Resolução de ano-novo: bye-bye Brasil!

Se você está pensando em se mandar do país, saiba que a vida "lá fora" não vai ser fácil. Especialmente no quesito "grind and roll"...

Bye-bye, Brasil

 (Maria Elisa Zaia/VIP)

Os macacos, nossos parentes mais próximos, saem da segurança da capela e atravessam a selva (passando fome e sede) só para procriar com fêmeas de outros grupos. Lá, são recebidos com tiro, porrada e bomba pelos machos dominantes locais. Mas não desistem. É isso que garante a variedade genética que assegura a perpetuação da espécie.

Hoje, muita gente está saindo do Brasil. Recessão, ajuste fiscal, corrupção, nota de crédito rebaixada, segurança pública, PIB flácido, desemprego, eleição que é quase guerra, um calor dos infernos, crise hídrica, Mega-Sena que só acumula.

O Tom Jobim cantou a bola: “A saída é o Galeão”. Aliás, ele falava isso antes mesmo de o Galeão virar – ironicamente – Aeroporto Tom Jobim e antes de Cumbica se tornar o principal portão para o exterior. E, como bons primatas que somos, já que estamos fora, vamos obviamente tentar um relacionamento mais íntimo com as espécies estrangeiras.

Mas nem tudo são rosas nessa jornada – a não ser que você vá trabalhar como jardineiro na Holanda (e mesmo lá não são rosas. A Holanda é a terra de tulipas. E macho que é macho pensa que tulipa é para tomar chope).

A VIP (que por sinal tem edição eletrônica e o acompanha em qualquer lugar do planeta) está com você. E antecipa os desafios que irá enfrentar.


Lembra da Copa, quando os machos do planeta vieram para cá para tentar transar com as brasileiras? Lembra quantas estrangeiras deslumbrantes vieram para cá para tentar dar para você? Poucas? Nenhuma?

Pois é, no exterior vai ser a mesma coisa. Se você pensa que vai sair pegando geral só porque é brasileiro, esqueça. Nossa cotação não anda tão alta assim. O exotismo brasileiro já era.


Com a desvalorização do real, o máximo que você vai pedir naquele bar badalado de Ibiza é uma cerveja. Para passar o dia inteiro, com a mesma garrafa na mão. É capaz de aquela ruiva maravilhosa olhar para você, sim. E te dar um trocado para você não passar fome.


O país está numa pior, é verdade, mas você não é um refugiado heroico que escapou do terror do Isis. Ou que atravessou o oceano bebendo sua própria urina para salvar criancinhas. Não tente se passar por coitadinho.

Não que você não seja – todo brasileiro é um pouco. Mas a competição internacional deixou esse seu lado de vítima sem sentido. E se viver em crise tivesse sex appeal, os aeroportos da Grécia estariam congestionados de mulheres querendo transar com os descendentes de Eros.


Houve um tempo em que a revista The Economist mostrava o Cristo Redentor decolando e o Brasil como a próxima grande potência global. Infelizmente, faltou combustível e o Nosso Salvador voltou cabisbaixo para a base de lançamento. O tempo de Brasil como motor dos Brics passou.

Assim como não dá para posar de vítima, também não dá mais para se passar como representante da grande esperança econômica do mundo. Essa onda passou. A última grande promessa do Brasil que o mundo comprou foi o Eike. Deu no que deu.


Nem tente dar uma de intelectual brasileiro atormentado. O único intelectual brasileiro que eles conhecem lá fora é o Paulo Coelho. Que não é assim um Jorge Luis Borges.

Ou seja, quem sabe que o Paulo Coelho é brasileiro sabe que ele não é intelectual. E quem pensa que ele é intelectual é porque ignora onde fica o Brasil. Lembre que nosso país não tem um Nobel sequer – nem aquele da paz, que eles dão por peninha.


A última moda exótica sensual que o Brasil exportou foi a lambada, que até virou filme (The Forbidden Dance. Faça um favor a você mesmo e não veja). E isso foi na década de 1990.

Desde então, o país saiu do radar como centro criador de erotismo tropical exótico. Então, o golpe do amante latino não vai pegar. Nem para você, Sidney Magal.


Sabe quem é o equivalente masculino da Gisele Bündchen em termos de beleza e sensualidade do Brasil? Não? Pois é. Ninguém sabe. O Jesus Luz teve seus dez minutos de fama, mas hoje nem a Madonna, que o catapultou, tem dez minutos de fama. U

sar o pedigree de autêntico macho brasileiro não vai ajudar. Nem com a Gisele, que, aliás, desde que ficou famosa só se relacionou com americanos. O livro Comer, Rezar, Amar, da Elizabeth Gilbert, foi um derradeiro esforço para levantar nossa moral. Mas no cinema o tal brasileiro pica das galáxias foi interpretado pelo Javier Bardem. Sentiu o drama?


Nos tempos do playboy Jorge Guinle e do jet set, com viagens caríssimas, qualquer brasileiro que chegasse ao exterior tinha que ser um milionário (ou no mínimo um comissário de bordo, mas na época eles ganhavam melhor). Em Bonequinha de Luxo, Audrey Hepburn quase cai nos braços de um brasuca podre de rico que pode ser seu passaporte para o andar de cima.

Hoje, todo mundo vai para o exterior. Nossos turistas jogam papel no chão imaculado da Disney, travam a fila do McDonald¿s porque não sabem pedir dois Big Macs no idioma local e furam a fila para entrar no Louvre (saindo dois minutos depois de ver a Mona Lisa). Nossa imagem de refinamento foi cuidadosamente desconstruída. Obrigado, Tia Augusta.


Para as poucas mulheres que gostam de MMA (bem poucas, diga-se), o Brasil ainda tinha a fama de terra de grandes lutadores e campeões. Mas depois que o Anderson Silva disse que precisa de Viagra (ainda por cima adulterado!!!), nossa fama desceu mais alguns degraus.


Sotaque? O site therichest.com listou os sotaques mais sexy do mundo. Francês, italiano, inglês (da rainha, não do Obama), escocês – estão todos lá. Português? Nada. No máximo, torça para confundirem com espanhol (este sim aparece na relação).

Conclusão

Assim como a embaixada brasileira no caso de você se encrencar, sua nacionalidade não vai te ajudar em nada (foi-se o tempo…). Você está sozinho na tribo de terceiros tentando cruzar com as fêmeas. Os machos alfa de lá querem te encher de porrada. Os caras tem ossos grandes e músculos enormes.

Conte com você mesmo e com seu charme. E, de novo, faça um favor a você mesmo: por favor, evite o tripé samba/caipirinha/futebol.