O beach tennis vai invadir sua praia

Da Itália para o mundo, o tênis de praia encontra no verão o momento perfeito para conquistar mais praticantes em todo o país

O beach tennis vai invadir sua praia

Ele precisa de raquete e rede para ser praticado, mas não é tênis. É um “bate-bolinha” na areia, mas não é frescobol. Esse esporte que mistura regras e movimentos do tênis ao ambiente descontraído das praias surgiu nas areias da Itália em meados da década de 1980. O beach tennis, porém, ganhou apenas em 2008 o reconhecimento da International Tennis Federation (ITF), mesma organização que cuida do tênis de quadra. Com ele, vieram os torneios internacionais. E, assim, o esporte começou a crescer.

Hoje, o Brasil é o segundo maior país em número de praticantes (perde apenas para a nação de origem) e em atletas no ranking mundial da ITF. Um deles é Thales Santos, fisioterapeuta, professor de beach tennis e 10º colocado da lista (e 1º no ranking brasileiro). “Há três anos, um carioca conheceu o esporte na Europa e começou a incentivá-lo no Rio”, conta ele. De lá para cá, ele rapidamente espalhou-se pelas areias do litoral brasileiro. Em 2011, o Brasil sediou oito etapas de torneios da ITF. Ano passado, aconteceram torneios em cidades como Salvador, Fortaleza, Santos, Guarujá, Rio de Janeiro – e até em São Paulo. Em dezembro, a Costa do Sauípe, que sedia torneios de tênis, recebeu um dos maiores do circuito mundial, com premiação de até US$ 10 mil. Esteve lá inclusive o italiano Alessandro Calcubbi, atual número 1. Nós estamos encostando: nos últimos campeonatos por equipe, chamados Nations Cup, o Brasil tem sido vice-campeão.

Entre as vantagens do esporte estão o alto gasto calórico (cerca de 600 calorias por hora), o ambiente gostoso da praia e ainda o trabalho muscular reforçado exigido pela areia. “O solo fofo requer grande esforço da musculatura das pernas e tornozelo. É muito mais difícil do que na quadra”, compara Thales, que jogou tênis por 11 anos antes de se aventurar nas praias. Para o ortopedista Lucas Leite, do Hospital São Luiz, em São Paulo, a prática de esportes na areia é extremamente benéfica e saudável porque estimula o uso de cadeias musculares por vezes esquecidas e favorece o equilíbrio. Mas, ao mesmo tempo, ele alerta que os cuidados devem ser reforçados. “Em areia dura, o chão é quase normal, mas estamos descalços, então as chances de lesões ósseas e expostas são maiores. Já em areias fofas, sobrecarregamos músculos, ligamentos e tendões”, diz. Se você quiser se aventurar, escolha uma praia plana. O melhor é que a areia seja fofa para dar mais característica ao jogo – afinal, na areia dura ele vai parecer de mais com o tênis de quadra.

“Mesmo quem nunca fez nenhum esporte de raquete consegue rapidamente realizar os movimentos básicos, brincar e até disputar partidas, independentemente de faixa etária”, diz Caio Vinícius, que este ano participou de sete torneios e mantém há dois anos, com Thales, o Blog Beach Tennis (blogbeachtennis.blogspot.com.br). Do tênis e do frescobol, os atletas podem levar algumas manobras, como o lobby (jogada em que a bolinha passa por cima do adversário e pinga na quadra), o smash (aquela espécie de “cortada”, forte e na direção do chão) e o próprio saque. Mas uma grande diferença que pode valer como estratégia é saber usar o vento. “Quem não está acostumado reclama. Mas com o tempo se aprende que, quando jogamos contra o vento, fica mais fácil dar o lobby, uma bola mais alta e mais profunda. Já quando estamos a favor, sacamos com mais efeito uma bola mais curta e próxima à rede”, diz Thales.

Contagem
Os games são contados de maneira semelhante, esquema crescente de 15-30-40. No beach tennis, não existe a “vantagem” no último ponto: se, no 40, empatar, quem fizer o próximo ponto ganha o game. Outra diferença é que não há o segundo saque, e quem saca não precisa fazê-lo cruzado. As disputas duram em média 30 a 40 minutos, geralmente no esquema melhor de três sets (cada set com seis games). Caso haja empate, o jogo vai para a disputa de tie-break: quem fizer sete primeiro, com diferença ao menos de dois pontos, ganha o set. Se há empate de sets, existe o chamado supertie-break, que é contado até dez: quem fizer primeiro o 10º ponto vence a partida. Por isso, as partidas acabam sendo bem mais rápidas que o tênis – que geralmente tem melhor de cinco sets.

Equipamentos
A raquete é específica: tem no máximo 50 cm de comprimento e até 26 cm de largura, feita com grafite, fibras de vidro ou carbono e com peso entre 300 e 335 gramas. Para ajudar a diminuir a resistência ao vento da praia, a superfície que atinge a bolinha é plana e possui vários furinhos. A bola também ganhou adaptação do tênis, já que não tem pressão e é mais leve e murcha, fazendo com que a velocidade do jogo diminua – até porque ela não deve pingar no chão. São as mesmas bolas utilizadas em aulas de tênis para crianças.

Quadra
A quadra é bem menor: segundo a ITF, deve ter 16 m de comprimento por 8 m de largura – ou seja, dois quadrados, divididos por uma rede cujo ponto mais alto fica a 1,70 m do chão. Se a disputa é individual (chamada simples), a largura diminui para 4,5 m (o comprimento é o mesmo). Não há nenhuma subdivisão entre os quadrados, como existe nas quadras de tênis (o saque pode ser dado em qualquer lugar da quadra).

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