a vida

Mulheres libertas servem de inspiração para grandes personagens do cinema e da TV. Veja as semelhanças

Lisbeth Salander, no filme Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (2011)

Lisbeth Salander

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A hacker, após passar duras penas em um hospital psiquiátrico, se vê sozinha no mundo. A desconfiança dos homens a faz assumir uma figura andrógina e sexualmente livre. Ela não tem fronteiras com o pudor e o prazer.

Samantha Jones, na série Sex and the City (1998)

Samantha Jones

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Conhecida pelas tiradas sacanas, como “women are for friendship, men are for fucking” (mulheres são para amizade, homens são para transar), Samantha é a hors-concours das mulheres insaciáveis.

Stella Gibson, na série The Fall (2013)

Gillian Anderson

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A detetive britânica é de tirar o fôlego – não só pela beleza. Sagaz e corajosa, ela ainda usa o sexo casual como catarse para aliviar as tensões do trabalho. Praticamente uma ídola feminista.


Dispensado, soldado!

Descubra se ela vai dar um toco em você – e saia dessa com dignidade

Cinco frases que indicam um chega pra lá

  • “Amanhã, assim que eu acordar, vou direto para o escritório. Sem tempo nem para café da manhã.”
  • “Não tenho nada na geladeira. Se tiver fome, tem uma padaria ótima aqui do lado. Pena que já jantei.”
  • “Precisamos ser rápidos. Minha amiga vem dormir aqui e seria constrangedor para ela você estar aqui.”
  • “Estou esgotada. Não vejo a hora de cair na cama e me esparramar.”
  • “Com este frio, as únicas coisas que eu quero agora são um cobertor e minha série favorita.”

Ouça tchau sem mimimi

  • Ela pediu para você ir embora? Na frente dela, ligue para seu amigo e o chame para tomar uma gelada enquanto assistem ao Brasileirão.
  • Estão em um hotel? Pergunte se você pode deixar tudo acertado na recepção. Provavelmente, ela não vai aceitar (imagine o embaraço dela na hora do check-out). E você sai como cavalheiro!
  • Foram ao motel com o carro dela? Peça que ela chame um táxi enquanto você toma uma ducha.
  • É um repeteco? Não vá para a casa dela, e sim para a sua. Assim, quem precisa ir embora é ela.