Estudo revela que brasileiro ainda é preconceituoso, e não assume

83% dos entrevistados se declaram "não preconceituosos", mas 72% deles fazem comentários ofensivos

(Reprodução/Getty Images)

Um estudo feito pela Skol em parceria com o IBOPE investigou a relação do brasileiro com o preconceito e revelou números preocupantes: embora 83% dos 2.002 entrevistados se declaram não preconceituosos, 72% já fizeram comentários ofensivo.

Dessa maneira, 7 em cada 10 brasileiros já praticaram uma violência contra uma minoria.

Entre os declaradamente preconceituosos (cerca de 17%), 29% deles se dizem homofóbicos.

Entre os preconceitos velados, o machismo ainda é o mais recorrente, com 61%. Seguido do racismo, com 46%.

Um dos dados alarmantes é o dos brasileiros que não reagem quando estão diante de um ato de preconceito: 45%.

A pesquisa SKOL DIÁLOGOS ainda criou um “mapa do preconceito”. A região que obteve os maiores número de preconceituosos autodeclarados foi o sudeste, com 21% da população.

Entre os tipos de preconceito, o machismo foi o campeão em todas as partes do Brasil, atingindo mais de 50%  na quatro regiões delimitadas pela pesquisa.

(Pesquisa Skol Diálogos/Divulgação)

Frases carregadas

Grande parte dos preconceitos não acontece em ataques de fúria, mas sim no dia a dia, em comentários que podem parecer inofensivos.

A pesquisa também investigou quais são estas frases tão comuns e tão problemáticas, que ouvimos sem perceber o preconceito que carregam.

No topo da lista está o clássico “Mulher tem que se dar o respeito”, que, de acordo com a pesquisa, é falada por 51% dos homens.

Em segundo lugar, com 39%, está “mulher no volante, perigo constante”. Mas basta lembrar que seguros automotivos são mais baratos para mulheres, justamente pelo menor índice de acidentes em que elas estão envolvidas, que este ditado cai por terra.

A lista segue com uma série clichês:

  • Isso é coisa de viado, viadagem – 31%
  • Não sou preconceituoso, até tenho um amigo negro – 27%
  • Ela não é mulher para casar – 27%
  • Ele (a) é bonito(a), mas é gordinho(a) – 25%
  • Pode ser gay, mas não precisa beijar em público – 24%
  • Toda negra ou mulata tem samba no pé – 23%
  • Isso é coisa de mulherzinha – 23%
  • Ele (a) tem cabelo ruim – 17%
  • Ela está vestida igual a uma vadia – 15%
  • Eu até entende ser gay, mas precisa ser afeminado desse jeito – 14%
  • Gordo só faz gordice – 12%
  • Ele (a) tem um pé na cozinha/senzala – 5%
  • Travesti só pode ser prostituta – 4%

Todos eles parecem ter saído do século 19, mas, infelizmente, ainda estão presentes na cabeça do homem atual.