Os caminhos da vela: como se tornar um iatista

Descubra passos essenciais para praticar um dos esportes mais vitoriosos do país

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Foto: Arquivo pessoal

O iatismo é a modalidade que mais rendeu medalhas para o Brasil em toda a história Olímpica. Nomes como Robert Scheidt, Marcelo Ferreira e Torben Grael fizeram o esporte inspirar novas gerações que enxergam na vela muito mais que um hobby, um estilo de vida. Essa paixão foi determinante para que o doutorando em Meteorologia da USP, João Augusto Hackerott, decidisse sua carreira profissional.

Antes de cada competição, João examinava cuidadosamente um papel com a previsão do tempo, até que certo dia soube que a equipe brasileira da regata ‘Volta ao Mundo’ não possuía nenhum especialista na área. Decidiu se especializar no assunto e lançou seu próprio site, o TempoOk, para prestar consultoria para eventos. Uniu o útil ao agradável. “Minha meta é não precisar de patrocínio para competir e ter um plano de carreira, pois é muito arriscado viver de esporte no país”.

É certo que, no caso dele, a vocação veio de família. Filho e neto de velejadores, começou a praticar o esporte já aos seis anos de idade. E hoje, com 24, vê o irmão de apenas 13 dar os primeiros passos no iatismo no Yatch Club Paulista, na represa de Guarapiranga.

Sua rotina atlética se resume ao Centro de Práticas Esportivas da USP, onde faz seus exercícios diários pela manhã, além de meia hora de alongamento e à suas aulas de pilates durante a noite. Nos fins de semana, ele vai até a represa treinar no Yatch Club Santo Amaro para atingir seu objetivo de representar o país na classe Laser Standard (mesma de Robert Scheidt) nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

O atleta deu algumas dicas de como alguém pode iniciar no iatismo. A recomendação básica é simples: ter vontade e gostar do que se faz.

Quais os melhores lugares para se começar a praticar iatismo?

Para aprender o iatismo em São Paulo, o melhor lugar sem dúvida é a Represa de Guarapiranga. Lá os ventos não são tão fortes e não existem ondas e corrente, como no mar. Uma vez aprendido a velejar, o meu lugar preferido é Ilhabela. Santos também é bom para se aprender, embora o grande tráfego de embarcações a motor atrapalhe um pouco.

Quais as principais dificuldades para um iatista começar sua carreira?

Quando criança, acredito que a maior dificuldade seja o medo da água, embora grande parte deste medo seja fruto da ansiedade dos pais. Assim como quando aprendemos a dirigir um carro,  é difícil acertar as marchas e o carro fica morrendo, no barco também é difícil no começo. É preciso coordenar bem o leme e as velas, para que o barco não perca velocidade e pare. Uma vez que o iatista já tenha aprendido a velejar (cerca de 10 treinos de 2h),  a maior dificuldade é se tornar um bom velejador. Para isso é necessário muito treino e dedicação. Cerca de três horas na água de 3 a 4 vezes por semana. Isso para pegar sensibilidade do barco e aprender a enxergar e prever o vento. Quando se tornar um bom velejador, entra no que acredito ser o último passo: tornar-se um excelente velejador. Para isso, a maior dificuldade é o dinheiro e a dedicação. É preciso nesta etapa investir em material, técnico, academia, nutrição e viagens.

Quais truques ele pode usar para driblar as dificuldades?

Não tem muito truque. O negócio é gostar de velejar e ir para água sempre quando possível. Se o iniciante realmente gosta, ele se tornará um bom velejador rapidamente sem grandes “mágicas”. Se você tem um filho e deseja que ele se torne um bom velejador, faça-o gostar de velejar, antes de tudo. Não insista em competição ou treinos forçados. A vela é um esporte onde a idade auge dos atletas é avançada, cerca de 25-35 anos, então tem bastante tempo para a criança aprender.

Quais dicas você daria hoje para alguém que quer começar o iatismo? O que ele precisa saber?

A primeira dica é para ele ter prazer ao velejar e fazer por que gosta. A segunda é: cuidado para não bater a cabeça na retranca. Dói! (risos). Se virar o barco, não se preocupe. Ele não afunda e tem como desvirar.

 

SERVIÇO
Yatch Club Santo Amaro (Guarapiranga)

Curso para crianças a partir de oito anos em quatro módulos: Iniciante, Intermediário, Avançado e Iniciação em regata (INR), com duração de um semestre cada. Também há cursos para jovens e adultos no valor de R$ 601 para não sócios.  www.ycsa.com.br/

BL3 Escola de Iatismo (Guarapiranga e Ilhabela)
Cursos de windsurf, kitesurf, veleiro e ‘oceano’ para alunos dos níveis básicos, intermediários e avançados. As aulas podem levar até 12 horas. A hora das aulas de Kitesurf custa até R$ 225.  www.bl3.com.br

CL Vela (Rio de Janeiro) 
Cursos para as classes Optimist (com idade de 7 a 14 anos), Laser, Dingue e Windsurg (a partir dos 13 anos) e ‘oceano’ e ‘travessias oceânicas’ (para profissionais). Os cursos básicos e avançados têm duração de 42 horas. www.clvela.com.br/