Mitos e verdades sobre os problemas sexuais que rondam sua cama

Antes de dar a desculpa "Isso nunca aconteceu comigo", conheça o que pode estar afetando seu desempenho no sexo e dê a volta por cima

impotência problemas sexuais

 (Pinterest/Reprodução)

“Medo é quando pela primeira vez não se consegue dar a segunda. E pânico é quando pela segunda vez não se consegue dar a primeira.” Sidney Glina, urologista do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, cita esse ditado no seu livro Impotência Sexual (série Mitos & Verdades, editora Contexto).

Bem, meu amigo, se você ainda perde o sono por causa daquela broxada do mês passado e acha que não proporcionou todos os orgasmos múltiplos com que ela sempre sonhou, está na hora de rever alguns conceitos sobre saúde e sexualidade. O doutor Glina dá uma força:

Mito: Você tem problemas se não consegue dar pelo menos mais uma na seqüência.

Verdade: Se a primeira foi boa, relaxe e durma. Cada indivíduo tem um ritmo.

Enquanto alguns se excitam novamente em 5 minutos, outros precisam de 3 horas. Pior é sentir-se obrigado a encarar uma prorrogação sem prazer. Nesse caso, você fica ansioso e falha mesmo.

A ansiedade estimula a produção de adrenalina, uma substância fabricada por várias partes do corpo, principalmente pelas glândulas supra-renais (localizadas sobre os rins).

Em excesso, essa substância contrai os músculos do pênis, impedindo a entrada de todo aquele sangue entusiasmado que estufa o seu melhor amigo. E o resultado você já sabe…

tanque vazio sem energia

 (Pixabay/Reprodução)

Mito: Sofre de impotência sexual ou de disfunção erétil quem não tem o instrumento às mãos, sempre pronto para ela manipular.

Verdade: Disfunção erétil é a incapacidade constante de manter a ereção para uma penetração ou até que você e a sua garota completem a festa.

Mas vamos supor que a Danielle Winits leve você pra cama. Se não der conta de escalar todo aquele monumento, peça desculpas e implore por uma segunda chance no dia seguinte. Sem medo ou culpa!

Falhar no primeiro encontro não significa que você seja broxa. Pesquisas do Instituto H. Ellis (de sexualidade), de São Paulo, relatam que 7% dos jovens com idade próxima aos 23 anos têm dificuldade de ereção durante a primeira relação ou encontro com uma nova garota.

Culpa da adrenalina!

Mito: Disfunção erétil é sina de velho.

Verdade: Um estudo feito no Hospital Ipiranga, de São Paulo, revelou que 2% dos homens entre 20 e 40 anos têm queixa de ereção. Entre 40 e 50 anos, existem 12% de insatisfeitos.

Entre 50 e 60 anos, 18%. Acima dos 60 anos, 30%. Depois dos 70 anos, 50%. Sem crise! Envelhecer não significa negar fogo.

O problema é que a maioria dos homens não se cuida e, com o passar do tempo, fica mais vulnerável a doenças que afetam a ereção, como diabetes, hipertensão, estresse e câncer de próstata.

Tem mais: sexo é uma questão de hábito e treinamento. Vários estudos publicados na literatura médica revelam que 70% dos homens e 53% das mulheres com mais de 70 anos mantêm-se sexualmente ativos se tiverem parceiros, digamos, igualmente entusiasmados.

Homem triste

 (Pixabay/Reprodução)

Mito: Pular cerca ou programar aquela rapidinha é saudável porque ajuda a relaxar.

Verdade: Qualquer situação que gere ansiedade, como uma escapada com a prima, pode repercutir na cama e causar problemas. Se você falha, fica tenso.

Daí você se sente na obrigação de tentar novamente… e broxa! Sem contar que as famosas rapidinhas o condicionam a ser cada vez mais rápido no gatilho.

Nesse caso, você pode virar um ejaculador precoce. No Brasil cerca de 30% dos homens, segundo estatísticas médicas não-oficiais, têm esse problema.

Mito: Disfunção erétil significa falta de desejo.

Verdade: No homem, o desejo está relacionado a dois hormônios produzidos no cérebro: a testosterona e a prolactina.

Eles acionam a operação de guerra que deixa você ligadão – claro, depois que os sentidos do corpo captam um estímulo erótico.

Se você tem pouca testosterona, a sua libido está comprometida. E o normal é não ter ereção sem desejo. Exceto se você possui poderes sobrenaturais que fazem os “Países Baixos” irem à luta com um simples estalar de dedos.

Se não for generalizada ou associada à queda da testosterona ou excesso de prolactina, falta de tesão não é problema físico nem questão a ser tratada no divã do psicanalista.

banana-2570930_1920

 (Pixabay/Reprodução)

Mito: Disfunção erétil e ejaculação precoce não têm nenhuma relação.

Verdade: Um estudo feito pelo Núcleo de Estudos da Sexualidade do Paraná mostrou que 33% dos casos de ejaculação precoce evoluem para disfunção erétil.

É fácil entender: com o tempo, o rapaz que chega rapidamente ao clímax torna-se inseguro e ansioso. O passo seguinte é inibir a ereção.

Se a ejaculação precoce vem estragando a sua farra desde a adolescência, possivelmente você chegará aos 30 anos sem ter a arma em punho.

Mito: Mulher insatisfeita, homem impotente.

Verdade: Se cada um – homem e mulher – tomasse conta de si próprio, o prazer para ambos estaria garantido. Moral da história: quando você pensa apenas nela, tem grandes chances de se complicar.

Se você não percorre a estrada entre o desejo e o orgasmo com a velocidade de um cavalo de corrida, é dono de um bom repertório de carícias e está sempre armado, o vilão da história pode não ser você (mesmo que ela queira convencê-lo do contrário).

Mito: Ejaculação precoce se resolve com cirurgia ou só com medicamento.

Verdade: Em 90% dos casos, ejaculação precoce é um problema psicológico também provocado pela ansiedade. O.k., a ansiedade despeja no seu pênis um caminhão de adrenalina, que faz você broxar.

Mas em algumas pessoas o excesso dessa substância pode precipitar a ejaculação porque funciona como um choque nas vesículas seminais, órgãos que armazenam o sêmen, próximos à próstata.

Uma vez “eletrocutadas”, elas se contraem e jogam o esperma na uretra para aquela viagem sem volta. Como o problema está na cabeça (não na do pênis), o sensato é procurar um terapeuta sexual.

Ele ajuda você a descobrir a origem de sua ansiedade e a tratar o problema.

viagra

 (Divulgação/Reprodução)

Mito: Viagra é a única solução para despertar seu amigo preguiçoso.

Verdade: Cerca de 30% dos casos de disfunção erétil são provocadas por problemas orgânicos, como lesões nas artérias. As artérias do pênis são vias de acesso por onde correm o seu sangue turbinado.

Se esse caminho é obstruído, ele não chega aonde tem que chegar. O Viagra (Pfizer) não conserta essa estrada maltratada, mas cria condições para que a ereção ocorra. Mesmo com esses problemas.

O sildenafil, princípio ativo do medicamento, corta a ação de uma enzima chamada fosfodiesterase tipo 5. Ela existe no seu pênis para contrair os músculos e barrar a entrada de sangue.

Em outras palavras, evita que você fique sempre armado, principalmente após ejacular. É assim, meu amigo: adrenalina e fosfodiesterase conspiram contra a sua ereção.

Se conseguir barrar a última, as chances de sucesso são de 95%. Até sob tensão. Mas o Viagra não funciona sem desejo. Se o seu sangue não está tão caliente quanto você queria, a ereção não acontece.

Esse medicamento deve ser tomado 1 hora antes da relação, com o estômago vazio para ser melhor absorvido. Ele não funciona em casos de lesão de nervos e prostectomia radical (retirada da próstata).

Para esses casos, o uso de prótese ainda é a melhor solução.

Mito: Pênis pequeno, problema à vista.

Verdade: O pênis é verdadeiramente pequeno quando tem menos de 4 cm em repouso e menos de 7 cm em ereção. Com tal bagagem (literalmente), a penetração é inviável.

Preste atenção, cara: estamos falando de 7 cm. Por menor que seja seu pênis, duvidamos de que ele seja um dedal. Se fosse assim, tão minúsculo,o seu pediatra já teria diagnosticado o problema de crescimento e tratado você com hormônios.

Outra coisa, mané: esqueça o que o seu vizinho – o tora de ouro – falou sobre o tamanho ideal de pênis e trabalhe bem com o instrumento que você tem.

Acredite: sua garota não vai reclamar do seu bilauzinho se você mandar bem.

Casal cama constrangimento

 (Pixabay/Reprodução)

Mito: Afrodisíacos como ovo de codorna, catuaba e ostra ajudam.

Verdade: Não existe nenhum estudo que comprove a eficiência (ou a existência) dos afrodisíacos. Mas você pode ficar mais relaxado – e, nesse caso, conseguir a ereção – se acreditar nessas baboseiras.

Fique sabendo que pacientes psicogênicos são muito receptivos a novidades.

Mito: Cigarro e vodca ajudam você a ficar mais calminho para papar a gata.

Verdade: Está provado que a nicotina tem efeito semelhante ao da adrenalina nos mecanismos de ereção. E não precisa de muito.

Um estudo mostrou que a nicotina existente em dois cigarros é suficiente para inibir a ereção em adolescentes sadios.

Mais: fumantes estão sujeitos a arteriosclerose – estreitamento crônico das artérias que dificulta a circulação sangüínea. Inclusive lá. Pelo mesmo motivo, muito cuidado com os porres. Álcool e broxada andam de mãos atadas.

Mito: Disfunção erétil ou ejaculação precoce não se previnem nem com macumba ou reza brava.

Verdade: Os mesmos cuidados que você toma para evitar um enfarte servem para manter a sua ereção satisfatória.

Se você não fuma como um turco, faz exercícios, evita gordura e álcool, tem tudo para virar os 40 com a virilidade de um adolescente. Como o excesso de açúcar lesa os nervos penianos, os diabéticos devem ficar ainda mais atentos.

Sabe-se que 50% dos homens diabéticos que não se cuidam desenvolvem disfunção erétil em até seis anos. No mais é fazer sexo.

A função sexual se beneficia (e muito) da prática. Parceiras ativas que gostam de sexo também ajudam.

E lembre-se: o grande amante é sempre aquele que se envolve, se emociona e acima de tudo sente prazer no que faz.