Princípio de Peter: somos promovidos até atingirmos a incompetência

Será mesmo que em um sistema hierárquico, todo funcionário deve ser promovido? Isso pode ser uma roubada, tanto para a empresa quanto para o funcionário

trabalho cansado

 (Pxhere/Reprodução)

Você provavelmente já se deparou com alguns gestores que contam com ótimo currículo e Know How, mas que não são tão bons em termos de liderança.

No começo da década de 70, o professor Dr. Laurence J. Peter matou essa charada.

Chamado de Princípio de Peter, o teorema criado tinha a seguinte premissa: em uma organização, subimos no cargo até nos tornarmos incompetentes.

Por essa razão, segundo o Dr., vemos pessoas capacitadas dentro de uma função, mas que não podem ir além daquilo.

A questão é um paradoxo.

De acordo com a hierarquia, quando um funcionário é muito bom em seu cargo, ele pode “subir um degrau”.

No entanto, ser bom na função B não significa, necessariamente, corresponder na função B.

Esse formato, que premia os mais competentes a todo custo, pode não ser tão produtivo no longo prazo.

chefe bravo

 (VideoBlocks/Reprodução)

Pense, por exemplo, em um engenheiro de sucesso.

Quando o assunto são números, projetos e problemas técnicos, ele é simplesmente o melhor da firma.

Após anos de eficiência, finalmente é hora de galgar um espaço no topo da pirâmide, talvez como gerente.

Agora em sua nova função (teoricamente mais qualificada e estratégica), o engenheiro se distancia da parte técnica dos projetos e, inevitavelmente, vê seu rendimento cair.

De acordo com os pensamentos de Peter, isso é previsível.

Essa incapacidade de transmitir alguns “dotes” profissionais é um problema que pode afetar qualquer trabalhador.

 

Prática e teoria

Trabalho

 (Leadership League/Reprodução)

Enquanto o princípio faz muito sentido de forma intuitiva, nunca houve uma prova empírica para isso.

No entanto, o Hard Business Review examinou dados de performance de comerciantes e seus gerentes em 214 companhias.

A área de vendas foi considerada a ideal quando o objetivo é analisar o gap entre posições.

Em primeiro lugar, foi visto que, no comércio, há uma correlação alta entre promoção (para cargos de gestão) e bom desempenho.

Um aumento de vendas pode significar 15% de chances de subir de cargo.

Segundo, uma outra correlação, mas negativa: ser um bom vendedor não significa ser um bom gestor.

Só 7,5% dos funcionários exemplares na área de vendas tornou-se um supervisor de sucesso.

Estresse trabalho

 (Pixabay/Reprodução)

Diante dessa informação, o questionamento recai sobre a necessidade incessante das empresas de relacionarem rendimento a todo e qualquer cargo maior.

Os que são eventualmente promovidos, no entanto, também não se opõem às decisões, já que elas implicam em maiores salários.

Como, então, resolver o problema?

De antemão, o ideal — do lado da empresa — seria traçar o perfil certo para um cargo do topo da pirâmide.

Ainda que a intenção de dar visibilidade às “pratas da casa” seja grande, não é bom tomar decisões precipitadas.

O que pode ser uma oportunidade por mérito, pode tanto prejudicar o rendimento do trabalho quanto prejudicar a imagem de um bom profissional.

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