Por que pessoas “tóxicas” são promovidas? E como contornar esse cenário

Estudo analisou a influência do comportamento entre funcionários e mostrou que existe espaço para profissionais maquiavélicos

Escritório Lego

 (Pixabay/Reprodução)

Eles podem ser enganosos e inescrupulosos manipuladores (o que os psicólogos chamam de “maquiavélicos”); ou impulsivos e sem qualquer sentimento de culpa (psicopata); ou egoisticamente preocupados consigo mesmos, nutrindo uma sensação de superioridade (narcisista). 

Às vezes “pessoas erradas” são promovidas.

Funcionários com esses traços de personalidade são mais propensos a trapacear, a se envolver em comportamento fraudulento e tomar decisões antiéticas. 

O pior: quem é honesto e segue a cartilha do bom funcionário goza nesse caso de uma frustração ao ver o sucesso de um “pilantra”.

Agora, como uma pessoa com esse tipo de comportamento consegue progredir inúmeras vezes?

Um recente estudo, publicado em Personality and Individual Differences, analisou a habilidade política entre os funcionários. 

Habilidade política é definida como uma competência social positiva que ajuda as pessoas a se relacionarem, a influenciar os outros, demonstrar astúcia e parecerem sinceras em suas relações.

Malhação no escritório

 (Pinterest/internet)

No total 110 funcionários em Cingapura de vários setores e posições (inclusive cargos de chefia) responderam como viam suas habilidades sociais no local de trabalho. 

O resultado indicou que nem todas as pessoas tóxicas possuem habilidade política, no entanto, as que conseguem usá-la aos olhos de seus patrões são vistas como tendo melhor desempenho. E, como todos sabemos, aqueles que são vistos como os de melhor desempenho são mais propensos a serem promovidos.

Existe uma maneira de evitar que esse tipo de criatura suba profissionalmente? Psicólogos organizacionais, especialistas em avaliações de personalidade e de comportamento, indicam que os chefes façam uma “investigação” antes de sacramentar a promoção. 

O ideal é verificar com colegas e subordinados do candidato, já que pessoas tóxicas podem ter um comportamento sadio com a liderança e bancar um escroto com quem está na cadeia baixa da hierarquia. 

Mas vale uma ressalva aqui: esse tipo difícil de personalidade pode ser útil para a organização. 

escritório

 (Carl Court / Equipa/Getty Images)

Imagine que você precisa de alguém para uma tarefa difícil de ser executada, sem medo, lógica e sem emoção. 

Por exemplo, uma empresa à beira da falência pode precisar reduzir o seu tamanho caso tenha alguma esperança de sobreviver. 

A tarefa de demitir funcionários cria uma pesada carga emocional para a maioria dos gerentes. Para um gerente com pouca empatia é muito menos traumático. 

Se você é membro do clube dos honestos e humildes e se sente excluído, a pesquisa é clara e sugere que você pode concorrer ao mesmo reconhecimento adquirindo habilidade política. 

Como?

Embora demonstrar habilidade política seja mais fácil para alguns, ela pode ser aprendida. 

Construa uma rede com diversos grupos de pessoas-chave, dentro e fora da organização. 

Mostrar interesse genuíno em outras pessoas, de uma forma que seja evidente — não ajuda se elas não perceberem —, aumenta seu campo de opinião e consequentemente expande a chance de ouvirem suas sugestões. Assim você ganha pontos de relevância e será facilmente lembrado. 

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