Receita para excitar garotas

Carol Teixeira, a colunista-delícia da VIP, indica filmes e livros que podem deixar sua gata em ponto de bala

Uma mulher não é igual a um homem. Felizmente os exageros do feminismo radical passaram e hoje conseguimos ver, aceitar e aproveitar as diferenças entre os sexos. Uma mulher vê o mundo de modo diverso de um homem, uma mulher sente as coisas e reage aos acontecimentos de um outro jeito. E, finalmente, uma mulher se excita de maneira diferente de um homem. E é aí que eu quero chegar, caro leitor: se você entende essa diferença, o mundo é seu. Tem uma personagem de um conto meu [Segundas Intenções] que era descrita assim: “Seu tesão era intelectual, as pessoas tinham que tomar cuidado com o que falavam para ela”. Sim, é verdade. O tesão feminino muitas vezes passa pelas palavras. É aí que a arte entra como sua aliada. Aqui vão algumas dicas de filmes e livros que podem deixar sua gata no ponto exato que você quer tê-la.

LIVROS

  • Henry & June, AnaÏs Nin (L&PM)


Ninguém na história da literatura falou tão bem de putaria como ela. Se essa escritora do início do século 20 existisse hoje, provavelmente ela seria sua mulher ideal, leitor – então, por que não passar algumas de suas ideias para sua garota? Em meio às suas várias aventuras sexuais, todas deliciosamente relatadas em seus diários publicados, ela viveu um tórrido triângulo amoroso com o escritor Henry Miller e sua mulher, June, que estão na íntegra nesse livro. Nas entrelinhas de suas memórias, sempre rolava uma reflexão sobre o erotismo, com vários ótimos insights, como este: “É preciso tomar cuidado com os prazeres anormais, pois eles aniquilam os normais”. Ótima lição. Extrapolar os limites da normalidade, “take a walk on the wild side” (frase do Lou Reed que eu tenho tatuada no braço, diga-se de passagem), pode ser muito instigante e prazeroso – mas tem seu preço. E Anaïs Nin sabia o preço de tudo e pagava para ver. Inspiradora.

  • Clic, Milo Manara (Conrad)


Pouca coisa é mais excitante que a obra desse quadrinista italiano (mais especificamente essa série Clic). Passo mal só de pensar. Não tem como passar incólume por Milo Manara. É puro sexo, excitação imediata. Erotismo com inteligência, cool até não poder mais. Sou fã. E, além de as ilustrações serem extremamente eróticas e belas, ele tem sacadas ótimas nas histórias, cenas e frases memoráveis, como no final do Clic 2, em que a mulher, depois de dar para vários ao longo da história, durante o sexo com o último homem do livro, diz: “Já começo a me sentir meio santa”. Não é ótimo? Subversão total dos arquétipos. Adoro.

  • As 100 Melhores Histórias Eróticas da Literatura Universal (Organizado por Flávio Moreira da Costa, editora Agir)


Uma ótima compilação de textos eróticos de épocas e escritores diferentes. Tem textos retirados de importantes obras de Hilda Hilst, Henry Miller, Bataille, Marcia Denser, Dalton Trevisan e vários outros escritores. São 628 páginas deliciosas. Como diz a citação inicial de D.H. Lawrence, “é o que o mundo chamaria de muito impróprio…”. E, claro, por isso é tão bom. Diga a ela para começar por O Olho de Gato, trecho do fantástico livro A História do Olho, do mestre Georges Bataille. Nele o personagem conhece Simone, a jovem sedutora e perturbada que vai acompanhá-lo nas descobertas sexuais sem limite algum que acontecem ao longo dessa história.

 

FILMES

  • 9 Canções (Michael Winterbottom)

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O amor é algo muito subjetivo e pode-se contá-lo de várias maneiras. Michael Winterbottom, nesse filme, optou por contar uma história de uma relação por meio do sexo e das tais nove canções do título. Os atores transam de verdade, vemos sexo explícito, mas não é um filme pornô. Entendeu? Me lembra uma frase do final de um clipe do Marilyn Manson: “Explore monogamy”. Esse filme excita porque mostra as várias possibilidades da monogamia. Sim, sexo sem amor pode ser bom, mas sexo com amor é algo transcendente – e não, isso não é coisa de mulherzinha. Esse filme mostra o prazer de um sexo com amor de um casal. E é bom ver isso para não achar sempre que a grama do vizinho é mais verde ou que o prazer está na vida alheia e não na sua. Embora o mundo de hoje nos faça querer acreditar que as maravilhas do sexo estão fora das quatro paredes de nossa intimidade, a gente sabe o quanto é bom a liberdade de pirar com segurança, conhecendo o outro, sabendo os caminhos do prazer do outro.

  • De olhos Bem Fechados (Stanley Kubrick)

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Nicole Kidman e Tom Cruise lindos & perturbados num enredo de erotismo e culpa dirigido pelo louco e genial Kubrick. Adoro. E o que é aquela orgia de máscaras? Linda e misteriosa, para estimular as fantasias de qualquer um. Mas a sensualidade do filme também está nos detalhes, nas tensões sexuais que vão se desenvolvendo ao longo da história entre os diferentes personagens. E poucas coisas são tão estimulantes para uma mulher quanto uma boa tensão sexual.

  • Natalie X (Anne Fontaine)

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Grande parte do prazer sexual está no que é imaginado, principalmente para as mulheres. Esse é um filme em que o sexo passa pelas palavras, pela imaginação, pela narração – a ação e a verdade ali são as últimas coisas que importam. Fanny Ardant, Gérard Depardieu e Emmanuelle Béart estão incríveis nesse filme francês cheio de beleza e sensações confusas e difíceis de definir.