Parques de ondas artificiais já são realidade

Os parques de ondas artificiais são ótimos para quem mora longe do mar - e para atrair turistas atrás de tubos perfeito

No filme Surf no Havaí, que virou um clássico da Sessão da Tarde nos anos 1990, o bonzinho e ingênuo Nick Kane participa de um campeonato contra surfistas experientes na meca do esporte mundial, como sugere o título. Mas, como é um baita prego, Kane passa o filme todo no maior perrengue e sendo trolado porque foi parar na ilha como prêmio pelo primeiro lugar em um torneio de surfe… em uma piscina do Arizona, nos Estados Unidos.

Hoje, no entanto, os tempos são outros. E piscinas e lagos com ondas – perfeitas, mais constantes que as naturais e ainda por cima do tamanho que o surfista desejar – estão pipocando mundo afora e já são usadas por empresas como a Red Bull em cenários de campeonatos de verdade, com surfistas profissionais.

Ok, a ideia alimenta polêmica entre os puristas da prática, que acreditam que faz parte da magia do surfe o fato de ele depender de condições naturais. Por outro lado, é uma ótima notícia tanto para quem mora muito longe da praia quanto para cidades sem costa, mas que sonham atrair os amantes do esporte. É o caso de Austin, no Texas, que inaugurou, em outubro, o NLand Surf Park, o primeiro do tipo no país, com apoio (e comemoração) das instituições voltadas ao turismo. O projeto é da Wavegarden SL, empresa de engenharia dedicada à pesquisa e à construção de um sistema de ondas e lagoas para surfe e outros esportes aquáticos, e que tem projetos em vários lugares do mundo. Conheça este e outros parques do tipo – e pode dizer por aí que vai viajar para o deserto para surfar.

NLand Surf Park

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Kelly Slater surfando "sua" onda: 10 anos de desenvolvimento (Crédito: Divulgação) Kelly Slater surfando “sua” onda: 10 anos de desenvolvimento (Crédito: Divulgação)

Kelly Slater surfando “sua” onda: 10 anos de desenvolvimento (Crédito: Divulgação) (/)

Onde: Austin, Texas (EUA)
Como é: O primeiro parque de surfe dos EUA tem ondas para praticantes de todos os níveis e preferências – maiores, para os experientes, aquelas que se abrem bastante (e fazem a festa de não profissionais) e menores, para crianças (e merrequeiros). O local oferece aulas aos iniciantes e treinamentos intensos aos mais avançados – e ainda tem um restaurante de culinária regional.

Wadi Adventure

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Onde: Al Ain (Emirados Árabes Unidos)

Como é: O parque fica em uma cidade no meio do deserto, a uma hora e meia de Abu Dhabi e de Dubai de carro. Ele é uma espécie de oásis: tem também espaços e piscinas para outros esportes, como rafting, wakeboard e escalada. Para o surfe, além de alguns tamanhos variáveis de ondas, há opção de fazer sessões sozinho (por R$ 1 300) ou em grupos de até cinco amigos (R$ 800).

Surf Snowdonia

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Onde: Dolgarrog, País de Gales (Reino Unido)

Como é: A primeira piscina de ondas artificiais comercial do mundo foi inaugurada em 2014. A tecnologia é Wavegarden: ondas perfeitas, que não fecham, e medem entre 0,7 e 1,85 metro, com intervalo de 16 segundos entre uma e outra. A lagoa artificial tem 300 por 120 metros. O parque oferece aulas de 90 minutos a alunos de todos os níveis.

Surf Ranch (ou O parque de Kelly Slater)

Onde: Lemoore, Califórnia (EUA)

Como é: Onze vezes campeão mundial de surfe, o americano Kelly Slater passou dez anos estudando com uma equipe de especialistas de várias áreas uma forma de criar uma onda perfeita, o grande sonho do atleta. Sua piscina de ondas, chamada Surf Ranch, saiu do papel no fim do ano passado e foi construída em Lemoore, quase 200 quilômetros distante da costa da Califórnia. A piscina é estreita e bem longa, com águas entre o verde e o amarelado, e produz uma direita longa e tubular. A empresa que realizou o feito foi batizada de Kelly Slater Wave Co. O surfista já levou para testar a onda, entre outros amigos, os brasileiros Gabriel Medina e Adriano de Souza, também campeões mundiais do esporte. Kelly vai abrir sua piscina agora em novembro pela primeira vez para dois fãs. Rob W. e Palmer G. ganharam um concurso beneficente – os interessados pagaram 10 dólares, que foram revertidos para a WSL Pure, iniciativa filantrópica da liga de surfe profissional, a World Surf League, para apoiar a saúde dos oceanos.